Crédito: Paulo Basso Jr.

Uma viagem cheia de estilo para Foz do Iguaçu

26 de julho de 2017

Por Paulo Basso Jr.

Por volta de 8h, enquanto as filas já começam a fazer curvas às portas do Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), que só abre para o público às 9h, um grupo privilegiado de visitantes tem acesso às trilhas e passarelas das quais se pode observar a grande estrela da região: as Cataratas do Iguaçu, majestoso conjunto de quedas d’água eleito em 2011 como uma das sete maravilhas naturais do mundo após votação popular organizada pela fundação suíça 7NewWonders.

O grupo de turistas em questão é formado por hóspedes do luxuoso Hotel das Cataratas (diárias a partir de R$ 1.379 até setembro de 2017), único situado dentro da área brasileira do parque e que, além da oportunidade de observar as quedas em horários exclusivos, oferece uma série de outras regalias. Inaugurado em 1958 e remodelado há cerca de dois anos, o empreendimento, administrado atualmente pela Belmond (antiga Oriet-Express), é destinado a visitantes exigentes, que têm por objetivo curtir as belezas naturais da região em meio a passeios vip seguidos de um bocado de mimos, como refeições em restaurantes gourmet e horas relaxantes no spa.

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Divulgação
O clássico Hotel das Cataratas

Logo após serem recepcionados em um lobby que destaca móveis clássicos e paredes ornadas com azulejos portugueses, os hóspedes se deparam com uma agência de turismo que promove roteiros exclusivos para o hotel (há diversas outras na cidade, e muitas delas fazem reservas de passeios pela internet). O cardápio de opções é amplo e convidativo: trilhas com a presença de guias especializados dos lados brasileiro e argentino do parque, safári de barco (R$ 215,40 para adultos, R$ 107,70 para crianças de 7 a 11 anos e idosos, isento para crianças até 6 anos), visita ao Parque das Aves (R$ 40), que fica pertinho das cataratas, voo de helicóptero (média de R$ 430) e um exclusivo passeio noturno rumo às quedas durante a Lua Cheia. Em três dias é possível fazer tudo isso com bastante calma e muito conforto.

A melhor vista

Grupos formados quase sempre por estrangeiros – 80% dos hóspedes do Hotel das Cataratas são de fora do Brasil – iniciam o passeio pelo Parque Nacional do Iguaçu, que representa o lado brasileiro das cataratas, em uma trilha que começa bem em frente ao hotel. Com o acesso ainda fechado ao público, é possível observar com cuidado e fotografar melhor a primeira sequência de quedas d’água – a mesma que quem se hospeda na parte da frente do hotel pode apreciar da janela do quarto.

Paulo Basso Jr.
Pela manhã, antes do parque abrir para o público, as Cataratas do Iguaçu podem ser apenas suas

O guia explica – em diversos idiomas se for preciso, e muitas vezes de maneira personalizada, chamando a pessoa pelo nome –, dos 19 grandes saltos situados em meio aos 275 que despencam no enorme cânion do Rio Iguaçu, o qual se estende por três quilômetros, bem na fronteira entre o Brasil e a Argentina, 14 ficam do lado argentino. É do lado brasileiro, porém, que se tem a melhor vista do conjunto e de onde se registram as principais imagens da região declarada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Durante a trilha de 1.200 metros, leve e pavimentada, com um ou outro lance de degraus, o guia aponta orquídeas, bromélias, palmeiras, árvores centenárias e conta histórias sobre o parque. Como o trajeto é feito logo cedo, antes de o parque abrir para o público, ou no fim da tarde, assim que ele fecha (mas antes de escurecer, já que durante a noite não há iluminação e há o risco de se deparar com animais selvagens), o caminho permanece o tempo todo semideserto, marcado apenas pela presença de aves e macacos se alimentando.

Paulo Basso Jr.
Trilha do lado brasileiro do parque ainda vazio, pela manhã

O final da caminhada, durante a qual é distribuída água fresca a todos os interessados, leva à passarela de onde se avista a Garganta do Diabo, a queda mais alta e imponente das Cataratas do Iguaçu, com 90 metros. Antes de acessá-la, capas de chuva são distribuídas aos visitantes, pois um spray permanente provocado pelo movimento das águas paira sobre a região. É ele, inclusive, que nos dias ensolarados contribui para a formação de arco-íris em meio aos saltos.

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Sem ter quase ninguém em volta, a cena é paralisante: o incrível barulho provocado pelas águas que mergulham cânion abaixo, cuja vazão média é de impressionantes 1,5 milhão de litros por segundo, forma uma canção encantadora. Uma maravilha do mundo, sem sombra de dúvidas. Caso não dê para fazer fotos por conta do spray ou se o rio estiver cheio a ponto de impedir o acesso à passarela, não se preocupe. Há um elevador panorâmico cercado de plataformas mais altas das quais é possível apreciar o espetáculo das cataratas.

Paulo Basso Jr.
Arco-íris dá o ar da graça e enfeita a paisagem das cataratas

Embora não dê vontade de ir embora, uma van espera os visitantes para levá-los de volta ao Hotel das Cataratas. E o melhor de tudo é que, hospedado por lá, é possível retornar às quedas quantas vezes quiser ao longo do dia. Durante o período em que o parque fica aberto ao público, ônibus panorâmicos passam a cada 15 minutos e param em diversos pontos de observação (inclusive em frente ao hotel) e acesso às trilhas. O único porém é que, das 9h às 17h, ninguém tem privacidade, sobretudo em feriados e durante a alta temporada. Mas é fato que as Cataratas do Iguaçu são lindas de qualquer forma.

Obs: trecho de reportagem publicada originalmente na revista Viaje Mais Luxo.