Crédito: Paulo Basso Jr.

O que fazer em Copenhagen, a capital da Dinamarca

10 de agosto de 2017

Por Paulo Basso Jr.

Quando cheguei a Copenhagen, era outono na Europa e a temperatura girava na casa dos 15ºC. Com céu azul e as fachadas dos prédios refletindo tons ocres, o clima estava excelente para caminhar pelo centro da cidade, com destaque para as ruas de pedestres Købmagergade e Østergade. Amplas, ambas concentram vitrines de grifes como Hermès, Gucci, Louis Vuitton, Gucci e Armani, que dividem espaço com papelarias descoladas, lojas de bebidas e cafés sofisticados.

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Cada vez mais à vontade, resolvi fechar o mapa e andar sem rumo pelas simpáticas ruelas locais, onde me deparei com perfumadas casas de chá e uma filial da chocolateria Summerbird, a mais famosa da região. Caso passe em frente a alguma, compre as amêndoas vermelhas. Acredite, você não irá se arrepender. Se quiser, pode solicitar à atendente (certamente alguma loira de olhos azuis que passaria fácil como a irmã mais bonita da Ana Hickmann) algumas para provar. E nem se preocupe com o idioma, pois, se falar dinamarquês é quase impossível, basta se virar no inglês, já que todo mundo em Copenhagen domina a língua.

Da Summerbird alcança-se facilmente a Strøget, que seria uma rua de pedestres qualquer se não fosse uma das primeiras do gênero no mundo, criada em 1962. O lugar é emblemático porque não foi projetado em cima de uma ruela medieval sem importância, mas sim em uma das avenidas comerciais mais importantes da cidade. Chamado de loucos por muitos, acusado de impedir o progresso e dificultar o trânsito, o urbanista Jan Gehl, responsável pelo projeto, tinha a visão de que a administração pública devia ter como foco as pessoas, e não os carros. O resultado é que o comércio local apresentou números cada vez mais crescentes e a Strøget, para a alegria dos cidadãos de Copenhagen, se transformou em um símbolo de planejamento urbano do mundo moderno.

Paulo Basso Jr.

É uma delícia passear pelas ruas de pedestres no centro de Copenhagen, na Dinamarca

A cerca de duas quadras dali está a Rua Amagertorv, onde desponta uma loja da grife Georg Jensen, um dos maiores designers de objetos de prata e ouro do mundo. Quando esteve na capital dinamarquesa na década de 1960, o cineasta Stanley Kubrick passou por essa loja e se encantou tanto com o que viu que usou um jogo de talheres futuristas no filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço.

Próxima a Georg Jensen estão algumas das principais lojas de design da cidade. Em todas elas, destacam-se cadeiras, sofás, luminárias e outros objetos de decoração. Um dos points de visita obrigatório é a Royal Copenhagen, que expõe nas vitrines objetos de cerâmica usados pela realeza dinamarquesa. Alguns deles, como vasos e peças de jantar, estão à venda por valores que giram em torno de € 15 mil.

Cores ao porto

Basta caminhar ou pedalar (há bikes para alugar em todas as esquinas) pelo centro da capital dinamarquesa para se deparar com pontes, torres enfeitadas, parques, teatros e palácios. Mas a melhor maneira de curtir esse visual é a partir dos passeios de barco realizados diariamente nos canais que cortam a cidade. A experiência permite observar, em detalhes, alguns dos principais cartões-postais locais, desde os mais modernos, como o Black Diamond, um prédio futurista que abriga a biblioteca real, e a Opera House, que tem uma das melhores acústicas do mundo, até os mais antigos, a exemplo da Bolsa de Valores, um dos prédios mais velhos de Copenhagen, e do Palácio de Christiansborg, sede do parlamento dinamarquês.

Nada arranca mais “ooohs” dos visitantes durante o passeio, porém, do que o monumento da Pequena Sereia, erguido em um dos canais da cidade em homenagem a Christian Andersen. Pequena como o nome sugere, mas bonitinha que só vendo, a estátua completou 100 anos em 2013.

Paulo Basso Jr.

O descolado Nyhavn, porto revitalizado de Copenhagen, na Dinamarca

Os flashes que despontam sobre a Pequena Sereia só encontram concorrência à altura quando o barco aporta no descolado Nyhavn, onde uma série de predinhos coloridos abrigam pubs, restaurantes e lojinhas que vivem lotadas, especialmente aos fins de semana. Símbolo máximo de Copenhagen (cuja palavra significa Porto de Compras), o point passou por diversas fases históricas.

De centro de escoamento de mercadorias e bairro aristocrático no século 17, enfrentou um período de decadência no século 19, quando se transformou em reduto de prostituição frequentado por marinheiros – curiosamente foi nessa fase que Christian Andersen morou por lá e escreveu seus contos mais famosos –, antes de ser revitalizado na segunda metade do século 20. Quem passa por lá hoje se depara com uma série de barcos aportados (inclusive algumas casas-barcos), que enfeitam o cenário cheio de cores, totalmente revitalizado, e deixam o clima do pedaço ainda mais romântico e lúdico.

Contos de fada

Já em terra firme, o ambiente de presépio pode ser vivenciado em outro ponto imperdível de Copenhagen, o Tivoli Gardens. Inspirado na cultura oriental e também nas obras de Christian Andersen – que, por sua vez, teriam motivado Walt Disney a erguer a Disneylândia –, esse parque temático, fundado em 1843, é uma joia que merece uma visita demorada. Quem quiser se divertir pode encarar ali uma centenária montanha-russa de madeira e outras atrações radicais, mas a maioria das pessoas acessa o complexo para fazer piqueniques nos jardins floridos, caminhar às margens de lagos cênicos e avistar réplicas de pagodes chineses, palácios mouros e outras maravilhas.

Uma boa dica é visitar o Tivoli ao anoitecer, quando o parque é iluminado e fica ainda mais bonito. Entre abril e setembro, outubro e novembro e dezembro, período em que ficam abertas, as portas só se fecham às 23h. Melhor do que isso é só se hospedar no Nimb, o hotel-butique que fica dentro do complexo e abriga 17 acomodações luxuosíssimas, além de um ótimo restaurante e a melhor adega de vinhos da Dinamarca.

Paulo Basso Jr.

O Nimb, hotel de luxo dentro do Tivoli Gardens

O Nimb fica em uma espécie de palácio de mentirinha, mas quem quiser ver um castelo de verdade precisa ir à outra região de Copenhagen, onde está o Castelo de Rosenborg. Construída em 1606 para ser a residência da família real, a edificação é pequena, mas extremamente charmosa. De estilo renascentista nórdico, traz os inconfundíveis tijolos à vista que marcam as principais fortalezas dinamarquesas.

Dentro do castelo, chamam a atenção a capela e alguns aposentos que, hoje, funcionam como um museu histórico. Mas o melhor mesmo é passear pelos belíssimos jardins de Rosenborg e ver como o local hoje é bem aproveitado pela população, que vai até lá aos fins de tarde para fazer piqueniques ou apenas relaxar em família, pintar quadros ou ler um livro cercado de muito verde. Assim, realmente, fica fácil ser feliz.

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Parte 3: Viagem a Copenhagen é regada a ótima gastronomia
Parte 4: Passeios a partir de Copenhagen, na Dinamarca

Obs: Trecho de reportagem publicado originalmente na revista Viaje Mais Luxo