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Qual é a pimenta mais ardida do mundo e de onde ela vem
- Créditos/Foto:DepositPhotos
- 10/Março/2026
- Redação
Entre as curiosidades gastronômicas que atravessam fronteiras, poucas provocam tanta fascinação quanto as chamadas super hot peppers, pimentas cultivadas para atingir níveis extremos de ardência. Durante uma década, a famosa Carolina Reaper dominou esse ranking global. Mas em 2023, um novo capítulo começou: a Pepper X foi oficialmente reconhecida como a pimenta mais ardida do mundo pelo Guinness World Records.
A iguaria impressiona pelos números. Testes realizados pela Winthrop University, na Carolina do Sul (EUA), apontaram que a Pepper X soma uma média de 2,69 milhões de unidades na escala Scoville, sistema usado para medir o nível de capsaicina, o composto químico responsável pela sensação de ardência nas pimentas. Só para comparar, uma jalapeño comum costuma registrar entre 3 mil e 8 mil unidades.
Por trás da criação da Pepper X está Ed Currie, agricultor e pesquisador autodidata que transformou uma pequena cidade do sul dos EUA em referência mundial para os amantes de comida extremamente picante. E é para lá que muitos turistas se mandam ávidos pela oportunidade de conhecer como é produzida e, claro, experimentar a pimenta mais ardida do planeta.
A pimenta mais ardida do mundo

A trajetória da Pepper X começou anos antes de seu anúncio oficial. Durante mais de uma década, Ed Currie trabalhou no cruzamento de diferentes variedades de pimenta em busca de níveis cada vez maiores de capsaicina. O resultado foi apresentado ao público em 2023, quando a nova variedade finalmente superou o recorde que ele mesmo havia estabelecido com a Carolina Reaper, até então reconhecida como a pimenta mais ardida do mundo.
Currie é fundador da PuckerButt Pepper Company, empresa especializada em molhos e produtos derivados de pimentas superpicantes. Sua fazenda fica em Fort Mill, na Carolina do Sul, região que acabou se tornando uma espécie de epicentro global da cultura das pimentas extremas.
Vale ressaltar que a Pepper X não surgiu apenas como uma curiosidade agrícola. Segundo o próprio criador, o objetivo era encontrar um equilíbrio entre sabor e intensidade, algo raro em pimentas desse nível. Mesmo assim, o resultado final é descrito por quem experimentou como uma explosão de ardência que pode durar horas.
Onde experimentar a Pepper X
Quem deseja experimentar a Pepper X precisa saber que a experiência não é exatamente simples. Diferentemente de muitas outras variedades, a pimenta não é amplamente comercializada em sua forma natural. Em vez disso, costuma aparecer principalmente em molhos ultracondimentados produzidos pela própria PuckerButt Pepper Company.
É possível encomendá-los em lojas especializadas, sobretudo nos EUA, mas o melhor mesmo é viajar até Fort Mill para conhecer a loja e o centro de produção da empresa. Ali, curiosos e fãs da cultura “extreme heat” encontram molhos experimentais, produtos raros e eventos dedicados ao universo das pimentas.
A região também abriga festivais gastronômicos e encontros de produtores que celebram variedades picantes de todo o mundo. Para chegar lá, a dica é viajar até Charlotte, na Carolina do Norte, e então rodar por 30 minutos até a fronteira do estado com a Carolina do Sul, onde fica Fort Mill.
Desafios gastronômicos

A fama das pimentas extremas ajudou a popularizar um tipo específico de entretenimento gastronômico nos EUA: os desafios de ardência. Tratam-se de eventos culinários nois quais pratos como asas de frango ou hambúrgueres são preparados com molhos derivados da Pepper X ou mesmo da antiga campeã, a Carolina Reaper.
A partir daí, os participantes se arriscam a consumir essas belezinhas, muitas vezes sem leite ou qualquer tipo de alívio imediato para a ardência. O resultado é um bocado de suor, lágrimas e uma intensa sensação de calor que pode durar vários minutos.
Embora sejam divertidos para alguns, esses desafios não são recomendados a todos. A concentração de capsaicina em pimentas como a Pepper X é tão alta que pequenas quantidades já são suficientes para provocar reações físicas intensas. Degustar, vai lá, mas não vale a pena brincar com o periog.
Por que a Pepper X é tão ardida
A intensidade de uma pimenta é medida pela escala Scoville, criada em 1912 pelo farmacêutico Wilbur Scoville. O sistema mede a quantidade de capsaicina presente no fruto, responsável pela sensação de calor que o cérebro interpreta como “queimação”.
Nesse ranking, a Pepper X atinge 2,69 milhões de unidades Scoville, superando em mais de um milhão a média registrada pela segunda colocada Carolina Reaper, que gira em torno de 1,64 milhão. A diferença pode parecer apenas numérica, mas na prática significa um salto gigantesco na percepção de ardência.
Na tabela abaixo, confira a lista das pimentas mais ardidas do mundo.
Pimentas mais ardidas do mundo (Escala Scoville)
| Pimenta | Unidades Scoville (SHU) |
|---|---|
| Pepper X | 2.693.000 |
| Carolina Reaper | 1.641.000 |
| Naga Viper | 1.382.000 |
| Trinidad Moruga Scorpion | 1.200.000 |
| Bhut Jolokia (Ghost Pepper) | 1.041.000 |
| 7 Pot Douglah | 923.000 |
| Habanero Red Savina | 577.000 |
Vale ressaltar ainda que há uma pimenta chamada Dragon’s Breath que, não oficialmente, aponta 2.480.000 de unidades Scoville. Nem ela, porém, tira o trono da Pepper X de pimenta mais ardida do mundo.
