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Por dentro do maior navio do mundo

27 de dezembro de 2017

Por Paulo Basso Jr.

Enquanto as crianças se divertem nos toboáguas do parque aquático, os pais circulam pela Boardwalk, uma descolada região com teatro, bares e lojinhas. A ideia é relaxar por lá e conhecer gente do mundo inteiro antes de seguir para o Central Park, palco de endereços famosos como o restaurante do renomado chef inglês Jamie Oliver. Depois do almoço, a melhor pedida é fazer a digestão caminhando em um bairro próximo dali, o Royal Promenade, que costuma ficar movimentado dia e noite graças à presença de cafés, pubs e lojas refinadas. Até um karaokê desponta no pedaço, embora valha a pena guardar energia para se jogar na night do vizinho Entertaiment Place, onde rolam shows da Broadway e baladas que fervem até altas horas.

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Um dia típico para quem viaja no Harmony of the Seas se assemelha ao de um tour por uma agitada metrópole globalizada, e é fácil entender o motivo: trata-se do maior navio do mundo. Os números, como não poderiam deixar de ser, impressionam: são 362 metros de largura por 65,4 metros de largura, o que significa uma estrutura navegável maior do que a Torre Eiffel deitada. Ao todo, o navio da armadora Royal Caribbean é capaz de abrigar 6.780 hóspedes (5.479 em ocupação dupla) em 2.747 cabines, sem contar os 2.100 tripulantes. Diante dele, o famoso Titanic iria parecer um filhotinho mirrado com seus 269 metros e capacidade para 2.435 passageiros.

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Harmony of the Seas, o maior navio do mundo, tem capacidade para 6.780 passageiros

Por dentro do gigante

Para quem nunca viajou de navio, o Harmony of the Seas realmente tem tudo para ser uma boa escolha. Por conta das dimensões avantajadas, o transatlântico passa uma sensação de resort em terra firme, com ruas e opções de lazer variadas distribuídas entre os deques 4 e 16 (contanto a área da tripulação, a embarcação conta com 18 andares no total).

Só o fato de ser dividido em bairros com áreas a céu aberto já o torna mais amigável, pois muitas vezes você se esquece de que está em um lugar fechado e tem a sensação de estar passeando por uma cidade – das mais charmosas, por sinal. Poderosos e modernos amortecedores evitam que o navio balance muito e contribuem para reforçar essa ideia.

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Simulador de surfe do maior navio do mundo

Os cruzeiros que rolam no Caribe, com passagens por Bahamas, México e Jamaica, entre outros destinos, acabam se tornando um mero detalhe do cruzeiro diante da quantidade de atrações a bordo. A lista inclui simuladores de surfe, parede de escalada, tirolesa, minigolfe e quadra poliesportiva. Para as crianças menores, há um clube com atividades recreativas, carrossel e encontros com personagens da DreamWorks, como Kung Fu Panda, Shrek, e a turminha de Madagascar.

Os adultos, por sua vez, não ficam a ver navios. Durante a tarde, dá para passar horas relaxantes no spa (os tratamentos não estão inclusos) e curtir a área das jacuzzis e piscinas – que, curiosamente, são muitas (23, no total), porém pequenas, o que evita o acúmulo da galera em um único ambiente.

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Uma das pequenas piscinas do maior navio do mundo

Quando a noite cai, é hora de gastar alguns dólares no cassino, que não deve em nada para os maiores de Las Vegas e pode ser acessado por um corredor com obras de arte à venda. Ou então assistir gratuitamente à superprodução da Broadway Grease, apresentada no vistoso teatro com capacidade para 1.380 pessoas.

Paulo Basso Jr.
Cassino do maior navio do mundo

O show, repleto de efeitos especiais, serve de aperitivo para quem deseja tomar um drinque ou enfiar o pé na jaca madrugada adentro. Há bares de todos os estilos a bordo do maior navio do mundo, inclusive um que se movimenta por três deques, como um elevador enorme, e o Bionic Bar, em que você faz o pedido por meio de tablets e observa robôs prepararem as bebidas. Espaço para shows de stand up que se transforma em balada, lounge com piado e um bar de jazz completam a cena noturna do navio.

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Bionic Bar, o bar de robôs do Harmony of the Seas

Novidades em alto-mar

É a quem está acostumado a fazer cruzeiros, entretanto, que o Harmony of the Seas surpreende para valer. Isso porque o maior navio do mundo aposta em uma série de situações inovadoras em alto-mar, muitas delas importadas do Oasis of the Seas do Allure of the Seas, seus gêmeos (porém poucos metros menores) e também do Quantum of the Seas, o navio mais tecnológico do mundo, lançado em 2015 pela Royal Caribbean.

Do primeiro vêm as cabines internas com varandas, voltadas para os bairros Boardwalk (onde há um teatro aquático, cujos shows vespertinos podem ser vistos de “camarote” por quem reserva essas acomodações) e Central Park, um autêntico parque no centro do navio com mais de 10 mil plantas e 52 árvores, algumas delas com mais 6 metros de altura. A área verde ainda inclui restaurantes, cafés e butiques de grifes, como Bvlgary e Cartier.

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Loja de grife no Central Park, um dos bairros do navio

Conceito comum aos navios mais modernos da Royal Caribbean, o Harmony of the Seas abre mão também do famoso átrio (espécie de lobby de hotel, geralmente portentoso, com pianos e elevadores panorâmicos) presente nos grandes transatlânticos e, no lugar dele, aposta em uma rua coberta para recepção e convivência dos passageiros. Nesse espaço, batizado de Royal Promenade, dá para reservar passeios em terra, comprar pacotes de fotos, observar obras de arte (algumas de gosto duvidoso) e vislumbrar vitrines de marcas como Kate Spade, bem como curtir os bares mais tecnológicos a bordo (é aqui que está o Bionic Bar, dos robôs, e o The Rising Tide Bar, que se movimenta por três deques).

Mas é do Quantum of the Seas que o maior navio do mundo emprestou as ideias mais hi-tech oferecidas aos passageiros. A que chama mais atenção é o serviço de internet de alta velocidade – o mais rápido em alto-mar –, vendido em dois pacotes: Surf: para quem deseja navegar na web, ver e-mails e acessar redes sociais; e Surf and Stream, que possibilita a transmissão de filmes e música em serviços de streaming como Netflix e Spotify, além de chamadas de vídeo via Skype.

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Royal Promenade, o espaço de convivência do Harmony of the Seas

Para controlar tudo isso, o passageiro tem à disposição um aplicativo, que pode ser baixado em smartphones e tablets. A partir dele dá para contratar os pacotes e também requisitar outras comodidades, como reservar restaurantes (o ideal é baixar o app e efetuar as reservas antes mesmo de embarcar) e acompanhar a entrega e retirada de bagagens nos dias de partida e chegada, por exemplo.

Atrações exclusivas

O Harmony of the Seas revela ainda ter personalidade própria e conta com algumas atrações que não existem em nenhum outro transatlântico do mundo. É o caso do The Ultimate Abyss, formado por dois tobogãs na popa do navio com mais de 30 metros de extensão cada. Na prática, isso significa escorregar da entrada, no deque 16, até lá embaixo, no 6º andar, onde fica a saída. A experiência dura em média 13 segundos, tempo suficiente para observar luzes, ouvir efeitos especiais, atingir 14 km/h, achar que o tapetinho que serve como base vai fazer você voar longe em meio às curvas e, claro, soltar muitos gritos. Isso tudo, evidentemente, se você tiver coragem de abrir os olhos.

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Tobogã do maior navio do mundo atravessa 10 deques

O lance de escorregar parece ter feito tanto a cabeça dos desenvolvedores do transatlântico que, no deque superior, há ainda um trio de toboáguas para as crianças (e adultos também, oras) se divertirem. Os baixinhos contam também com um parque aquático exclusivo, o Splashway Bay, cercado por espreguiçadeiras, jacuzzis, piscinas para adultos, bares e até uma máquina em que é possível se servir gratuitamente de sorvetes de casquinha. Ali, fica difícil saber quem se diverte mais, os pequenos ou os marmanjos.

Prato cheio

Atrações à parte, é nos restaurantes do Harmony of the Seas que os passageiros mais se deliciam. São oito no total, sendo que alguns são gratuitos, como o principal, que se espalha por três deques, cada um com uma decoração diferente, e o Windjammer, com bufê de cozinha mediterrânea e amplas janelas para quem deseja fazer as refeições observando o mar.

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Restaurante de Jamie Oliver no maior navio do mundo

Entre as casas de especialidades pagas à parte (os valores variam entre US$ 25 e US$ 55) estão o Jamie’s Italian, de pratos italianos, no Central Park, e o Wonderland, que tem dois andares e é inspirado na história de Alice no País das Maravilhas. Este é o restaurante mais lúdico do navio – o cardápio, por exemplo, vem em branco e só é “descoberto” após ser pincelado com uma tinta especial.

Há ainda outros endereços que cobram preços simbólicos (cerca de US$ 3, para evitar desperdícios) no maior navio do mundo, como a lanchonete Johnny Rockets, o mexicano Sabor e uma unidade do Starbucks Coffee. Todos eles ficam na agitada Boardwalk, na popa do navio. Já o japonês Izumi Hibachi & Sushi, no deque 4, serve pratos à la carte.

Paulo Basso Jr.
Da rua principal do navio é possível acessar vários restaurantes

Com tamanha gama de ofertas gastronômicas e de lazer, o Harmony of the Seas é, de fato, uma experiência convidativa para quem deseja curtir ou realizar um cruzeiro pela primeira vez. Seja qual for o seu caso, uma boa dica é, na hora em que fechar o pacote, optar por ficar nas cabines com sacadas, internas ou com vista para o mar, que são mais agradáveis e espaçosas – as internas são realmente apertadas. Afinal de contas, como bem prova o maior navio do mundo, tamanho pode sim ser documento.

Quanto custa

Os pacotes de sete noites pelo Caribe que partem de Fort Lauderdale (EUA) e passam por destinos como St. Thomas, Porto Rico e uma ilha particular no Haiti custam desde R$ 1.307 (sem aéreo). Veja aqui todos os cruzeiros programados para o Haromny of the Seas.

Obs: Reportagem publicada originalmente na revista Viaje Mais, da Editora Europa.