Crédito: Paulo Basso Jr.

Viagem ao fim do mundo encanta quem vai à Patagônia

1 de janeiro de 2018

Por Paulo Basso Jr.

Viajar para o fim do mundo não é, necessariamente, o sonho de muitas pessoas. Mas quando se descobre que ali estão algumas das paisagens mais espetaculares do planeta, (muito bem) escolhidas como morada por pinguins, pumas, raposas, cordeiros, guanacos, condores, cormorões e uma série de outros animais selvagens, o cenário inverte-se completamente. É por isso que tantos viajantes se lançam em busca de novas experiências nas regiões longínquas da Terra do Fogo, migrando da Patagônia Argentina para a Chilena, que se avizinham no extremo sul da América.

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Existem muitas maneiras de explorar essas áreas carinhosamente chamadas de fin del mundo, já que marcam o ponto mais austral do planeta e abrigam os últimos vestígios de civilização antes de se alcançar os icebergs da Antártica. O passeio pode começar tanto do lado argentino quanto do chileno e seguir rumo a fiordes, cordilheiras, estepes e glaciares, distribuídos pelas terras continentais que, aos poucos, se desmancham em um labirinto de ilhas e braços de mar.

Paulo Basso Jr.
Excursões de bote do navio Stella Australis na Patagônia

Para quem não abre mão de comodidade, a grande notícia é que é possível conhecer essa região inóspita em viagens regadas a mordomias realizadas por navios como o Stella Australis, que faz cruzeiros entre as cidades de Ushuaia, na Argentina, e Punta Arenas, no Chile, entre os meses de setembro e abril. Melhor ainda é combinar o roteiro com alguns dias de hospedagem no Tierra Patagonia, o hotel mais sofisticado encravado nos arredores do Parque Nacional Torres del Paine, um dos destinos mais desejados da Patagônia Chilena.

O que fazer em Ushuaia, na Patagônia Argentina

Para quem escolher conhecer a Patagônia a partir de Ushuaia (os argentinos dizem Ussuaia), a dica é passar ao menos dois dias na capital da Terra do Fogo, a maior ilha do que se pode considerar a continuação insular da região. Há voos diários de Buenos Aires para a região, que duram pouco mais de quatro horas.

Paulo Basso Jr.
Ushuaia, a cidade mais austral do mundo, na Patagônia Argentina

Parece longe, e é mesmo. Ushuaia é a cidade mais austral do mundo. Dali até a Antártica, são cerca de 1.000 km. Charmosa, cercada de montanhas salpicadas de neve eterna e recheada de casas em estilo enxaimel, a região serve de base para explorar a paisagem primorosa do Parque Nacional Terra do Fogo e alcançar ilhas onde vivem centenas de pássaros, pinguins e lobos-marinhos.

A avenida central de Ushuaia, chamada St. Martin, é tomada por lojas, muitas delas de grife, nas quais se pode comprar roupas e acessórios de inverno de alta qualidade. Outra boa pedida por lá é ir a restaurantes como o Bodegon Fueguino (Av. San Martin, 859), cuja especialidade vai dos cortes de carne ao prato típico da Patagônia, a centolla, um suculento caranguejo gigante.

Paulo Basso Jr.
Restaurante Bodegon Fueguino, um dos melhores de Ushuaia, na Patagônia

Também é na capital da Terra do Fogo que se acessa o Canal de Beagle, por onde Charles Darwin passou durante suas explorações nos confins da América do Sul, no século 19. Isso sem falar que a cidade está às margens do mítico Estreito de Magalhães, passagem encontrada pelo navegador português Fernão de Magalhães, em 1520, que se transformou no primeiro caminho seguro a ligar os oceanos Atlântico e Pacífico. É nessas águas que os passageiros do Stella Australis iniciam a viagem para a Patagônia que, para muitas pessoas, é capaz de trazer novos rumos para a vida.

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Obs; trecho de reportagem publicada originalmente na revista Viaje Mais Luxo