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Viagem para Londres: luxo na capital da Inglaterra

3 de maio de 2018

Por Paulo Basso Jr.

Winston Churchill, Isaac Newton, Alfred Hitchcock, Elton John e a princesa Diana têm algo mais em comum além do fato de serem personalidades expoentes da história britânica: todos eles passaram boa parte de suas vidas em St. James, Mayfair, Knightsbridge e Kensington, quatro dos bairros mais luxuosos que se pode conhecer durante uma viagem para Londres.

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Situadas nos arredores do Palácio de Buckingham e de alguns dos outrora jardins reais – hoje transformados em parques, como o Green e o Hyde Park –, essas clássicas regiões concentram o que há de mais elegante na capital da Inglaterra. A lista inclui hotéis tradicionais, restaurantes estrelados, galerias de arte e vitrines desejadas, boa parte delas com produtos que detém a chancela Royal Warrant, o selo de qualidade concedido aos distintos fornecedores da realeza.

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Hyde Park, nos arredores do Palácio de Buckingham

Viagem para Londres: St James elegante

Durante anos, St. James, por exemplo, concentrou os clubes de cavalheiros mais nobres do Reino Unido. Antes de abrigar um hotel do mais alto gabarito e o excelente restaurante Seven Park Place by William Drabble, dono de uma estrela Michelin, o imponente edifício do St. James Hotel and Club teve suas salas ocupadas ao longo do século 20 por diplomadas que se reuniam frequentemente ali para definir os rumos da história.

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Viagem para Londres: bar no St. James Hotel and Club

Churchill foi um dos membros honorários do clube, bem como artistas renomados, a exemplo de Ian Fleming (criador do mítico personagem James Bond), Michael Caine, Sean Connery, Peter Townshend e Liza Minelli – esta última na década de 1990, quando o clube já era acessível às mulheres.

O atual cinco estrelas, membro da seleta rede Small Luxury Hotels, tem uma estratégica saída privativa aos fundos para o Green Park, mas os concierges que ali trabalham costumam direcionar os hóspedes aos arredores de outro parque local, o St. James, um dos mais bonitos da Europa e que leva diretamente aos portões do Palácio de Buckingham.

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Viagem para Londres: St. James Park

Chapéus, camisas e perfumes

Para quem prefere andar na companhia de um personal stylist durante uma viagem para Londres, as ruas de St. James direcionam a alguns dos endereços comerciais mais recomendados pela monarquia britânica.

Os chapéus da realeza britânica

Próximo ao parque que dá nome ao bairro está a Lock & Co. Hatters, responsável pelos clássicos chapéus usados por Elizabeth II, Kate e outras mulheres da nobreza. É possível encomendar modelos personalizados, embora as peças mais requisitadas sejam as desenhadas pelo estilista Philip Treacy, cujos valores giram em torno de 1.000 libras.

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Lock & Co. Hatters: loja simples vende os chapéus da realeza britânica

Próximo dali, na Jermyn Street, há mais duas lojas que detém o carimbo Royal Warrant há anos: a Turnbull & Asser e a Floris.

As camisas de James Bond

A Turnbull & Asser é uma camisaria clássica, cujas paredes são decoradas com casacos e recortes com as medidas de Charles Chaplin e Churchill. Outro fiel cliente da loja era Ian Fleming, tanto que Sean Connery, Roger Moore, Pierce Brosnan, Daniel Craig e todos os outros atores que encarnaram o personagem de James Bond no cinema usaram as finas camisas da marca ao gravar os filmes do elegante agente 007.

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A loja Turnbull & Asser e as camisas de James Bond

Aberta desde 1903, a Turnbull & Asser tem como especialidade as peças com tecido exclusivo vindos de Barbados, que custam em torno de 350 libras.

O perfume da rainha

A Floris, por sua vez, é uma das perfumarias mais antigas e cobiçadas da Europa. Fundada em 1730, a loja é um típico exemplo da classe e distinção britânica. Os perfumes são dispostos em prateleiras de vidro com espelho ao fundo, reluzindo como verdadeiras joias aromáticas.

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Fachada da Floris: loja prepara os perfumes da rainha da Inglaterra

Edward Bodenham, atual diretor e membro da nona geração da família do fundador Juan Famenias Floris, exibe com orgulho os itens expostos em uma espécie de museu ao fundo da loja. “Temos aqui desde a carta que mostra nosso primeiro selo real, concedido em 1820, até o perfume comemorativo de edição limitada criado para Kate Middleton usar em seu casamento, passando pelos frascos com uma pedra de diamante vendidos a 14 mil libras durante o jubileu de 60 anos de coroação da rainha, comemorado em 2012”, afirma orgulhoso.

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Um dos desejados perfumes da Floris, em Londres

Entre os perfumes mais famosos à venda estão o Nº 89 (75 libras), imortalizado pelo personagem de James Bond e que marca o número da loja na Jermyn Street, e as fragrâncias Honey oud e Leather oud, que custam 160 libras e têm açafrão na fórmula. Há ainda o Royal Arms, usado pela rainha Elizabeth II, o 127 Eau de Toilette, favorito de Churchill, e o Rose Geranium Bath Essence, preferido de Marilyn Monroe.

Chás e chocolates em Mayfair

St. James vai ficando para trás assim que se avista a Fortnum & Mason, já na divisa com o bairro de Mayfair. Trata-se da loja de departamentos mais antiga e luxuosa da Inglaterra, inaugurada em 1707 e onde se encontra o que há de mais tradicional em termos de alimentação e bebidas em Londres.

Não à toa, ganhou o carimbo Royal Warrant da rainha Vitória é uma dos poucos comércios que Elizabeth II visitou pessoalmente nos últimos anos, quando inaugurou, acompanhada de Kate e Camillla, a duquesa da Cornualha, o sofisticado salão de chá que faz parte do empório.

O chá preferido de Elizabeth II

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Uma visita a Fortnum & Mason não pode faltar em uma viagem para Londres

Vale dizer que os chás mais apreciados pela rainha, nos sabores darjeeling ou earl grey, dificilmente agradam o paladar dos brasileiros, mas há muito mais o que encontrar na Fortnum & Mason. Com quatro andares, a loja oferece vinhos, azeites, queijos, caviar, temperos, chutneys, geleias, doces e cestas com produtos de soberba qualidade.

Chocolates da realeza britânica

Há também muitos chocolates ali, embora os preferidos da realeza fiquem em outro endereço de Mayfair, a loja Charbonnel et Walker. Aberta em 1985, a chocolateria vende trufas, bombons e barras de dar água na boca. Há pacotes que esbanjam charme, como os dos chocolates English Rose & Violet Creams, prediletos da rainha (mas com gosto estranho, que lembra sabonete).

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É na Charbonnel et Walker que você encontra os chocolates prediletos da realeza britânica

Outros são ainda mais pomposos, como os que levam cristais na embalagem e chegam ao custo de 1.700 libras. “Uma boa dica para quem busca algo original são as trufas de chocolate com uma pitada delicada de sal marinho, realmente deliciosas”, indica o gerente da loja, Adam Lee.

O brilho de Mayfair

A Charbonnel et Walker fica em uma acanhada galeria da Old Bond Street, rua que dá continuidade à Bond Street e reúne as grifes mais sofisticadas do planeta.

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Mayfair: um dos bairros mais luxuosos de Londres

Marcas como Cartier, Channel, Bvlgari, Louis Vuitton, Salvatore Ferragamo, Prada, Burberry e Rolex se exibem para homens e mulheres impecavelmente trajados, alguns deles executivos que caminham durante o horário de trabalho e outros bon vivants em viagem para Londres, que chegam em Ferraris, Maseratis e Porsches, muitas vezes na companhia de personal shoppers.

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Loja da Louis Vuitton, na Old Bond Street

Por falar em automóveis, o bairro de Mayfair também é pródigo em clássicos ingleses, já que concentra concessionárias de marcas como Bentley e Rolls-Royce. Ambas, inclusive, ficam próximas ao número 17 da Bruton Street, endereço em que a rainha Elizabeth II nasceu. A fachada da casa de seu pai, que ascendeu ao trono em 1936 como George VI depois da abdicação do irmão Eduardo VIII, é simples e tem apenas uma placa indicativa na cor preta.

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Praça ao lado do apartamento em que Elizabeth II nasceu

As placas azuis de Londres

Enquanto isso, as famosas blue plaques (placas azuis), que celebram pessoas famosas e acontecimentos históricas nas fachadas londrinas há 150 anos, se proliferam aos montes em Mayfair.

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Uma das famosas placas azuis que é comum ver em uma viagem para Londres

As do compositor George Frideric Handel e do guitarrista Jimi Hendrix, por exemplo, ficam lado a lado na Brook Street, e é fácil imaginar os músicos, cada um à sua época, perambulado por trechos históricos do bairro, como o Shepherd Market. Esse era o local que abrigava a feira que deu origem à região e que, entremeado por becos e ruas estreitas, concentra hoje pubs de alto nível, onde executivos se reúnem para o after hours.

Ver moças de terninho e rapazes engravatados nas ruas de Mayfair, por sinal, não é coincidência. O bairro abriga a sede de diversos bancos poderosos e também algumas embaixadas, como a dos Estados Unidos e a da Itália, que ficam entre as praças Berkeley e Grosvenor. Isso sem contar os redutos artísticos, como a prestigiada Royal Academy of Arts, e outros pontos comerciais sofisticados, a exemplo da Burlington Arcade, onde há boas joalherias e muita gente elegante.

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A luxuosa Burlington Arcade, em Mayfair

Chá da tarde em Londres

Hotéis luxuosos também proliferam no pedaço, como Ritz, Connaught, Claridge’s e Four Seasons. É neste último que fica o Amaranto Lounge, um dos melhores lugares para apreciar o famoso chá da tarde britânico durante uma viagem para Londres.

“Usamos louças de porcelana chinesa Wedgwood, chás nobres indianos e do Sri Lanka que custam até 60 libras, champanhe de marcas como Veuve Clicquot e tudo o que é de mais refinado para proporcionar a melhor experiência ao visitante”, explica Jan Valsek, diretor-assistente de comidas e bebidas do hotel.

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Chá da tarde no Amaranto Lounge

Sanduíches clássicos, como o de queijo com rodelas de pepino, e doces inspirados em grandes eventos londrinos, como o torneio de tênis Wimbledon, se destacam no elaborado menu.

Knightsbridge: restaurantes estrelados 

O Amaranto Lounge é de dar água na boca, mas não há lugar melhor para comer em Londres do que o bairro de Knightsbridge. Movimentada, a região, célebre por ser a casa da famosa loja de departamentos Harrods, não tem o mesmo charme do vizinho Mayfair, mas foi escolhida como lar por alguns dos melhores chefs do mundo.

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A famosa loja de departamentos Harrods, em Londres

Dinner by Heston Blumenthal

É ali, mais precisamente no hotel Mandarin Oriental, que dois dos melhores restaurantes de Londres dividem endereço, Um deles é o Dinner by Heston Blumenthal, comandado pelo chef homônimo que ganhou fama e estrelas ao conduzir o The Fat Duck, premiadíssima casa de Berkshire, também na Inglaterra.

Bar Boulud

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Bar Boulud, em Londres

Em uma viagem para Londres também não pode faltar uma visita ao Bar Boulud, único empreendimento na Europa do chef Daniel Boulud, um dos cozinheiros mais aclamados de Nova York. Com atmosfera informal, a casa no Mandarin Oriental tem decoração original, com quadros que expõem manchas criadas por diferentes tipos de vinhos lançados sobre toalhas e serve um excelente brunch aos domingos.

Os peixes e carnes são ótimos, mas o carro-chefe da casa é o DB Burger, um hambúrguer com foie gras que, inclusive, acompanha muito bem vinhos tintos.

Outlaw’s

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Um dos deliciosos peixes servidos no Outlaw’s, em Londres

Para quem busca surpresas agradáveis, vale a pena ainda reservar um jantar no Outlaw’s, situado no The Capital Hotel, que fica ao lado da Harrods. Dona de uma estrela Michelin, a casa conduzida por Nathan Outlaw serve frutos do mar divinos, apresentados de forma simples, mas com sabores inigualáveis. A merluza com mexilhões, creme de nata e repolho é de comer chorando.

Uma boa dica é chegar antes da reserva ou separar alguns momentos após o jantar para curtir o The Capital Bar. Uma vez lá, procure pelo whisky sommelier Cesar da Silva, um português especialista em uísques.

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O whisky sommelier Cesar da Silva, no The Capital Bar

Caso tenha interesse, solicite uma degustação, na qual, mais do que aprender detalhes sutis sobre a bebida, você terá a oportunidade de provar maltes escoceses do mais alto nível, como o competente GlenGoyne, o singular The Balvenie e o raro Kilchoman, cujas garrafas de 150 libras são definidas por Silva como arte.

Kensington: o  quintal de Diana

Knightsbridge é ladeado pelo Hyde Park, famosa área verde londrina que, em sua face oeste, abriga o belo Kensington Gardens. Conhecido pelo palácio homônimo que serviu de moradia pra a Princesa Diana, Kensington também empresta o nome a um dos bairros mais charmosos da cidade. Embora central, a região se distingue pelas ruas largas e arborizadas, que revelam uma agradável atmosfera interiorana em meio ao vai e vem frenético de Londres.

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Um dos cartões-postais do pedaço é o Royal Albert Hall. Parada obrigatória em uma viagem para Londres, a casa de shows mais badalada da capital inglesa. Quem fica nos bons hotéis dos arredores tem o privilégio de conseguir, com os concierges, reservas nos melhores lugares e visitas ao backstage.

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Ferrari estacionada no bairro de Kensington, em Londres

Esse, porém, é só um dos mimos oferecidos pelos cinco estrelas de Kensington. Ao passar três noites no Baglioni, hotel membro da Virtuoso, o hóspede pode fazer tours privativos no Palácio de Kensington e tem à disposição uma Maserati ou Ferrari por um dia para passear pela capital britânica.

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Viagem para Londres: fachada do luxuoso hotel Baglioni

Além disso, boa parte dos funcionários do hotel é italiana, o que garante um atendimento caloroso e detalhes singelos na decoração, como as cafeteiras cheias de estilo dispostas na entrada das luxuosas acomodações.

Uma das ruas mais caras do mundo

O fato é que, a bordo ou não de um superesportivo, passear por Kensington é uma delícia. Ali, onde James Matthew Barrie se inspirou para escrever as histórias de Peter Pan e Churchill nasceu, está a Kensington Palace Gardens, segunda rua mais cara do mundo (atrás apenas da Pollock’s Path, em Hong Kong).

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Kensington Palace Gardens, uma das ruas mais caras do mundo

Tranquilo e arborizado, o local em que William e Kate vivem quando estão em Londres abriga ainda as casas de bilionários, como o empresário indiano Lakshmi Mittal e o russo Roman Abramovich, dono do clube de futebol Chelsea. Embaixadas da França, Rússia e Japão também se concentram na rua, cujo preço do metro quadrado é de US$ 107 mil.

Infelizmente quem anda por ali corre o risco de encontrar alguns paparazzi, mas nem isso tira o brilho da região. Mesmo porque as residências locais, embora grandes, são discretas, tal qual um lorde inglês. Afinal, como pode ser visto – e sentido – em cada pedacinho dos bairros mais exclusivos de Londres, o luxo e os prazeres da vida por lá não têm nada a ver com ostentação, mas com elegância, qualidade e bom gosto.

Obs: texto originalmente publicado na revista Viaje Mais Luxo, parceira do Rota de Férias.