Crédito: Paulo Basso Jr.

Pilote na pista de Fórmula 1 de Abu Dhabi

29 de dezembro de 2016

Por Paulo Basso Jr.

Poucas pessoas tinham ouvido falar em Abu Dhabi até 2009, quando a milionária capital dos Emirados Árabes Unidos passou a fazer parte do calendário da Fórmula 1. Com a construção do Yas Marina Circuit, o pequeno território sustentado pelos petrodólares que jorram às margens do Golfo Pérsico surpreendeu o mundo ao exibir um autódromo moderno e luxuoso, o único do planeta a ter parte da pista envolvida por um hotel cinco estrelas, o futurista Yas Viceroy. Não demorou para que turistas do mundo inteiro chegasse ali ávidos por velocidade.

A boa notícia é que o circuito, venerado por Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e companhia, abre as portas para visitantes em boa parte do ano (só costuma fechar entre junho e setembro, quando o escaldante verão de 50 graus do emirado torna praticamente impossível realizar alguma atividade ao ar livre). Uma vez lá, os viajantes podem conhecer as tribunas, passear pelos boxes e, melhor do que tudo isso, curtir experiências de pilotagem.

Entre as opções disponíveis, as mais procuradas são dirigir um bólido similar aos usados na Fórmula 3000 europeia ou modelos Aston Martin GT4 4.7 V8 de 450 cavalos de potência (carros da Mercedes e da Jaguar também estão disponíveis). Independentemente da escolha, um instrutor sempre acompanha o aprendiz de piloto.

Antes de entrar no carro, é preciso assistir a um briefing de 20 minutos. Ali, um profissional ensina regras de condutas básicas no circuito: dois cones juntos apontam a zona de frenagem. Os cones verdes indicam a hora de fazer a curva, e os amarelos o momento de deixar o carro reto novamente. Além disso, informações sobre bandeiras na pista e técnicas de pilotagem, como a pegada correta no volante, são transmitidas em detalhes.

Minutos depois, é hora de vestir a balaclava, colocar o capacete e entrar no carro. Todos os veículos são minuciosamente revistados por mecânicos e preparados para corrida, repletos de barras de segurança. No banco do passageiro, com um pedal de freio adaptado para emergências e o retrovisor central voltado para ele, o instrutor passa as primeiras dicas.

Como o barulho ao ligar o carro é ensurdecedor, tudo funciona por meio de sinais. Um movimento da mão para baixo indica a hora de acelerar, enquanto para cima é a deixa para frear. Números indicados com os dedos apontam as trocas de marcha no câmbio borboleta, atrás do volante, e por aí vai.

Acelere a 250 km/h

Tudo pronto, é hora de fazer o motor roncar e dar as primeiras duas voltas, nas quais não é permitido passar dos 3.500 rpm. Isso serve para o piloto se adaptar à pista, conhecer o traçado e ficar mais seguro. Ali, cravado no banco, a adrenalina corre pelas veias e mal dá para prestar atenção na beleza do autódromo, repleto de áreas de escape verdes, pequenos túneis e, em determinado trecho, tomado pela estrutura de ferro e vidro do hotel Yas Viceroy.

Apenas metade do circuito usado na Fórmula 1 fica aberta, mas é o suficiente para, a partir da terceira volta, alcançar 250 km/h na reta principal, na qual se entra após uma curva de alta velocidade trocando de terceira para quarta marcha e chegando à sexta antes mesmo de completar um terço do traçado. Em um painel eletrônico no centro do carro, dá para espiar o giro a 6.500 rpm no momento em que o carro treme para valer, forçando a pegada firme no volante.

Durante aproximadamente 20 minutos, é possível dar cerca de 10 voltas, curtindo a velocidade, mas sem transformar o evento em uma corrida. Seis carros entram na pista simultaneamente, mas só é permitido fazer ultrapassagem caso o veículo da frente esteja muito lento e o instrutor ligue o pisca-alerta, assumindo o volante por alguns segundos e abrindo espaço para quem vem atrás passar com segurança.

Quando o tempo termina, todo mundo desce um pouco zonzo do carro, mas com vontade de pilotar de novo. Pena que o valor da brincadeira é salgado: são 1.750 dirhams, o equivalente a R$ 1.560, para qualquer carro escolhido. Mas está aí uma daquelas experiências que todo turista fã de velocidade merece fazer uma vez na vida.

Confira mais informações sobre o Yas Marina Circuit aqui. Já para dar outros rolês em Abu Dhabi, clique aqui.

  • Crédito: Paulo Basso Jr.
    Pilotos e instrutores se preparam nos boxes antes de entrar na pista
  • Crédito: Paulo Basso Jr.
    Bólido Yas 3000, semelhante aos usados na Fórmula 3000 europeia
  • Crédito: Paulo Basso Jr.
    Dá para dar cerca de 10 voltas com o Aston Martin GT4 4.7 V8 de 450 cv
  • Crédito: Paulo Basso Jr.
    Experiência de pilotagem no Yas Marina Circuit
  • Crédito: Paulo Basso Jr.
    Visitantes observam movimentação do Yas Marina Circuit
  • Crédito: Divulgação
    Hotel Yas Viceroy no audódromo de Abu Dhabi