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O que fazer no Rio de Janeiro em 4 dias

4 de março de 2018

Por Paulo Basso Jr.

O Rio de Janeiro não é um destino para quatro dias. Tampouco para uma semana ou um mês. É lugar para a vida toda, graças à sua mescla única de vibe urbana com natureza exuberante.

Ocorre, porém, que nem todo mundo tem a sorte de morar em meio às praias curvilíneas delimitadas pelos morros e rochedos que parecem ter sido desenhados a mão para dar vida à Cidade Maravilhosa.

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Marina da Glória: o Rio de Janeiro é lindo demais

Aí, resta curtir a capital fluminense nas férias ou, o que mais costuma rolar, em períodos curtos, como feriados e fins de semana prolongados. É o que fazem paulistas, mineiros, baianos, gaúchos e gente que, vira e mexe, se manda de todo o Brasil para os braços acolhedores do Cristo Redentor.

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Para aproveitar o Rio como ele merece, é preciso ter calma, se organizar e seguir a cadência do samba, com as típicas distorções da bossa. Foi nesse ritmo que este roteiro foi preparado. Veja o que fazer no Rio de Janeiro em 4 dias:

1º dia no Rio de Janeiro

Copacabana

Chamar um táxi e dizer “toca para Copa” é um bom jeito de começar o roteiro. O tradicional bairro de Copacabana não é o lugar que mais “dá praia” no Rio, mas rende um belo bate-perna.

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Calçadão e Drumond

Sobretudo no calçadão de pedras portuguesas e desenho ondulado em preto-e-branco, obra de Burle Marx, por onde desfilam todos os dias adolescentes e aposentados, milionários e outros nem tanto, além de gringos das mais diferentes nacionalidades.

No canto direito da faixa de areia, na altura do posto 6, repousa sobre um banco a estátua do poeta Carlos Drumond de Andrade, um dos pontos de interesse do Rio de Janeiro.

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Forte de Copacabana

Dali é um pulo até o Forte de Copacabana, de onde se pode observar a insinuante curva da praia. Uma pequena filial da Confeitaria Colombo, a mais tradicional do Rio, funciona por ali e garante o cafezinho.

Copacabana Palace

O rolê (ou seria rolé?) por Copa guarda ainda outros momentos ímpares, como a passagem em frente ao Hotel Copacabana Palace, já próximo ao Leme (o melhor point para pegar praia no pedaço).

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Inaugurado em 1923, o prédio em estilo Luís XVI foi um marco na ocupação do bairro e estimulou a construção de outros edifícios numa área que antes era apenas um balneário. Por dentro do Copacabana Palace, o hotel mais icônico do Brasil, há bons restaurantes, que podem ser visitados inclusive por quem não é hóspede.

Baixo Copa

De lá, siga para a região do Baixo Copa, onde se concentram boas opções para o almoço. Um clássico é o Belmonte, que serve ótimas empanadas. Outras boas opções são o Pub Escondido e o Botequim Informal.

Praia Vermelha e Pão de Açúcar

A Praia Vermelha é a base do famoso bondinho, que leva até o alto do Pão de Açúcar, com 396 metros. A vista panorâmica já vale o passeio, mas as paradas tornam tudo ainda melhor.

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Pão de Açúcar

A primeira se dá no Morro da Urca, com 227 metros de altura, onde fica o Museu Cocuruto, que conta a história do teleférico. Depois, é hora de seguir para o Pão de Açúcar e se deparar com uma das vistas mais deslumbrantes do Rio, principalmente ao pôr do sol.

Na volta, caminhe até a Mureta da Urca, lugar descolado à margem da Baía de Guanabara, onde a galera se reúne para trocar ideia, bebericar e provar os frutos do mar do Bar Urca.

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Praia Vermelha

Botafogo

É duro deixar para trás aquele cenário dos sonhos, mas a noite carioca promete. Por isso, quando o sol se mandar, pouse em Botafogo e escolha um dos restaurantes do Polo Gastronômico, como Irajá e Lasai.

Ou então pare, ali pertinho, na Companhia Brasileira de Alimentos, a Cobal do Humaitá, complexo de bares e de onde se pode observar o Cristo iluminado. Afinal, é nos braços dele que você cairá amanhã de manhã.

2º dia no Rio de Janeiro

Corcovado e Cristo Redentor

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Gilberto Gil, Cazuza, Raul Seixas… Os maiores compositores do País fizeram questão de musicar o Cristo Redentor, símbolo máximo não só do Rio de Janeiro, mas do Brasil.

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Eleita uma das sete maravilhas do mundo, a estátua revestida com pedra-sabão desponta no topo do Corcovado, o morro mais alto da Zona Sul do Rio.

Como ir ao Cristo Redentor

Para vê-la, basta andar pela região e, aqui e ali, olhar para o alto. Mas bom mesmo é chegar pertinho dela.

E o melhor esquema para ir ao Cristo Redentor é apanhar o Trem do Corcovado, que sai da Rua Cosme Velho e passa pelo meio da Floresta da Tijuca até estacionar, 20 minutos depois, praticamente aos pés do Cristo. O trajeto rola das 8h às 19h, com saídas a cada meia hora.

Vista do Cristo Redentor

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Uma vez lá em cima, basta tomar um elevador e um lance de escada rolante para chegar ao Cristo. E ali conter a emoção e se espremer em meio a multidão para fazer aquela foto redentora que, em menos de 5 minutos, bombará no seu Instagram.

A vista panorâmica em 360º da base da estátua inclui points como o Pão de Açúcar, a Baía de Guanabara, o Centro e o Maracanã.

Leblon

Onde comer no Leblon

Quando a fome apertar, o melhor endereço para se estar é o Leblon, pertinho da lagoa. Na Av. Ataulfo de Paiva ficam o clássico boteco Jobi e o moderninho T.T. Burger, que serve um bom hambúrguer. A casa tem como sócio Thomas Troisgros, filho do chef Claude Troisgros.

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Outras casas que valem a visita são o Bracarense (Rua José Linhares, 85), dono de tira-gostos maravilhosos, e o Bar do Adão (Rua Conde Bernadotte, 26), com pasteizinhos de dar água na boca.

Refúgio de celebridades

Na hora da digestão, dá para se jogar nas compras no Shopping Leblon ou alugar uma cadeira e um guarda-sol e se esquecer da vida na praia queridinha das novelas de Manoel Carlos.

O Leblon divide com Ipanema o espaço de convivência predileto das celebridades no Rio. Não precisa muito esforço para topar com rostos famosos, tanto no calçadão como nas ruas adjacentes.

As duas praias, inclusive, formam uma só faixa de areia. Você passa de uma para a outra e nem nota. E assim, de repente, entra no templo da bossa.

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Leblon e Ipanema

Ipanema

Endereço da Bossa Nova

Foi em Ipanema que o ritmo nasceu. Para os fãs, um endereço é emblemático. Trata-se do Bar Garota de Ipanema (Rua Vinícius de Moraes, 49), antigo Veloso, onde o Poetinha e Tom Jobim, frequentadores assíduos, viram a jovem Helô Pinheiro, coisa mais linda e cheia de graça, passar num doce balanço a caminho do mar.

O que fazer em Ipanema

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De volta à orla, o calçadão da Vieira Souto se esparrama com quiosques que vendem cervejinha e água de coco. Ao parar diante da praia e olhar para direita você verá o belíssimo Morro Dois Irmãos.

Arpoador

Para o outro lado fica o Arpoador, praia frequentada pela turma do surfe. E na areia, toda aquela gente com corpos esculturais que o deixam realmente sem saber para onde voltar os olhos.

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3º dia no Rio de Janeiro

 Centro

Chegou o momento de visitar o Centro do Rio de Janeiro, que guarda um rico patrimônio cultural e arquitetônico pelo fato de a cidade ter sido a capital do Império e da República por quase dois séculos até 1960, quando Brasília assumiu o posto.

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Boa parte desse tesouro histórico pode ser visto num simples passeio a pé, o que torna tudo mais estimulante.

Confeitaria Colombo

Para começar com classe, vá à Confeitaria Colombo (Rua Gonçalves Dias, 32), onde, além de se deliciar com o café da manhã, você pode comer com os olhos o mobiliário de época. A casa está aberta desde 1894 e, durante séculos, serviu como ponto de encontro de políticos, escritores e intelectuais em geral.

Paço Imperial

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Essa mesma turminha também batia cartão na Praça 15, o antigo Largo do Carmo, onde está o Paço Imperial, edifício onde D. João VI e a família imperial portuguesa ficaram instaladas após chegarem ao Brasil em 1808 fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte. Foi ali, inclusive, que rolou o Dia do Fico e a assinatura da Lei Áurea.

Edifícios históricos

Riotur/Divulgação
Biblioteca Nacional

O Centro do Rio ainda guarda outras joias históricas, como o Mosteiro de São Bento, todo ornamentado com entalhes barrocos folheados a ouro, a Biblioteca Nacional e a imponente Igreja da Candelária. Quem também merece destaque é o Centro Cultural Banco do Brasil.

Porto Maravilha

Totalmente reformulada durante as Olimpíadas de 2016, a região portuária do concentra uma série de atrações para o viajante. Considere incluir no roteiro ao menos uma das seguintes atrações, já que todas são muito interessantes, mas tomam muito tempo e dificilmente conseguiriam ser realizadas em um único dia.

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Museu do Amanhã

A lista inclui o Museu do Amanhã, projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o AquaRio, o Píer Mauá, repleto de atrações, e o Mural Etnias, com street art de Eduardo Kobra. Os fãs de arte também podem ir ao M.A.R, o Museu de Arte do Rio.

Santa Teresa

Quando o reloginho do estômago bater, saiba que é hora de conhecer Santa Teresa, um dos bairros mais pitorescos do Rio de Janeiro e que virou reduto de músicos e artistas.

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Onde comer em Santa Teresa

Lá, não faltam botecos e restaurantes tradicionais, como o Bar do Mineiro, o Armazém São Thiago (também chamado de Bar do Gomes), o Aprazível e o Tereze (este último no sofisticado Hotel Santa Teresa). O cardápio variado vai de opções vegetarianas a feijoadas e moquecas.

O que fazer em Santa Teresa

Além disso, Santa Teresa é um reduto de centros culturais, ateliês e mirantes, já que o bairro fica no alto de um morro.

Vale a pena fazer umas compritchas por lá, visitar o Parque das Ruínas e depois tomar o ruma da Escadaria Selarón, cujos 215 degraus são decorados com azulejos coloridos, formando um lindo mosaico.

Escadaria Selarón

Lapa

Quase todas as ladeiras de Santa Teresa levam à Lapa, o point boêmio por excelência do Rio de Janeiro. Seus botequins e baladas fazem do bairro um ponto de encontro de todas as tribos.

O que fazer na Lapa

Tradicionais programas da noite carioca, como os shows do Circo Voador e o bar Carioca da Gema, ambos próximos aos imponentes Arcos da Lapa, continuam como ótimas pedidas.

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Arcos da Lapa

Rio Scenarium

Outra opção é se mandar para a Rua do Lavradio, onde fica o Rio Scenarium, num casarão centenário de três andares com decoração descolada. Antiquário por natureza, o lugar tem objetos antigos espalhados por toda parte.

Paulo Basso Jr.

Nas paredes há bicicletas penduradas, instrumentos musicais, brinquedos e pinturas do século 18. Nos palcos, bandas fazem shows ao vivo de samba e chorinho.

Santo Scenarium e Mangue Seco

Se esse não for o seu gingado, arrisque o vizinho Santo Scenarium, onde é possível curtir jazz. Ou então a Cachaçaria Mangue Seco, logo em frente, onde o que se escuta para valer é o tilintar dos copos de chope.

 4º dia no Rio de Janeiro 

Jardim Botânico

Parque Lage

Frutas, sucos, café com leite, geleia caseira, bolo, cesta de pães artesanais… Tudo isso parece ótimo para começar o dia, mas fica ainda mais saboroso quando servido em dois endereços emblemáticos do Rio: o Plage Cafe e o La Bicyclette.

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Parque Lage

O primeiro fica no edifício da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, um lugar belíssimo, cercado de verde e de onde se pode ver o Cristo Redentor. É um lugar para passear com calma e fazer lindas fotos.

O que fazer no Jardim Botânico

O La Bicyclette está ali pertinho, bem em frente ao famoso Jardim Botânico do Rio – que, por sua vez, merece uma visita um pouco mais demorada.

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Jardim Botânico

Com 137 hectares, o espaço é mais uma herança dos tempos em que a família real portuguesa refugiou-se no Rio. Afinal, foi gerado justamente para aclimantar as plantas de fora trazida para aquelas terras tropicais.

Visitar o Jardim Botânico é caminhar pelas alamedas arborizadas e estufas com bromélias e plantas carnívoras. Mas é no corredor de palmeiras imperiais, plantadas pelo próprio Dom João VI, que ninguém resiste a bater uma foto clássica.

Maracanã

Se você gosta ou não de futebol, pouco importa: visitar o Maracanã é quase uma obrigação de quem vai ao Rio de Janeiro.

Tour no Maracanã

Caso você não queira ver um jogo (ou então não role um quando estiver por lá), vale saber que é possível fazer um tour no estádio e ter acesso à tribuna de imprensa, ao vestiário, aos camarotes e à parte do acervo histórico.

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A visitação tem cerca de uma hora e pode ser feita diariamente, de hora em hora, das 9h às 17h.

Aconchego Carioca

Outra dica: quando estiver indo ou voltando do Maraca, passe no Aconchego Carioca (R. Barão de Iguatemi, 379), um dos bares mais tradicionais do Rio, para comer uns quitutes e tomar algo.

Barra

Se o seu negócio é praia, você ainda pode aproveitar o último dia na cidade para desencanar de um dos programas anteriores e pegar “mó solzão” na praia da Barra.

Mas saiba que fica longe. Ir de carro é melhor, já que a praia tem 18 km de extensão, quiosques bem agradáveis e muito menos movimento do que as praias da Zona Sul.

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Pela Avenida das Américas, ao longo da qual o bairro começou a crescer, há shoppings que encantam as dondocas, como o Village Mall. Afinal, a Barra da Tijuca é point de ricos, descolados e emergentes do Rio de Janeiro.

Uma boa dica é deixar para bater perna durante a noite pelas lojas, restaurantes e baladas do pedaço e aproveitar o dia para pegar praia.

Recreio dos Bandeirantes

Nesse caso, siga em direção oeste, rumo ao Recreio dos Bandeirantes, onde estão algumas das faixas de areia mais lindas do Rio. Ali você encontra praias como Reserva, Recreio, Pontal, Macumba e, mais adiante, as estonteantes Prainha e Grumari.

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Prainha

De surfistas a famosos, há gente bonita se bronzeando todos os dias na região. Trata-se de um trecho litorâneo protegido por muitas áreas verdes, com poucos lugares em volta para estacionar o carro e afastado o suficiente para se manter isolado.

É o ambiente perfeito para se despedir do Rio de Janeiro no maior esquema celebrity. Afinal, é assim que você se sente o tempo todo por lá.

Reportagem adaptada de original publicada na revista Férias no Brasil, parceira do Rota de Férias.