• Crédito: Divulgação/Setur
    Ponta Negra e Morro do Careca
  • Crédito: Divulgação/Setur
    Genipabu
  • Crédito: Giovanni Sérgio/Divulgação
    Praia da Pipa
  • Crédito: Divulgação/Setur
    Genipabu

6 DIAS EM NATAL E PIPA

CAPITAL SERVE DE PONTO DE PARTIDA PARA OS PRINCIPAIS CARTÕES-POSTAIS DO RIO GRANDE DO NORTE

1 º dia

Mapa da sua rota

Litoral Norte

– Ir ao Rio Grande do Norte e não visitar as dunas fixas de Genipabu é o mesmo que viajar para o Rio de Janeiro e não ver o Cristo Redentor: imperdoável! Para chegar lá, quem está em Natal deve contratar um bugueiro e combinar com ele os níveis de emoção. O passeio pelo Litoral Norte, de Redinha a Muriú, dura o dia inteiro e permite percorrer até nove praias, quatro parques e três lagoas, com paradas ao gosto do freguês.

– Para que a brincadeira não acabe em acidente, é fundamental que o viajante contrate um motorista que seja credenciado pelo governo e associado à cooperativa da classe. Também é aconselhável buscar referências com outros turistas e evitar alugar um bugue por conta própria, pois, se o carro quebrar ou atolar em pleno ‘deserto’, dificilmente alguém estacionará para auxiliá-lo.

– Primeira parada: Aquário de Natal, um dos maiores do Nordeste, com 60 espécies de água doce e salgada – em um dos tanques, dá para acariciar tubarões-lixa. Também há uma área que abriga pinguins, jiboias, jacarés-de-papo-amarelo e macacos-prego.

– Logo em seguida, a cereja do bolo: Genipabu, onde você pode tomar banho na lagoa, andar de caiaque e até bancar o xeique em cima de um dromedário. A aventura em cadeirinhas anexadas ao lombo do animal dura cerca de 20 minutos, com direito a indumentária árabe e, claro, parada para fotos no decorrer da caravana.

– Outro ponto imperdível no roteiro é Pitangui, paraíso para quem quer descansar comendo um petisco em mesinhas enterradas na beira da lagoa. Detalhe: enquanto você se delicia com os quitutes nordestinos, cardumes de peixinhos beliscam os seus pés como se estivessem pedindo um tequinho.

– Mais adiante, chega-se a Jacumã, um dos melhores locais para se aventurar nos curiosos esquibunda, kamikaze e aerobunda. O primeiro consiste em deslizar duna abaixo, sentado em uma pequena prancha de madeira, até cair numa piscina. No segundo, você desce deitado em uma longa lona azul até a lagoa, como se fosse um tobogã. Já no aerobunda o trajeto é feito em uma cadeirinha presa a um fio de aço por uma roldana, ou seja, é semelhante a uma tirolesa, com a vantagem de encerrar a descida nas tranquilas águas doces de Jacumã.

– Quer um repeteco? Então, aí vai uma boa notícia: todas as atividades contam com cadeiras presas a trilhos que conduzem o turista confortavelmente de volta ao topo da duna. As panturrilhas agradecem!

* Todos os roteiros indicados foram visitados pela equipe de reportagem do Rota de Férias.
2 º dia

Mapa da sua rota

Litoral Sul

– Reserve o segundo dia para explorar os encantos do litoral sul a bordo de um bugue. Doze praias e duas lagoas fazem parte do passeio, que costuma ter saída às 9h e retorno às 16h. Nos dias úteis – e nos horários em que a maré permite –, boa parte do percurso é feita pela areia, o que dá um toque a mais de charme ao roteiro.

– Primeira parada: Pirangi. Apesar dos excelentes passeios de barco até os parrachos ­– piscinas naturais onde se pode mergulhar com snorkel para conferir a variedade de espécies de peixes que habitam os arrecifes –, é um cajueiro que mais atrai turistas ao local. Também, pudera: com mais de 8.500 metros quadrados de copa – área maior que um campo de futebol! – a árvore já entrou para o Guinness Book como a maior da espécie no mundo e chega a produzir 80 mil cajus na temporada, de novembro a janeiro. Também há um mirante, minimuseu e uma feira com barraquinhas que vendem roupas, bijuterias, artesanato e, claro, castanhas de caju.

– Depois, siga até Barra de Tabatinga. Emoldurada por gigantescas falésias, a praia é de tombo, mas frequentada por surfistas. Mas vale parar ali ao menos para conferir, do alto do mirante, a forte arrebentação e, claro, os golfinhos que frequentemente dão o ar da graça por ali. Dá-lhe zoom na câmera fotográfica!

– Já a praia de Bertioga serve como berçário de tartarugas, mas dificilmente o turista encontrará uma dando sopa pela areia em plena luz do dia. É mais fácil guardar as fotos para a parada seguinte: Camurupim. Lá, arrecifes esculpidos pela ação do mar funcionam como plataforma para o turista conferir o espetáculo das ondas arrebentando contra as rochas. Tem até uma gruta o meio dos corais.

– Onde os recifes inexistem, no entanto, levar rasteira das ondas é quase que inevitável. Especialmente se o destino for a paradisíaca Praia do Madeiro, em Tibau do Sul. Com espreguiçadeiras e redes para descansar sob a sombra de um coqueiro depois de tomar uma das inúmeras versões do drinque  hula-hula, com ou sem álcool, Madeiro mais parece cenário de filme. Os próprios frequentadores ­– surfistas sarados e famílias inteiras de gringos das mais variadas nacionalidades ­– reforçam essa impressão.

– Tanta saúde e gente bonita, entretanto, não são mera obra do acaso. Afinal, haja preparo físico para alcançar a praia, cujo único meio de acesso consiste numa rústica escadaria com 160 degraus no meio da mata. Melhor ficar mesmo na rede para recuperar o fôlego antes de subir…

– Por fim, Pipa, líder absoluta na lista das mais cobiçadas praias do litoral potiguar. Afinal, em nenhum outro ponto do Estado se vê tamanha concentração de barzinhos com música, petiscos e estrangeiros por metro quadrado. A própria infraestrutura do distrito é invejável, com mercados, hotéis, lojas, bancos e até casa de câmbio espalhados pelas ruas da antiga vila de pescadores, descoberta por surfistas há pouco mais de 20 anos.

– Não à toa, tantas agências internacionais oferecem pacotes de uma semana cujo único destino é este mundo à parte chamado Pipa. Para quem não está hospedado lá, o acesso é feito por meio de balsa, mas fica mais complicado curtir os barzinhos até o cair da noite, pois o bugueiro geralmente precisa retornar a Natal antes de o sol se pôr. Uma pena para os baladeiros de plantão.

– Já quem prefere sossego pode fazer um pit stop, no caminho de volta a Natal, na charmosa lagoa de Arituba, lugar perfeito para tomar um banho de água doce ou petiscar um pastel de camarão enquanto os últimos raios de sol tingem o cenário com nuanças de dourado.

* Todos os roteiros indicados foram visitados pela equipe de reportagem do Rota de Férias.
3 º dia

Mapa da sua rota

Maracajaú e Punaú

– Reserve o terceiro dia para explorar a fundo as águas do litoral norte potiguar. O destino? Maracajaú e Punaú, a 75 km de Natal. É possível contratar agências de receptivo na capital, como a Natal Vans (http://www.natalvans.com.br/), que oferecem um roteiro mais seguro e completo, de um dia, que inclui mergulho com snorkel nos parrachos de Maracajaú (ou o opcional com cilindro), traslado de van desde o hotel na capital e uma visita à Praia de Punaú.

– Mas atenção: antes de programar o passeio, lembre-se de consultar a tábua das marés. É ela que define se o roteiro começará às 6h ou às 9h, por exemplo, já que o mergulho só deve ser feito nos períodos de maré baixa, quando os recifes formam piscinas de águas mornas, com profundidade de 1,5 m a 2,5 m, perfeitas para nadar rodeado de budiões, baiacus, robalos, polvos e moreias.

– Maracajaú é distrito da cidade de Maxaranguape, que também abriga o Cabo São Roque: ponto da América do Sul mais próximo da África. Em 1898, um farol com 32 m de altura foi construído ali para sinalizar este marco, e ainda serve para tirar fotos dignas de cartão-postal.

– Perto dali fica a Barra do Maxaranguape, bastante frequentada por pescadores, surfistas e praticantes de windsurfe. Lá, pode-se explorar as dunas, manguezais e lagoas da região em passeios de bugue e quadriciclo. Ou fazer trekking e cavalgadas em trechos de mata. Mas essas aventuras geralmente não estão previstas nos passeios com grupos de turistas que partem de Natal. Por isso, se você estiver em veículo próprio, vale tomar algumas precauções e se informar bem antes com os moradores para evitar assaltos ou qualquer outro tipo de contratempo. Até porque é mais fácil pegar um peixe à unha do que sinais de celular em Maxaranguape.

– Enquanto falta tecnologia, sobra criatividade entre os artesãos, que produzem belas peças com junco, palha, algas e madeira. Algumas delas são ótimas lembranças de determinados pontos da paisagem local, como a Árvore do Amor – na verdade, um “abraço” entre duas gameleiras ocasionado pelos fortes ventos que sopram naquelas paragens.

– O mergulho propriamente dito em Maracajaú dura cerca de duas horas e meia, com máscara e snorkel. Lá, uma barreira de corais localizada a 7 km da costa esconde uma infinidade de espécies marinhas, para deleite dos praticantes de mergulho, seja ele livre (com snorkel) ou autônomo (com cilindro de ar-comprimido).

– Até quem não sabe nadar pode embarcar na aventura, já que as lanchas deixam os turistas sobre uma plataforma em alto-mar, que dispõe de boias para todos. A exceção é feita apenas para crianças com menos de 6 anos, que ficam de fora do passeio organizado pela maioria das agências mesmo que sejam exímias nadadoras e estejam acompanhadas dos pais.

– Por fim, relaxe nas águas doces de Punaú enquanto contempla os coqueiros, as dunas e o belo encontro do rio com o mar ao pôr do sol. Simplesmente inesquecível!

* Todos os roteiros indicados foram visitados pela equipe de reportagem do Rota de Férias.
4 º dia

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Natal

– Pelo menos um dia da viagem deve ser separado para conferir os atrativos da própria cidade de Natal, que oferece um amplo leque de lojas, restaurantes, bares e monumentos históricos.

– Além do ônibus Natal Bus, que cumpre o roteiro de um dia inteiro desde Ponta Negra até a Praia do Cotovelo, várias agências de turismo local oferecem city tour pela capital. Alguns roteiros, como o operado pela Marazul, que dura quatro horas, ainda incluem passeio de catamarã pelas águas tranquilas do Rio Potengi, passando por mais 15 pontos turísticos entre o Forte dos Reis Magos e a Ponte Newton Navarro.

– Se você estiver por conta própria e for aficionado por aventuras espaciais, prefira iniciar o dia no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, localizado em uma faixa de terra à beira-mar entre as praias de Ponta Negra e Pium. Criado em 1965, ele opera hoje apenas coletando informações meteorológicas – a base de lançamentos de foguetes foi transferida para Alcântara, no Maranhão –, mas, mesmo assim, vale agendar uma visita monitorada, ver réplicas de foguetes e observar de um mirante as duas plataformas espaciais, além das falésias avermelhadas, de 28 m de altura, da Barreira do Inferno.

– Depois, tire fotos do Morro do Careca na Praia de Ponta Negra e siga para o Forte dos Reis Magos. Encravada estrategicamente no ponto em que o Rio Potengi deságua no mar, a fortaleza, em formato de uma estrela de cinco pontas, começou a ser construída em taipa, no Dia de Reis de 1598 ­– daí seu nome –,­ a fim de proteger a região dos piratas franceses. A substituição da taipa por pedras 30 anos depois, no entanto, não foi suficiente para impedir que os holandeses ocupassem o recinto entre 1633 e 1654.

– Hoje, além da incrível vista do mar, do rio e da cidade, a fortificação (alcançada por uma passarela sobre o mangue) dá aula de história, com exposição de objetos encontrados em escavações; o Marco de Touros, fincado no litoral potiguar em 1501 para assinalar a posse da terra pela Coroa Portuguesa; e as impressionantes salas de tortura no calabouço – em uma delas, ainda se vê o buraco que enchia com a subida da maré, afogando os presos.

– Outro deleite para os amantes de história e de belas vistas panorâmicas é o Farol de Mãe Luiza. Situado no topo de uma duna, a 87 m do nível do mar, o local oferece um visual privilegiado do município e do Parque Estadual Dunas de Natal, primeira unidade de conservação do Estado, criada em 1977.

– Mas, antes de seguir até lá, confira o acervo do instituto dedicado ao folclorista Luís da Câmara Cascudo, que funciona na casa onde ele viveu e apelidou sua terra, Natal, de Noiva do Sol. Para se aprofundar mais no tema, é só subir a rua até o número 30 da Praça André de Albuquerque, onde está o Memorial Câmara Cascudo.

– Vestígios do passado também se revelam nos cristais do teatro Alberto Maranhão; no Palácio Potengi (onde funciona a Pinacoteca do Estado do Rio Grande do Norte); no casario do bairro da Ribeira; e no estilo neoclássico do prédio que abriga o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, cuja Coluna Capitolia foi presente do líder fascista Benito Mussolini em agradecimento à acolhida de dois pilotos italianos.

– Todos esses monumentos ficam bem próximos, concentrados entre os bairros de Petrópolis e Ribeira, onde os  barzinhos fervem e são uma ótima opção para quem gosta de bebericar noite adentro, assim como em Ponta Negra.

* Todos os roteiros indicados foram visitados pela equipe de reportagem do Rota de Férias.
5 º dia

Mapa da sua rota

Baía Formosa e Barra do Cunhaú

– Depois de passar o quarto dia descobrindo o que a capital tem de melhor a oferecer para o visitante, é hora de cair na estrada novamente rumo a dois dos recantos mais distantes do litoral sul potiguar: Barra do Cunhaú, 8 km depois da Praia da Pipa, e Baía Formosa, a 114 km de Natal, já perto da divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba.

– A primeira é perfeita para quem gosta de praias praticamente desertas, protegidas por ventos fortes, mangues e piscinas naturais. Também é famosa pela criação de camarões, o que garante uma boa variedade de pratos à base do crustáceo com preços pra lá de convidativos. E os mais dispostos ainda podem contratar um passeio ecológico de barco para conhecer o ecossistema do manguezal e conferir a pesca artesanal do caranguejo.

– Dá vontade de passar o dia inteirinho ali, em alguma praia virgem, só contemplando a paisagem preservada que se vislumbra logo após a travessia de balsa pelo Rio Curimatã. Mas é preciso seguir em frente. Até porque a baía que desponta na sequência não é formosa apenas no nome. Imensas falésias coloridas, um ou outro surfista e o lindo pôr do sol que doura o horizonte em mais de 300 dias do ano sempre arrancam suspiros dos turistas que se aventuram a desbravar essa rústica cidade de pescadores no extremo sul do território potiguar.

– O atrativo que mais dá o que falar na Baía Formosa é a Mata Estrela, uma das últimas reservas de Mata Atlântica do Estado. É lá que fica a Lagoa Araraquara, também conhecida como Lagoa da Coca-Cola devido ao tom escuro de suas águas. Para quem quiser conhecer a lagoa, há a opção de contratar um bugueiro, já que a maioria das empresas de receptivo que operam tours de van entre Natal e a Baía Formosa não incluem essa atração no valor do roteiro, que geralmente custa R$ 70 por pessoa.

– Nesse caso, a aventura de três horas em bugue sai a R$ 260 para até quatro pessoas, passando pela orla de Cotia até o Rio Guaju, que demarca os limites com a Paraíba.

– De quebra, quem compra o passeio opcional tem a chance de mergulhar na Lagoa da Coca-Cola e lagartear na belíssima praia de Sagi, na vila homônima, que abriga  pousadas boas para relaxar – como a sustentável Sagi Iti, que tem madeira certificada, energia solar e reciclagem de lixo – e algumas atrações interessante, a exemplo dos tours de canoa que terminam em banho de lama no Rio Sagi.

– Mas se você só quer mesmo contemplar o visual sem grandes esforços, vá bebericar na cachaçaria Nativa, bem de frente para o mar, e deixe o dia passar ao seu tempo, como fazem os moradores, ao sabor de drinques e petiscos. Afinal, depois de um dia intenso como este, dificilmente alguém se anima a virar a noite nos barzinhos de Natal.

 

* Todos os roteiros indicados foram visitados pela equipe de reportagem do Rota de Férias.
6 º dia

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Touros e Galinhos

– Para quem tem um pouco mais de tempo em Natal, vale esticar o passeio no litoral norte para além de onde o vento literalmente faz a curva. Uma das opções é seguir de van até Touros, a 90 km da capital, com enseada deserta, de ondas fortes e canhões do tempo das invasões holandesas.

– De lá, na Praia de Perobas, partem lanchas para as piscinas naturais, onde apenas 100 pessoas podem mergulhar por dia. Esse passeio dura aproximadamente nove horas, com máscara e snorkel.

– Quem é aficionado por esportes náuticos, como wind e kitesurfe, por sua vez, deve seguir cerca de 30 km adiante até São Miguel do Gostoso, onde os bons ventos sopram.

– E quem quer ainda mais sossego pode ir até Galinhos, a 160 km de Natal. O passeio de van chega a durar 11 horas, mas o belíssimo visual da península compensa o tempo que se gasta na estrada, no barco – e às vezes em charrete ou “jegue-táxi” – só para passar o dia de papo pro ar, curtindo o clima relax dessa antiga vila de pescadores, protegida por dunas de areia e de sal, entre as praias de Galos e Galinhos.

* Todos os roteiros indicados foram visitados pela equipe de reportagem do Rota de Férias.