Crédito: Paulo Basso Jr.

Os mistérios de Petra, na Jordânia

21 de dezembro de 2017

Por Paulo Basso Jr.

Sonho de todo viajante, Petra é uma joia localizada a 235 km ao sul de Amã. A partir da capital da Jordânia, é possível chegar lá nos ônibus que saem diariamente às 6h30 da estação Abdali. Ou então por meio de passeios contratados em agências de turismo. A viagem dura quatro horas.

Petra ficou famosa por ter sido totalmente esculpida na face de rochas enormes pelos nabateus, civilização árabe que se instalou ali há mais de 2.000 anos. O lugar era muito rico, pois ficava em um entroncamento comercial estratégico pelo qual passavam as rotas da seda e de especiarias, no caminho que ligava a China, a Índia e o sul da Arábia com o Egito, a Síria, a Grécia e Roma. Foi a influência das civilizações do norte que levou os nabateus a esculpirem de forma espetacular tumbas e templos grego-romanos nas enormes rochas de calcário rosado que se descortinam pela região.

LEIA MAIS Roteiro de um dia em Petra, com dicas de hotéis e restaurantes
Roteiro de dois dias em Aqaba e Wadi Rum, o deserto da Jordânia

Assim como Machu Picchu, no Peru, ou Chichén Itzà, no México, Petra é um sítio histórico fechado (e uma das sete maravilhas do mundo). A cidade que serve de base para a visita, Wadi Musa, é simples, pequena e forrada de hotéis de todos os níveis, lojas e restaurantes. Uma boa dica é passar uma noite repleta de mimos no Mövenpick Petra Hotel, o melhor da região, acordar cedo, por volta das 7h, e seguir a pé para o sitio histórico, cuja entrada fica a poucos metros de distância. Os tíquetes custam a partir de 50 dinares (cerca de R$ 230).

Uma vez dentro do complexo, é possível alugar cavalos (3 dinares de gorjeta, R$ 15) e charretes (20 dinares mais 5 de gorjeta, total de R$ 115) para fazer o trajeto a seguir, mas eu preferi ir a pé. Após passar por algumas tumbas e blocos enormes de pedra, muitos deles com formatos semelhantes a animais, alcança-se a entrada do siq, como é chamado o desfiladeiro com paredões de até 100 metros de altura, ora mais largos, ora bem estreitos. O caminho de 1,2 km é fascinante, com as rochas se exibindo em tons vermelhos, amarelos, pretos e brancos, fazendo curvas como se estivessem dançando.

Foto: Paulo Basso Jr.
Siq, desfiladeiro que leva às principais construções de Petra

A expectativa aumenta a cada passo até que, por uma fresta, avista-se o Al Khazneh, mais conhecido como Tesouro. Parece incrível, mas é a principal edificação de Petra que dá as boas-vindas ao visitante. Impecável, a fachada de 39 metros de altura por 25 de largura com colunas greco-romanas esculpidas na rocha mantém-se preservada até hoje, já que canais foram erguidos sobre as pedras para desviar as águas da chuva e impedir a erosão.

Além disso, Petra ficou “escondida” do ocidente desde o século 14, após seu declínio financeiro, até 1812, quando o explorador suíço Johann Ludwing convenceu o seu guia a levá-lo à “cidade perdida” e se fingiu de árabe para não ser impedido de prosseguir pelos beduínos que protegiam a região. Sábia decisão!

Foto: Paulo Basso Jr.
Interior de uma das construções de Petra abertas à visitação


À la Indiana Jones

O clima à la Indiana Jones é tão inevitável em Petra que lá foi filmada a sequência final de “A Última Cruzada”, o terceiro filme da saga. A cara embasbacada que Harrison Ford e Sean Connery fazem ao avistarem o Tesouro é mais ou menos a mesma de todos os visitantes – e provavelmente a os beduínos que invadiram a cidade em épocas remotas. Afinal, foram eles que batizaram o prédio principal de Tesouro, por acreditarem que nele havia riquezas acumuladas.

Os beduínos estavam errados, bem como Indiana e sua turma. Diferentemente do que mostra o filme, não há grandes corredores dentro da edificação nem riquezas materiais escondidas, e sim salões usados como tumbas. Tudo porque o Tesouro é, na verdade, um sarcófago.

Foto: Paulo Basso Jr.
Anfiteatro em Petra

Desde 2006, não é permitido entrar nele, mas em outra área de Petra existe uma sequência de prédios escavados chamada de Tumbas Reais, cujo interior, de livre acesso, é muito parecido com o do prédio principal da cidade. Manchas coloridas de calcário raspado enfeitam o teto desses ambientes criando efeitos muito bonitos.

Entre 9h e 10h, a luz do sol chega à fachada do Tesouro e a deixa ainda mais bonita. Nesse período, porém, o local costuma estar lotado e o que mais se vê são turistas posando em dromedários. Achei melhor deixar para lá e explorar com mais liberdade a cidade de pedra na qual, acredita-se, moraram cerca de 40 mil pessoas.

Depois de passar por um belíssimo teatro antigo, mirantes, templos, barracas que vendem lembrancinhas e um boado de dromedários, além de muitas, muitas tumbas, chega-se ao centro de visitantes, onde há dois restaurantes. Ali pertinho está a escadaria de mais de 800 degraus que leva até a segunda edificação mais importante da cidade: o Monastério, um impressionante templo de 50 metros de largura por 45 de altura, esculpido em um paredão.

Foto: Paulo Basso Jr.
Tumbas reais, em Petra

A trilha é puxada, mas se não aguentar o pique, vá descansar no spa do hotel e deixe para encará-la no dia seguinte. Vale a pena, afinal, você chegou até Petra, o sonho de todo viajante.

LEIA MAIS AMÃ E JERASH, AS PORTAS DE ENTRADA DA JORDÂNIA
MADABA, A INTRIGANTE CIDADE DOS MOSAICOS
MAR MORTO GANHA VIDA BOA NA JORDÂNIA
ENTRE O MAR VERMELHO E O DESERTO LARANJA

E para sonhar acordado, você ainda pode fazer um passeio vip durante a noite, quando o siq e o Tesouro são iluminados por 1.800 velas. A experiência, chamada Petra by Night, rola as segundas, quartas e quintas, das 20h30 às 22h. Custa 17 dinares (cerca de R$ 80) e vale cada centavo.

Obs: Trecho de reportagem publicada originalmente na revista Viaje Mais Luxo.