Crédito: Cultuga/ Divulgação

Brasileiros do blog Cultuga falam sobre a reabertura do turismo em Portugal

8 de julho de 2020

Por Luchelle Furtado

Com a reabertura das fronteiras da União Europeia, diversos países da região estão flexibilizando suas medidas de distanciamento social. Portugal, por exemplo, foi a primeira nação do Velho Continente a receber o selo “Safe Travels” do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), por ser considerado exemplo contenção da pandemia do novo coronavírus.

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No entanto, viajar normalmente pelo país ainda é algo impossível de ser imaginado – e definitivamente pouco recomendado. Motivos para isso não faltam, como explicam os jornalistas brasileiros Priscila Roque e Rafael Boro, do blog Cultulga, que moram em Portugal há sete anos e trabalham com turismo desde 2014.

Cultuga/ Divulgação
Priscila Roque e Rafael Boro moram em Portugal há sete anos | Cultuga/ Divulgação
Priscila Roque e Rafael Boro moram em Portugal há sete anos

Cultuga e o turismo em Portugal

Como a pandemia impactou o trabalho do Cultuga?

Tivemos queda de acessos no blog do Cultuga, o que nos deixou claro que o interesse em viajar (sobretudo no percurso Brasil – Portugal, que é o nosso segmento de especialização) estava em declínio. Esse foi o primeiro sinal. Consequentemente, caíram as vendas dos nossos serviços.

Vocês chegaram a se preparar ao ver o que a covid-19 provocou em outros países, antes de chegar a Portugal?

Quando notamos o aumento expressivo de casos na Itália, em fevereiro, sabíamos que Portugal, em algum momento, seria impactado. Entretanto, não imaginávamos que seria nessa proporção e no mundo todo. Como sociedade (das gerações atuais), não tínhamos passado por nada parecido. Portanto, mesmo percebendo que enfrentaríamos uma crise, não era possível prever que ela seria tão profunda.

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Como foi ver os famosos pontos turísticos de Portugal completamente vazios?

Nós não os vimos, na verdade. Recolhemo-nos em casa, em Lisboa, assim que foi decretado o Estado de Emergência em Portugal – em 19 de março. Antes disso, tínhamos passado alguns dias ao Brasil, na primeira semana de março, para visitar nossa família. Retornamos imediatamente para a Europa quando soubemos do decreto. Agora que as coisas acalmaram, claro, não vemos o mesmo fluxo de pessoas nos pontos turísticos, como era antes da pandemia, mas as pessoas da cidade voltaram a circular e há “vida” nas ruas.

Após três meses de quarentena, alguns países da Europa estão afrouxando as medidas de isolamento social. Como está a situação em Portugal nesse momento em relação ao turismo?

Já existe uma flexibilização expressiva em Portugal nesse sentido, embora a passos lentos. Neste momento, o estímulo é voltado ao turismo local. Portanto, entre pessoas que já vivem no país e querem sair de férias. A ideia é reativar a economia local mas, ao mesmo tempo, controlar a propagação do vírus. Há também alguns voos de outros países da Europa chegando em Portugal. O fluxo é bastante baixo, mas existe.

Recentemente, Portugal passou por um novo surto e voltou a tomar medidas mais severas de distanciamento social. Como vocês enxergaram essa situação?

Vivemos um dia de cada vez. Cremos que, com a pandemia, todos nós aprendemos a observar e cuidar mais do hoje e não fazer planos com tanta expectativa para o futuro, sobretudo porque não temos uma data de quando tudo isso vai melhorar. Portanto, sabemos que, até sair uma vacina ou um tratamento efetivo, ficaremos sempre sujeitos a restrições em função de surtos e novas “ondas”.

O que vocês acham da obrigatoriedade de usar máscaras e a necessidade de medir a temperatura para acessar alguns lugares, entre outras medidas de controle? 

Estamos passando por uma situação temporária – independentemente de ser curta ou longa. Portanto, cremos que todas as medidas que forem decretadas como seguras são importantes para convivermos em sociedade até que o vírus seja controlado.

Caso a situação perdure por mais tempo, como vocês acreditam que será a retomada do turismo?

Na nossa visão, as pessoas não vão deixar de viajar. O que pode acontecer – e será bastante saudável até – é uma transformação nos hábitos e nas escolhas do lugar e das atividades. Com o vírus em circulação, viagens de forma autônoma e o contato com a natureza, certamente, serão uma mais valia, por exemplo. Para nós, profissionais do setor, é importante estarmos atentos a essas mudanças e nos prepararmos estruturalmente para adequar os serviços e produtos a essas necessidades.

Enquanto a situação não volta ao normal, o que o Cultuga tem feito para levar informações de Portugal aos leitores e seguidores?

Como o Cultuga é uma plataforma digital que fala de cultura portuguesa e de turismo criativo em Portugal para brasileiros há 10 anos, nossa prioridade, no momento, é manter-se presente para os nossos leitores e seguidores. Assim, promovemos imersões digitais com o objetivo de oferecer uma base interessante para viagens futuras. Disponibilizamos, por exemplo, várias receitas típicas. Também criamos playlists de música portuguesa no Spotify, fazemos lives temáticas no YouTube semanalmente e publicamos artigos que indicam experiências em 3D em castelos portugueses, palácios e até nas ilhas dos Açores. Vale a pena conferir.

Fotos maravilhosas de Portugal

Cascais, Sintra, Lisboa e Porto são algumas das mais belas cidades portuguesas. Repleto de história e cultura, o país abriga diversos pontos turísticos. O Rota de Férias separou algumas fotos de Portugal que permitem admirar paisagens magníficas sem sair de casa. Confira aqui: