Crédito: Eduardo Vessoni

Saiba como é uma viagem turística à Antártica

20 de janeiro de 2017

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Antes de começar essa viagem, vale lembrar que a Antártica é o continente mais frio do planeta, recebe rajadas de ventos com velocidades extremas e fica longe, muito longe, a mil km do Ushuaia, mais conhecido como o Fim do Mundo.

Ainda assim, tem gente que paga (e não é pouco) para fazer essa que pode ser considerada uma das viagens mais exóticas e exclusivas do planeta.

Em roteiros que costumam durar mais de 10 dias, com saídas do Chile e da Argentina, os viajantes cruzam a mal-humorada Passagem de Drake, considerada a zona marítima com as piores condições de navegação do mundo.

Foto: Eduardo Vessoni
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Foto tirada às 23h11, em Porto Lockroy, na Península Antártica

São 60 horas até a Península Antártica, o pedaço de gelo com melhores condições para turismo em todo o Continente Branco.

Nos dias seguintes, já em águas calmas antárticas, é possível navegar por canais estreitos, avistar icebergs de curvas surreais, ver fauna exibida que não hesita em se aproximar dos visitantes e protagonizar uma rotina diária de atividades como passeios de caiaque, trekking no gelo e camping a céu aberto.

Como é a viagem?

Essas expedições costumam ser realizadas em navios quebra-gelo, adaptados para fins turísticos. Nessas embarcações, marcadas pela informalidade, não há festas com passageiros metidos em traje de gala, muito menos musicais pós-jantar. As atividades de entretenimento a bordo se resumem a workshops com especialistas em aquecimento global, geologia, vida no gelo e fotografia. O melhor da viagem está do lado de fora.

Foto: Eduardo Vessoni
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Expedições são realizada em navios quebra-gelo

Os embarcados viajam em cabines para até quatro pessoas, equipadas com banheiro e camas. Não é raro ter que dividir a acomodação com desconhecidos.

A língua falada a bordo costuma ser a da bandeira do país de origem da embarcação, mas o inglês é, facilmente, usado em todos os navios (sobretudo porque a maioria dos passageiros são dos Estados Unidos e Europa).

A Antártica não é um destino de compras , exceto uns cartões postais ou souvenirs em uma agência de correio, em Port Lockroy, em Goudier Island. Por isso, todas as refeições estão incluídas, do café da manhã ao jantar, inclusive um providencial chá da tarde para esquentar os ânimos.

Foto: Eduardo Vessoni
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Vista da Almirante Brown, base científica argentina, em Paradise Harbour, na Península Antártica

Onde ir?

A mil km da Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina, a Península Antártica é a parte mais ao norte do continente, o que garante melhores condições climatológicas e mais vida animal.

Alguns roteiros antárticos incluem também passagem pelas Malvinas e pelas Ilhas da Geórgia do Sul e Sandwich.

O que fazer?

As atividades podem variar de acordo com cada embarcação e com as habilidades dos passageiros. Mergulhos, por exemplo, só podem ser feitos por pessoas credenciadas e com especialização em uso de roupa especial, conhecida como dry suite.

Foto: Eduardo Vessoni
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O ponguim-de-barbicha é um dos destaques da Aitacho Island, na Península Antártica

Dá para ver animais de perto?

Mais perto do que você imagina. Só não fique a menos de cinco metros de distância da bicharada, regra seguida à risca pelos guias que desembarcam com os passageiros e que não hesitam em chamar a atenção dos transgressores.

Com entrada controlada de humanos, e animais que parecem não se importar com a chegada de forasteiros, a Antártica é como aqueles documentários de vida selvagem que a gente pensava existir só na televisão.

Prepare-se para ver, sem nenhum esforço e a poucos centímetros de distância, aves marinhas, baleias do tipo orca e cachalote, focas sobre placas de gelo e até no acampamento ao lado; e milhares de pinguins, como os de barbicha e gentoo.

Como chegar

O Continente Branco fica a mil km do Ushuaia, na Argentina; e a 1.200 km de Punta Arenas, no Chile. Um dos destinos mais populares na região é a Península Antártica, no norte do Continente Branco. A travessia entre o porto de Ushuaia e o território antártico costuma durar, aproximadamente, 60 (agitadas e mareantes) horas de viagem.

Exceto se você for pesquisador ou integrante de alguma expedição científica, só é possível chegar ao continente, a bordo de alguns dos navios quebra-gelo com fins turísticos que partem da Argentina ou do Chile.

Foto: Eduardo Vessoni
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Vista da base científica de Porto Lockroy

Quando ir

A curtíssima temporada turística na Antártica costuma ir de novembro a março, quando a temperatura é mais alta e os animais são abundantes na região.

É nessa mesma época que a região tem luz natural por quase 24 horas, uma eterna luta entre o sono e a vontade de acompanhar o dia sem fim, do lado de fora.

É frio?
Explorar regiões remotas como a Antártica exige flexibilidade por parte do viajante. Prepare-se para todo tipo de condição climática, cancelamento de atividades exteriores ou mudança de rota. O clima na Antártica é instável e, em questão de minutos, tudo pode mudar.

No entanto, o verão na costa costuma ser de 0º, embora os ventos gelados sejam responsáveis pela sensação de frio. Em outubro, por exemplo, os termômetros marcam entre -7 e 0°C .

Foto: Eduardo Vessoni
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Pinguim curtindo o frio da Antártica

O que levar?
Nada de improvisar com as roupas que você levou para a última viagem para Bariloche. A Antártica é fria, sim, exige uso de roupas especiais para temperaturas extremas como peças térmicas, corta-ventos e impermeáveis.

Todo desembarque conta com complexo processo de preparação que inclui usar botas especiais lavadas em uma solução desinfetante e as ordens rígidas para saída do barco. Por ser um destino afastado e de delicado ecossistema, é necessário também aspirar todas as roupas e utensílios que serão levados para fora, como roupas, bolsas fotográficas e tripés.

Quanto custa?
Não é barato e um pacote básico de 9 dias, sem aéreo até o Ushuaia, começa em US$ US$5.550. Para viagens de 10 dias, entre as Ilhas Shetland do Sul e a Península Antártica, os preços são a partir de US$ 7.200 por pessoa, só a parte marítima.

No entanto, não é raro encontrar promoções de última hora com descontos de mais de 50%, semanas antes do embarque. Se você tiver férias flexíveis, vale a pena arriscar deixar para se programar com menos antecedência.

*Matéria publicada originalmente no site Viagem em Pauta.