Roteiro

Da Floresta Negra ao Reno, roteiro revela a Alemanha dos castelos, cucos e vinhedos

O ronco agudo e preciso do motor do Porsche conversível zunido pelas estradas impecáveis e cercadas de vales ora tomados por pinheiros, ora por videiras, não deixa dúvidas: esta é uma viagem para imergir nas tradições mais fascinantes da Alemanha. Isso significa ir além de Berlim ou Munique e mergulhar em uma espécie de fábula adulta com direito a histórias de castelos, sabor de bolo Floresta Negra e canecas de cerveja – ou taças de vinhos, ao gosto do protagonista.

É no trecho que parte da Floresta Negra rumo à pequenina cidade de Rüdesheim am Rhein, símbolo da região mais bonita serpenteada pelo Rio Reno, que o país se mostra mais que perfeito, tal qual a pontualidade dos relógios-cuco fabricados ali desde o século 17. Sem soberba, mas com muito conforto, este roteiro na Alemanha tem como ponto de partida Stuttgart, a capital de Baden-Württemberg, estado fincado no sudoeste do país, coladinho à Suíça e à França. E não demora a entender que esse é o melhor lugar para alugar um Porsche ou uma Mercedes-Benz e começar a jornada.

Roteiro na Alemanha começa em Stuttgart

Paulo Basso Jr.
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Neues Schloss, o Palácio Novo de Stuttgart

Cidade grande (para os padrões alemães) com atmosfera interiorana, Stuttgart sabe receber bem quem chega de fora. Tem bons hotéis e excelentes restaurantes, 18 deles com estrelas Michelin, como o Speisemeisterei e o Der Zauberlehrling. Menos badalado, mas igualmente recomendado é o Weinstube Fröhlich, especializado em pratos típicos como o maultaschen, espécie de ravióli recheado com carne e espinafre que combina bem com as cervejas locais.

Desde sempre, a história de Stuttgart é marcada por avanços que, embora importantes, nunca trouxeram prejuízos às tradições locais, como revelam o Neues Schloss e o Altes Schloss, palácios Novo e Velho, respectivamente, que se exibem lado a lado em uma enorme praça chamada Schlossplatz (Praça dos Castelos). O “Novo”, de estilo barroco, foi erguido entre 1746 e 1807 e abriga repartições públicas. O “Velho”, mais interessante para os turistas, tem origem no século 10 e, hoje, funciona como um museu onde estão expostos os tesouros dos antigos reis de Württemberg.

Passear sem compromisso pela praça é uma delícia, mesmo porque nos arredores estão a Staatsgalerie, galeria com obras de Rembrandt, Monet e Picasso, e o Kunstmuseum Stuttgart, museu de arte moderna cujo prédio remete a um cubo de vidro que faz olhos brilharem quando iluminado, à noite. Esse também é o período do dia em que se ouve o burburinho em torno da Stuttgart Opera, uma das mais celebradas do mundo, com concertos ou apresentações de balé diárias. No saguão, é possível observar os 14 lustres da edificação inspirada na parisiense Ópera Garnier.

Impacto semelhante é provocado pela Breuninger, a segunda maior loja de departamentos do país (atrás apenas da KaDeWe, em Berlim). Ali, há até salas especiais para atendimento vip, com personal shoppers preparados para selecionar roupas e acessórios de marcas como Céline, Prada, Dior, Ermenegildo Zegna, Hermès e Tiffany & Co.

A Breuninger é a principal joia de uma área belíssima chamada Dorotheen Quartier, que está para Stuttgart assim como o Quadrilátero da Moda para Milão. O espaço concentra lojas com fachadas modernas de grifes como Gucci e Louis Vuitton. É um lugar perfeito para caminhar antes de, finalmente, render-se à tradição automotiva alemã.

A história da estrela

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Mercedes-Benz Mueum, em Stuttgart

Nada chama mais a atenção na capital de Baden-Württemberg do que a adoração aos carros. Não à toa, montadoras como Mercedes-Benz e Porsche têm sede ali – e, reza a lenda, até o cavalinho rampante que virou ícone da Ferrari teria sido adotado por Enzo Ferrari depois que ele viu um piloto alemão usando um adereço semelhante em seu avião, justamente o animal que simboliza Stuttgart.

Histórias ainda melhores a respeito de automóveis podem ser conferidas no Mercedes-Benz Museum, tão fascinante que é capaz de encantar até quem não sabe quantas rodas tem um carro. Ao entrar no ouado prédio em formato oval, o visitante é encaminhado por elevador até o sexto andar, onde começa uma jornada em espiral que conta a trajetória da montadora – e dos carros propriamente ditos.

De cara, se aprende que a estrela símbolo da marca vem da ideia dos criadores em motorizar a terra, o céu e o ar. Por isso, há até barcos e aviões expostos, embora os veículos terrestres despertem mais atenção dos visitantes.

O primeiro motor, o primeiro triciclo, o primeiro modelo montado sobre uma carroça e o primeiro carro do mundo estão ali. Tem também o primeiro bólido que passou dos 100 km/h, o caminhão pioneiro com motor a diesel, os mais antigos ônibus de dois andares posteriormente adotados por Londres e modelos famosos como o 300 SL Coupê, mais conhecido como Asas de Gaivota graças às portas que, ironicamente por um erro de projeto, só podiam ser abertas para cima.

A mostra é deslumbrante e conta a história da evolução automotiva até os carros elétricos, com direito a modelos de nobres como a Princesa Diana e um sultão de Marrocos. Isso sem contar um Papa Móvel e o ônibus usado no transporte da seleção da Alemanha durante a Copa do Mundo de 1974, quando se sagrou campeã.

Em meio a autofalantes que emitem barulhos de motores e projeções de imagens, o passeio termina no primeiro andar, onde a evolução de carros de corrida é exibida em uma pista em formato de curva. Ali se destacam bólidos de Fórmula 1 de pilotos como Michael Schumacher e Lewis Hamilton, que por anos competiram pela Mercedes.

Museu da Porsche

Paulo Basso Jr.
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Porsche Museum

Ainda em Stuttgart, vale a pena visitar o não menos deslumbrante Porsche Museum. O local exibe os primeiros automóveis da marca (também pioneiros no mundo) e o famoso Fusca, que teria sido desenhado por Ferdinand Porsche, fundador da montadora. Modelos como 911 e Carrera despontam em um prédio fantástico, cujo design futurista é tão arrebatador que muitos visitantes pagam um bocado de euros além do valor do ingresso só para fazer um tour relacionado à arquitetura.

Melhor que isso, porém, é alugar um carro ali mesmo, algo praticamente irresistível. Durante a experiência, é possível acelerar por uma semana o famoso 911 e rodar até 1.500 km livres. E isso é mais do que suficiente para seguir rumo à Floresta Negra com destino ao Rio Reno.

Próxima parada: Baden-Baden

Paulo Basso Jr.
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Casino Baden-Baden, um dos mais lindos do mundo

As ótimas estradas nos arredores de Stuttgart permitem visitar diversos lugares interessantes. Bastam 13 km, por exemplo, para alcançar o Palácio de Ludwigsburg, uma obra barroca composta por 18 edificações. Um pouco mais além, a 60 km, está o Castelo de Hohenzollern, que parece ter saído de um conto de fadas. No alto de uma colina, foi construído no século 19 a mando de Frederico Guilherme IV, que seria coroado rei da Prússia, e conta com mirantes de onde se tem vistas espetaculares.

É em direção à Floresta Negra, no entanto, que esta road trip na Alemanha ganha contornos especiais, principalmente quando se descobre que a porta de entrada da mítica região alemã é a desejada estância termal de Baden-Baden. Este é o lugar para desacelerar um pouco e deixar de lado imagens caricatas relacionadas a copos de cerveja ou pratos fartos de carne de porco. Afinal, a impressão de quem chega lá é que a cidade está na Alemanha por engano, pois tudo por lá remete à França.

Ao andar pelas ruas estreitas do centrinho ou pela Lichtentaler Allee, alameda de 3,5 km cercada de parques e jardins – entre eles o Gönneranlage, com mais de 400 tipos de rosas –, você faz uma viagem no tempo à Belle Epóque. Prédios em estilo art nouveau onde funcionavam cabarés abrigam hoje restaurantes e hotéis charmosos. Diante da Festspielhaus, uma das maiores óperas da Europa, é fácil imaginar Oscar Wilde e Pierre-Auguste Renoir conversando ali a respeito dos tempos de glória da arte, da literatura e da ciência que precederam a Primeira Guerra Mundial.

Também desperta atenção o Kurhaus, palacete habituado a receber a elite europeia desde o século passado. Mesmo porque é ali que funciona o Casino Baden-Baden, apontado por Marlene Dietrich como o mais lindo do mundo. A célebre atriz alemã não exagerou. Inspirado nos palácios reais franceses, o local tem atmosfera glamorosa, com salas enfeitadas por lustres imponentes, bares e jardins. Mulheres de vestido longo e homens de terno com rostos anônimos se misturam a membros da nobreza e famosos para dispensar alguns milhares de euros nas mesas de roleta francesa ou americana, pôquer e blackjack.

Ao longo dos anos, o Casino Baden-Baden atraiu desde imperadores e reis, como o Xá da Pérsia e os Windsors, até atores de Hollywood, entre eles Kirk Douglas e Curd Jürgens, Mas talvez nenhum nome chame tanta a atenção quanto o de Fiódor Dostoiévski, o famoso escritor russo que passou longas temporadas na cidade e, de tanto gostar de apostas, escreveu o livro “O Jogador”.

A importância do cassino para Baden-Baden vai além de ele ser um ponto turístico. Foi com parte do dinheiro arrecadado em suas mesas que se ergueram algumas das principais atrações da região, como um bulevar onde são apresentados concertos durante o verão, o teatro local e, curiosamente, a gótica Stadtkirche, principal igreja da área central.

Entre museus e spas

Divulgação
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Sala mista do spa Friedrichsbad

Aproveita-se melhor Baden-Baden caso não tenha pressa. Afinal, há muito o que ver na região. A começar pelos museus, como o Frieder Burda, com mostras transitórias, que já recebeu obras de Picasso e conta com esculturas de Miró na porta. E também o Fabergé Museum, onde há quatro dos 46 lendários ovos russos enfeitados com pedras preciosas que ainda existem no mundo. Cada um deles é avaliado em € 26 milhões.

A cidade conta ainda com ótimos campos de golfe e fica especialmente agitada nos meses de maio, setembro e outubro, quando promove badaladas corridas internacionais de cavalos. Nesses meses, os principais hotéis, como o clássico Brenners Park-Hotel & Spa, o moderno Roomers e o charmoso Belle Epóque (onde vale a pena ao menos tomar café da manhã em um lindo jardim) ficam lotados. O mesmo ocorre nos restaurantes Schwarzwaldstube e Bareiss, ambos com três estrelas Michelin.

Independentemente do período do ano, quem também atrai muitos visitantes para lá são os famosos spas. E isso desde os primeiros anos depois de Cristo, quando os romanos descobriram o poder medicinal e de relaxamento das águas termais que brotam a até 60ºC na região.

Hoje, há dois centros na cidade. O mais clássico é o Friedrichsbad, de 1877, com 17 estações de bem-estar. Ali, roupas são proibidas. Homens ficam de um lado, mulheres de outro e há uma zona mista ao centro, justamente onde fica a sala mais bonita, com arquitetura circular.

Tudo funciona com o maior respeito, mas mesmo assim a maioria dos viajantes acaba preferindo ir ao Caracalla. Ali, as roupas são permitidas, ao menos no térreo da edificação, que funciona como um clube com piscinas e jacuzzis com águas quentinhas, entre 18ºC e 23ºC. No andar de cima, porém, estão as saunas, onde só entra quem é desprendido o suficiente para desfilar como veio ao mundo.

Curiosamente, é em uma das principais ruas que levam aos spas, a Sophienstrasse, que se encontra a maior oferta de roupas e acessórios de Baden-Baden. Grifes famosas vendem o que há de mais moderno em Paris e Nova York, ao ponto de o local ser conhecido como a “Quinta Avenida” da cidade.

Para quem não quer saber de aglomeração, mesmo a mais elegante possível, o melhor a fazer é deixar tudo isso de lado e seguir de funicular para o Monte Merkur, onde os mais esportistas se arriscam em saltos de paragliding. Se achar a atividade muito radical, aproveite para relaxar e curtir do alto dos 670 metros da montanha a imagem de Baden-Baden espremida em meio ao vale verdejante e às estradas cênicas que se embrenham pela Floresta Negra. Mesmo porque é por elas que segue este roteiro na Alemanha.

Ao sabor da Floresta Negra

Paulo Basso Jr.
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Hinterzarten, um dos vilarejos mais cênicos da Floresta Negra

Anote esse nome: Hochschwarzwald. É difícil falar sem enrolar a língua, é verdade, mas trata-se da região mais alta e esplendorosa da Floresta Negra, por onde se espalham vilarejos charmosos que preservam tradições alemãs. Se o tempo estiver bom, abaixe a capota do carro ou abra os vidros e siga pela rota cênicas que liga Baden-Baden a Hinterzarten, sentindo-se cada vez mais envolvido pelos pinheiros, pelos carvalhos e pelas faias que dominam a paisagem.

As folhas escuras que ajudaram a batizar a região (embora fiquem amareladas e com tons de vermelho no outono) se misturam a jardins com flores coloridas assim que se avista a pequena cidade. Igrejas brancas com cúpulas verdes e casas de madeira que parecem ter mais telhado do que parede completam o cenário “encantado”.

Em Hinterzarten está o Parkhotel Adler, uma das melhores opções de hospedagem no sudoeste alemão. O local funciona como hotel desde 1446, antes mesmo de o Brasil ter sido descoberto pelos portugueses. Tem um prédio clássico, um spa maravilhoso e um restaurante melhor ainda. É a base ideal para explorar a região.

Em menos de 30 minutos é possível dirigir a pontos como Menzenschwand, em St. Blasien, onde há cachoeiras, Schluchsee, que abriga o maior lago da área, cercado por bons restaurantes, e Grafenhausen, onde fica a Rothaus, cervejaria mais alta da Alemanha e onde é possível fazer um divertido tour. “Aqui não tem nada de bebida de cereja, maracujá ou chocolate. Produzimos cerveja tradicional, com a água mais pura do país”, conta o orgulhoso guia Walter Schlozer, que não se priva de tomar uma garrafa com os convidados ao fim do passeio.

O bolo Floresta Negra é outra iguaria alemã pode ser provada nos diversos cafés da região, como o Gasthof Jägerklause, próximo a Rothaus. Os nativos não gostam muito de admitir que ele foi inventado pelos suíços. Preferem valorizar o fato de que a cobertura com pedaços de chocolate lembra os pinheiros locais. Assim, o batizaram e o imortalizaram, embora as generosas fatias servidas por lá valorizem um forte licor de cereja que torna o sabor um tanto quanto distinto das “imitações” usualmente encontras no Brasil.

O canto dos relógios-cuco

Paulo Basso Jr.
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Lago Titisee, na Floresta Negra

De carro, tudo isso pode ser feito em apenas um ou dois dias e ainda sobra tempo para visitar o ponto mais turístico da região, o Lago Titisee. Lindo, o lugar vive cheio de visitantes e já atraiu nomes como Victor Hugo e Tolstoi. Americanos, chineses e italianos são vistos aos montes por lá, e chega a ser incrível como um lugar tão bonito não seja famoso entre os brasileiros.

À exceção do inverno, quando o lago congela, minicruzeiros são realizados o dia todo por pequenas embarcações. Também dá para andar de stand up paddle, pedalinho ou caiaque. Ou ficar às margens, vislumbrando a paisagem enquanto se visita butiques como a Drubba Moments, especializada em relógios e com modelos raros, como um Glashútte de € 100 mil.

A maioria das pessoas, entretanto, vai à região com outro interesse: comprar relógios-cuco. Em uma oficina abaixo do Drubba Shopping, há até apresentações que revelam a história desse símbolo alemão, que começou a ser fabricado na primeira metade do século 18.

Nos longos invernos da Floresta Negra, os moradores passaram a confeccionar grandes relógios de madeira, os aperfeiçoando com pedras e depois pesos. Aos poucos, a produção foi ficando mais criativa e os relógios ganharam motivos locais, como figuras de animais e danças típicas. Assim foi até os anos 1740, quando Franz Anton Ketterer implementou um pequeno fole que reproduzia dois sons semelhantes a um pássaro típico da região: o cuco. O resto é história.

A histórica Heidelberg

Paulo Basso Jr.
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Vista de Heidelberg e seu imponente castelo

Ainda em Baden-Württemberg, um roteiro pelas principais tradições alemãs não está completo sem uma visita a Heidelberg. Turística por excelência, a cidade é marcada pela história. É nela, por exemplo, que fica a universidade mais antiga da Alemanha, o que transmite um clima eternamente jovial à região. Foi lá também que deu o célebre embate entre Martinho Lutero e o papa Leão X em 1518, num dos marcos da Reforma Protestante.

Para quem chega de fora, entretanto, o que salta aos olhos é o lindo Castelo de Heidelberg, que fica em meio a uma colina e vigia o centro histórico da cidade. Cerca de 2 milhões de pessoas passam por lá a cada ano (é o segundo castelo mais visitado do país, atrás apenas do Neuschwanstein, na Baviera), mas há uma dica preciosa para fugir do tumulto: ir à noite, especialmente se tiver uma reserva no Scharffs Schlossweinstube, restaurante que fica dentro da fortificação.

A atmosfera da casa é encantadora e, além de comer muito bem, você pode aproveitar para passear pelos pátios e terraços iluminados da edificação, praticamente vazios depois que os turistas vão embora. O único porém é que, à noite, não dá para visitar o enorme barril com capacidade para 200 mil litros de vinho que fica no porão do castelo e atrai muitos cliques.

Com e sem carros

Paulo Basso Jr.
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Centro Histórico de Heidelberg

Localizada às margens do Rio Neckar, Heidelberg tem uma série de outras atrações. No Centro Histórico não entram carros (a Haupstrasse é a maior rua de pedestres da Alemanha) e há uma sucessão de lojas, bares e restaurantes, como o Hackteufel, de cozinha local.

Já motorizado é possível ir a outras paragens, como algumas ruínas romanas e o Philosophenweg, jardim do qual se pode tirar a foto mais emblemática da cidade, com a Alte Brücke (Ponte Velha) e o castelo ao fundo. Para os amantes de velocidade, Heidelberg também serve de base para visitar Hockenheim, um dos autódromos da Alemanha que recebem a Fórmula 1.

Os encantos do Reno

Paulo Basso Jr.
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Breuer’s Rüdesheimer Schloss, em Rüdesheim

Heidelberg está a um pulo de Mannheim, onde muitos viajantes iniciam cruzeiros pelo Rio Reno. É uma boa pedida para os brasileiros, já que, na direção norte, chega-se próximo a Frankfurt, cidade que recebe voos diretos do Brasil.

Como essa é uma viagem focada nas tradições alemãs, porém, a dica é ganhar tempo e seguir acelerando pelas belas estradas até Rüdesheim am Rhein, ou simplesmente Rüdesheim, onde os roteiros pelo rio mais mítico do país encantam para valer. Patrimônio da Unesco, a cidade é uma graça, com ruas estreitas de paralelepípedo apinhadas de edifícios em estilo enxaimel que abrigam bons restaurantes, como o Altdeutsche Weinstube, e hotéis de alto nível, a exemplo do Breuer’s Rüdesheimer Schloss.

Neste último, inclusive, você provavelmente será recebido por Susanne Breuer, expoente da família que produz um dos melhores vinhos brancos riesling do mundo. A vinícola é uma das mais tradicionais da região, cuja paisagem tomada por parreiras está entre as mais lindas do planeta.

Rüdesheim é um bom lugar para deixar o carro finalmente de lado e navegar um pouco pelo Reno. Isso porque, nos 65 km que ligam a cidade a Koblenz, o rio se estreita e compreende o trecho denominado como Reno Romântico, marcado pela presença de castelos.

São dezenas deles que aparecem de forma sucessiva, no meio das colinas. Estão ali porque, outrora, serviam de entrepostos de cobrança de impostos para quem seguia do sul da Europa para a Holanda ou fazia o caminho contrário. À época, ficavam às margens do rio, que depois foi desviado para facilitar a navegação.

Reno Romântico

Paulo Basso Jr.
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Passeio leva a videiras e castelos no entorno do Rio Reno

Algumas embarcações que realizam o trajeto pelo Reno Romântico atracam em diversas cidades e permitem que o viajante salte, passeie e depois pegue o barco seguinte para continuar o passeio. É como os ônibus Hop-on Hop-off, mas em um ambiente fluvial.

Muitos optam por seguir apenas até St. Goarshausen e depois retornam a Rüdesheim. É o suficiente para ver mais de 10 castelos, torres e uma série de vilarejos espremidos entre os vinhedos, além do rochedo Loreley, que ganhou fama pela lenda de que ali havia uma ninfa que afundava barcos. Na verdade, muitos acidentes ocorriam na região, mas por conta de o rio se estreitar para apenas 113 metros e se aprofundar a 25 metros, em alguns trechos.

Outro lugar que vale a parada é Assmannhausen, onde é possível sobrevoar de teleférico a única colina de onde saem uvas boas para a produção de vinhos tintos às margens do Reno alemão, da cepa pinot noir. No alto da montanha, há um parque público com uma “caverna mágica”, um local feito de tijolos de vidro e que indica que, ao passar por lá, o visitante deixa a realidade para entrar no mundo da fantasia.

As paisagens vistas a partir daí realmente não parecem ser desse mundo e levam até o Monumento de Niederwald, que celebra a unificação da Alemanha, e ao teleférico que retorna sobre mais videiras até alcançar Rüdesheim. A descida se dá perto da casa mais antiga da cidade, onde funciona o Siegfried’s Mechanical Museum, museu dedicado a instrumentos musicais mecânicos. No local, há orquestras de madeira, fragmentos do primeiro disco do mundo, gramofones e até bandas pneumáticas de carrossel talhadas em madeira pelos habilidosos carpinteiros da Floresta Negra.

O que parece ser um ponto turístico descartável vive lotado de visitantes, tamanha a qualidade da música que sobrevive na região graças ao trabalho exímio de três maestros. É mais ou menos o que acontece com os sempre pontuais relógios-cuco. Afinal de contas, em um roteiro na Alemanha, tradição não é brincadeira.


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