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Saiba o que fazer em Las Vegas em alto estilo

31 de dezembro de 2017

Por Paulo Basso Jr.

Diz-se que o que se faz em Las Vegas fica em Las Vegas. Mas quando a experiência na cidade mais megalomaníaca dos Estados Unidos envolve mimos como hospedagem em alto nível e visitas a restaurantes estrelados, entre outras mordomias, a vontade que se tem é, ao voltar para casa, contar para todo mundo tudo (ou quase tudo) o que aconteceu por lá. E mostrar um bocado de fotografias, é claro.

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Quem chega a Las Vegas pela primeira vez à noite invariavelmente se impressiona. Não há cena de filme, foto de revista ou catálogo de operadora de viagem que consiga sintetizar o quanto encantam as luzes emitidas pelos hotéis-cassinos que se descortinam pela Las Vegas Boulevard, a avenida mais turística da cidade.

O trecho mais iluminado da Las Vegas Boulevard, que tem pouco mais de 6 km e corta a cidade de norte a sul, atende pelo nome de Strip. É nele que você verá a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade, uma pirâmide egípcia, a Fontana de Trevi e as gôndolas de Veneza, entre outros monumentos famosos. E terá a certeza de que em Las Vegas pouco se cria e tudo se copia, embora a atmosfera fake não tire o brilho das réplicas que despontam nas fachadas dos hotéis temáticos. Sobretudo durante a noite.

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Hotel Luxor, em Las Vegas

Verdadeiras cidades regadas a jogos e entretenimento, os complexos hoteleiros ocupam diversos quarteirões e concentram quase tudo o que há para fazer na cidade: cassinos, shoppings, casas de show, restaurantes, baladas. Por isso, durante a viagem, você entrará em vários deles, e por diversas vezes.

Hotéis-cassino de Las Vegas

Para se hospedar, no entanto, é melhor se concentrar nos mais badalados, como os hotéis Wynn e Encore, que dividem o mesmo empreendimento; o The Venetian e o The Palazzo, também integrantes de um mesmo complexo; as torres mais modernas do Caesars Palace, um dos hotéis mais tradicionais da região; o Bellagio, onde foi filmado Onze Homens e um Segredo; ou nos hotéis mais modernos e com menos cara de fake, como o ARIA e o The Cosmopolitan, que dividem o mesmo complexo.

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Hotel-cassino Caesars Palace, em Las Vegas

O Wynn e o Encore mesclam cores fortes com pisos revestidos de mosaicos na decoração, que conta ainda com um belíssimo jardim de flores naturais trocadas a cada três semanas. Ao contrário do que ocorre na maioria dos outros hotéis da Strip, os cassinos desses empreendimentos não cheiram a cigarro (apesar de a prática ser liberada em todos eles), e em meio às roletas do Encore é possível ver até a luz do dia projetada pela área envidraçada onde fica a piscina. O fato é marcante porque, de fora geral, evita-se que o visitante veja o tempo passar nos cassinos de Las Vegas, justamente para impeli-lo a jogar mais.

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Fachada do The Venetian/The Palazzo, em Las Vegas

Pertinho dali estão o The Venetian e o The Palazzo, onde tudo remete à italiana Veneza. Com uma riqueza de detalhes impressionante, esses hotéis-cassino de Las Vegas reproduzem as principais construções da Sereníssima, como a Praça São Marcos, o Palácio Ducal, o Campanário, a Ponte Rialto e o Canal Grande. O complexo é o único da cidade em que todas as acomodações – e há nada menos que 7 mil delas – são suítes. No The Palazzo, os amenities incluem lençóis com fios de algodão egípcio de Anichini e cortinas romanas acionadas por controle remoto ou um equipamento com tecnologia touch screen.

Viva Las Vegas

Alugar um carro nem sempre é a melhor opção para circular por Las Vegas. Nos fins de semana, principalmente, o trânsito da Strip é caótico e o melhor a fazer é passear a pé pela avenida, atravessando as passarelas – todas elas contam com escadas rolantes –, já que há poucas faixas de pedestres, e entrando nos hotéis-cassinos desejados.

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Passarelas cruzam a Strip, em Las Vegas

Na hora de ir mais longe, como no centro da cidade (Dowtown), onde há cassinos antigos, ou nos hotéis e shoppings mais afastados, há a opção de andar em ônibus, que incluem paradas em diversos pontos da Strip. Na principal avenida da cidade também há um trenzinho que passa atrás de alguns hotéis.

Apesar da vocação noturna, Las Vegas oferece roteiros divertidos durante o dia. Nos hotéis-cassinos da Strip, dá para passear de gôndola nos canais de águas azuis e transparentes (bem diferente do que ocorre em Veneza) do The Venetian, com direito a condutores devidamente trajados e cantantes; assistir ao show de fontes dançantes que ocorre a cada meia hora (o intervalo pode mudar de acordo com a época do ano) na frente do Bellagio, no qual mil dispositivos emissores de água fazem movimentos sincronizados com hits do momento e grandes clássicos musicais; e até visitar o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel situados no hotel-cassino Paris Las Vegas. Na torre, inclusive, dá para fazer refeições no restaurante que fica no 11º andar e admirar um panorama da cidade.

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Hotel-cassino Bellagio, em Las Vegas

Grand Canyon de helicóptero

Outro atrativo imperdível para quem vai a Las Vegas é voar de helicóptero até o Parque Nacional do Grand Canyon, a 446 km da cidade. A empresa Maverick oferece tours variados para a região, como o Skywalk Odyssey, que dura cerca de quatro horas e inclui uma parada de 45 minutos para visitar o Skywalk, a espetacular “ferradura” com chão transparente projetada sobre um vão na área oeste do cânion.  alguns roteiros, que giram em torno de US$ 500, permitem ainda avistar a Represa Hoover Dam, maravilha da engenharia construída na fronteira entre os Estados do Arizona e de Nevada.

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Voo de helicóptero até o Grand Canyon

O Dream Catcher Sunset é outro tour aéreo interessante pela região. O voo de ida, que passa sobre belas formações de arenito vermelho, termina com aterrissagem a cerca de 1.070 metros abaixo da West Rim, no território índio Hualapai que envolve o Grand Canyon. Na volta, avista-se a Represa Hoover Dam e a Strip durante o pôr do sol, quando os hotéis-cassinos começam a ficar iluminados.

Quem tiver menos tempo pode fazer só o voo noturno de helicóptero pela Strip, que é demais. Las Vegas do alto brilha como nunca. O passeio dura entre 12 e 15 minutos e custa em torno de US$ 150.

Vitrines de grife em Las Vegas

Las Vegas também é uma Meca do consumo. Basta entrar nos principais hotéis-cassinos para se deparar com uma infinidade de lojas. Alguns deles têm shoppings imensos, como o Caesars Palace, com o The Forum Shops e suas 160 lojas distribuídas atrás da fachada onde desponta a Fontana di Trevi. Entre elas, destacam-se grifes como Louis Vuitton, Bvlgari, Armani e Ermengildo Zegna.

Paulo Basso Jr.

The Forum Shops, um dos shoppings de Las Vegas

Na mesma linha estão os centros comerciais Esplanade, no Wynn, onde há lojas como Manolo Blahnik, Rolex, Cartier, Chanel, Dior e Oscar de La Renta; e o The Grand Canal Shoppers, no The Venetian, no qual em volta dos canais pelos quais navegam as gôndolas despontam as vitrines da Burberry, Davidoff, Jimmy Choo, Marc Jacobs e Christian Louboutin, entre outras.

O Via Bellagio, no Bellagio, o The Shoppers at The Palazzo, no hotel de mesmo nome; o Mandalay Place, que conecta os hotéis Mandalay Bay e Luxor; e o moderno The Shops at Crystals, entre o Cosmopolitan e o ARIA, contam com uma grande lista de butiques exclusivas. Separe um bom tempo para visitar ao menos dois ou três deles.

Paulo Basso Jr.

Fashion Show Mall, um dos shoppings fora dos hotéis-cassino de Las Vegas

Fora dos hotéis, há shoppings para todos os gostos em Las Vegas, inclusive de outlets, como os dois da rede Premium situados nos arredores de ambas as extremidades da Las Vegas Boulevard. Há diversas lojas de marcas neles, como Nike ou Adidas. Outro complexo que vale a visita é o Fashion Show Mall, com diversas grifes famosas em uma área nobre da Strip.

O que fazer à noite em Las Vegas

Quando a noite cai, Las Vegas se transforma e o brilho dos letreiros dos hotéis-cassinos se reflete nas diversas casas de shows que eles abrigam. Entre os diversos espetáculos apresentados na cidade, nenhum atrai mais brasileiros que os do Cirque Du Soleil. A trupe canadense mantém nada diversos shows fixos na cidade, o que nem de perto ocorre em outro lugar do mundo.

O mais badalado deles é o O (pronuncia-se Ô), apresentado desde 1998 no Bellagio. Revolucionário, o espetáculo acontece em um palco enorme, que a todo o momento se transforma em uma ou mais piscinas.

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The Beatles LOVE, um dos shows do Cirque du Soliel em Las Vegas

Outra apresentação imperdível do Cirque du Solei em Las Vegas é a Love, dedicado aos Beatles. Mais que um show de acrobatas, trata-se de um musical extremamente colorido realizado no teatro do hotel-cassino The Mirage. Com músicas e cenas emocionantes, o espetáculo faz um flashback da vida dos Fab4, principalmente de John Lennon e de Paul McCartney, mostrando dramas familiares e outros momentos deles antes da fama.

No Mandalay Bay rola o Michael Jackson ONE, em homenagem ao rei do pop. É perfeito para quem gosta de danças misturadas a movimentos acrobáticos de encher os olhos. Coisas de Las Vegas.

Apesar de não ter a grife do Cirque du Soleil, o show Le Rêve, realizado no Wynn, é mais um que não pode ficar de fora da programação noturna. Assim com acontece no O, o musical ocorre em um palco que se transforma em piscinas e fontes a todo momento. As danças e acrobacias deixam qualquer um de queixo caído.

Lazer fora dos hotéis de Las Vegas

Grandes artistas também se apresentam periodicamente em Las Vegas. Palcos para shows não faltam, como o coliseu romano do Caesars Palace e a T-Mobile Arena, onde também são promovidos eventos esportivos, entre eles lutas de MMA.

Paulo Basso Jr.

T-Mobile Arena, onde rolam vários shows em Las Vegas

Durante o dia, na Strip, vale a pena visitar o complexo The Linq, em frente ao Caesars Palace. É lá que fica um dos maiores símbolos da renovação de Las Vegas, a High Roller, roda-gigante mais alta do mundo, com 167,6 metros de altura. É possível dar uma volta convencional de 30 minutos na atração de dia ou de noite, mas é bem mais interessante curtir uma das muitas experiências ali oferecidas, como comprar um tíquete que transforma uma das cabines em uma balada para 10 pessoas, com direito a DJ e open bar.

No mais, o The Linq reúne uma série de lojas, barzinhos e restaurantes, com destaque para a doceria Sprinkles, que oferece, do lado de fora da loja, uma máquina semelhante a caixas eletrônicos, com tela LCD e tudo, para você “sacar”… cupcakes. Funciona 24 horas por dia, provavelmente para o caso de necessidade de glicose na madrugada.

Paulo Basso Jr.

The LINQ, uma das atrações mais novas de Las Vegas

De noite, fora dos hotéis, o esquema é ir ao menos uma vez na Fremont Street, rua localizada no centro da cidade e que remonta a fundação de Las Vegas, em 1905. Ali surgiu o primeiro hotel local, o Nevada, de 1906, ainda hoje na ativa sob o nome de Golden Gate Hotel & Casino.

Vá depois 19h, quando, todos os dias, a rua, que é fechada ao trânsito de carros e conta com uma cobertura de metal com 12,5 milhões de lâmpadas de LED, serve de palco para espetáculos sensacionais. Trata-se da Fremont Street Experience, na qual um moderno sistema capaz de formar 60 imagens por segundo e 16 milhões de combinações de cores, coordenadas ao som de 550 mil watts de potência, faz “homenagens” temáticas e coloridas a músicas clássicas norte-americanas e bandas de rock, como Queen e Kiss.

Gastronomia e muita festa em Las Vegas

Antes ou depois de assistir aos shows ou passear pelos cassinos, quem vai a Las Vegas tem a oportunidade de saborear a sofisticada vida gastronômica da cidade. Quase todos os hotéis contam com restaurantes comandados pelos chefs mais prestigiados do mundo.

No The Venetian/ The Palazzo, por exemplo, há casas de Mario Batali, Thomas Keller, Emeril Lagasse e Wolfgang Puck, que também têm restaurantes nos hotéis Caesars PalaceMandalay Bay e MGM Grand. Neste último, outros deliciosos destaques são o L’Atelier, o Morimoto e o premiado Joël Robuchon, do chef francês homônimo. Duro é arrumar vaga por lá sem fazer reserva com antecedência.

Sobremesa do Morimoto, no MGM Grand, em Las Vegas ! Paulo Basso Jr.

Outros campeões gastronômicos da cidade são o Costa di Mare, no Wynn; Guy Savoy, no Caesars Palace; e Picasso e Le Cirque, no Bellagio. Na hora de ir a ambientes mais informais, opte pelo contemporâneo Mesa Grill e pela tradicional churrascaria Old Homestead Steakhouse, ambos no Caesars Palace;, o Lago, no Bellagio (perfeito para um brunch), ou pelo ótimo Wazuzu, no Encore, especializado em pratos orientais.

Refeições feitas,é hora de cair na balada. E, como não poderia deixar de ser, elas pegam fogo em Las Vegas. A XS, do Encore, é uma das mais disputadas, assim como a Hakkasan, no MGM Grand.

Não basta, porém, entrar normalmente nessas casas. O must na cidade é reserva uma mesa para no mínimo três pessoas acompanhada de uma garrafa de uísque, vodka ou champanhe. Assim, o grupo não precisará pegar fila para entrar e terá à disposição serviço de garçons, limpeza e reposição de sucos, refrigerante e energético durante toda a noite.

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Balada Hakkasan, no MGM Grand, em Las Vegas

À exceção do período de inverno, quem vai a Vegas também pode aproveitar as pool parties, festas ao ar livre que rolam nas piscinas dos hotéis. Nas melhores, como as do Encore e do MGM Grand, corpos sarados de biquínis ou bermudas dançam ao som, geralmente, de música eletrônica e hip hop. E é justamente aí que tudo pode acontecer. Mas esse detalhe, ao contrário de todas as outras experiências vividas na cidade, você não precisa contar para ninguém!

Reportagem atualizada desde original publicada na revista Viaje Mais Luxo, parceira do Rota de Férias.