Crédito: Paulo Basso Jr.

Nova Zelândia: uma viagem dos sonhos pelo país

15 de março de 2018

Por Paulo Basso Jr.

Escondida lá no final do mapa, a leste da Austrália, a Nova Zelândia é um lugar que atrai muitos brasileiros por ter uma natureza linda, cidades cativantes e uma série de experiências de lazer. Seja para fazer turismo ou intercâmbio, todos voltam encantados de lá.

Paulo Basso Jr.
Arredores de Queenstown: tour de O Senhor dos Anéis

Onde fica a Nova Zelândia

A Nova Zelândia fica na Oceania e é dividida em duas ilhas principais, chamadas de Norte e Sul. A principal porta de entrada do país é Auckland. A cidade, que tem 1,5 milhão de habitantes (cerca de um terço da população neozelandesa), é moderna, organizada e vibrante. É a maior da Nova Zelândia, mas não se confunda: a capital é Wellington.

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Como chegar

O jeito mais fácil de voar até a Nova Zelândia é via Chile. O trajeto a partir de São Paulo ou Rio de Janeiro inclui  4h30 de voo até Santiago, seguido de duas horas de espera e mais 13 horas de voo até Auckland, porta de entrada neozelandesa. Soma-se a isso a diferença de 15 horas de fuso a mais em relação a Brasília.

Auckland

Paulo Basso Jr.
Skyline da cidade de Auckland, na Nova Zelândia

Auckland fica na Ilha Norte, a mais populosa, porém menos turística da Nova Zelândia. Isso porque é na Ilha Sul que estão a desejada Queenstown e um bocado de lugares cênicos que serviram de cenário para a “Terra Média” exibida nas sagas O Senhor dos Anéis e O Hobbit.

Antes de sair à caça de Frodo, Gandalf e companhia, no entanto, vale a pena pernoitar por duas ou três noites em Auckland.

Noite e onde comer em Auckland

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Restaurante Ortolana, em Auckland

Mais do que descansar da viagem, em Auckland você encontra uma noite divertida, sobretudo na região revitalizada do porto, o Viaduct Harbour District, onde há bons bares e restaurantes. Entre eles destacam-se o Ortolana, bistrô de estilo moderninho, e o The Foodstore, onde é possível acompanhar ao vivo o trabalho de chefs exibido em um programa de TV local.

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Restaurante The Foodstore, em Auckland

No cardápio chamam a atenção os pratos a base de frutos do mar e carnes, sobretudo de cordeiro e veado. Destaque também para a doceria Milse, que serve sobremesas de estilo fusion, com uso de hidrogênio líquido e tudo.

Compras em Auckland

Como a Nova Zelândia é um país caro, é preciso tirar o escorpião do bolso na hora de bater perna pela Queen St., rua que concentra as principais vitrines da cidade.

Divulgação
Shopping Chancery Lane, em Auckland

Lá tem shopping, supermercado e lojas de grife e suvenires. Camisas dos All Blacks – a melhor seleção de rúgbi do planeta e orgulho nacional –, cosméticos feitos a base de um mel chamado Manuka e máscaras maoris, o povo originário dos polinésios que primeiro habitou a região, fazem a festa dos turistas.

Nova Zelândia: curiosidades

Em Auckland você também tem o primeiro contato com kiwis. Não a fruta, que dizem ser chinesa, mas um pássaro endêmico que passou a denominar o povo neozelandês. Assim, é de um vendedor “kiwi” que você pode comprar um kiwi de pelúcia que canta o Haka, a dança típica dos maoris – que, ao contrário de outras tribos indígenas do planeta, são extremamente respeitados na Nova Zelândia.

Vale a pena levar um passarinho de brinquedo para casa, mesmo porque dificilmente você fará foto de um deles de verdade. O kiwi têm hábitos noturnos e vive nas regiões mais remotas do país.

Folha prateada

Por outro lado, você verá muitas vezes a folha prateada (silver fern), outro ícone neozelandês. Trata-se de uma espécie de samambaia gigante com folhas que têm um tom prateado na face posterior e podem ser observadas no brasão dos All Blacks, no logo da principal companhia aérea do país, a Air New Zealand, e nos belos jardins espalhados por todas as partes do arquipélago.

O que fazer em Auckland

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Bungee jump na Auckland Bridge

Não é de se surpreender que, rodeada de mar por todos os lados e dona de muitos lagos, a Nova Zelândia tenha a maior frota de barcos per capta do mundo. E se você, como eu, não é dono de um iate nem sabe navegar, não se preocupe. Na marina de Auckland não faltam agências que oferecem tours pelas águas que banham a região.

Uma das melhores opções são os passeios de barco à vela, no qual o grande barato é comandar a embarcação por alguns instantes – sim, todo mundo tem essa oportunidade – enquanto se aprecia o famoso skyline da cidade.

Essa, por sinal, é uma das duas melhores maneiras de observar a Sky Tower, estrutura futurista com 328 metros de altura que aparece em nove de cada dez cartões-postais de Auckland (a outra é a partir do Mount Eden, onde há uma cratera de um vulcão extinto da qual se tem uma vista de 360º da região).

Foi nesse passeio que tive o primeiro contato com a doideira mais típica de quem busca aventura no país. Isso porque o barco passa sob a Auckland Bridge, ponte da qual a galera salta de bungee jump a 47 metros de altura.

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Vinícola Stonyridge, em Waiheke

Há ainda outro passeio bacana que é seguir de ferry para a ilha de Waiheke, a cerca de meia hora de Auckland. Ali é possível passar um dia agradável em meio a praias quase sempre desertas banhadas por águas cristalinas. Além disso, dá para visitar jardins lindos com esculturas, como o Dead Dog Bay, ir a oliveiras premiadas e fazer uma imersão em outra joia neozelandesa: os vinhos.

Com condições climáticas semelhantes às da França,o país produz ótimos rótulos, principalmente de pinot noir e sauvignon blanc. Em Waiheke, a vinícola Stonyridge promove degustações e serve almoços em um restaurante com terraços que se debruçam sobre as vinhas.

Christchurch

Se Auckland é a maior cidade da Ilha Norte, Christchurch é a porta de entrada da Ilha Sul. Com cerca de 350 mil habitantes, o município (segundo maior do país) ficou um tanto quanto esquecido para o turismo desde que foi assolado por um terremoto em 2011.

Hoje, porém, há muito que fazer por lá, como ir a parques (há tanto verde no pedaço que Christchurch ganhou o apelido de cidade-jardim) e visitar o Container Mall, com cafés e sorveterias que funcionam dentro de containers coloridos.

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“Catedral de Papelão”, em Christchurch

O maior drible que a cidade deu na crise, no entanto, foi a construção da Cardboard Cathedral, cuja tradução – e é isso mesmo que ela é – é Catedral de Papelão.

Explica-se: como a igreja mais antiga da região foi danificada pelo terremoto e levará cerca de 50 anos para ser totalmente restaurada, representantes de Christchurch convidaram o arquiteto japonês Shigeru Ban, especialista em estruturas de papel feitas com tubos de papelão ocos, mas fortes, a projetar uma igreja temporária (se é que algo de 50 anos pode ser chamado de temporário).

O resultado é uma catedral moderna de 24 metros de altura e com capacidade para 700 pessoas, que, como não poderia deixar de ser, transformou-se em ponto turístico.

Christchurch: onde comer

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King of Snake, em Christchurch

Experimente o King of Snake. Com ambiente descolado, a casa serve pratos de estilo oriental. Massas, patos, carnes em geral e frutos do mar vêm em porções grandes e, geralmente, bem picantes.

Tekapo

Outra maravilha da Ilha Sul da Nova Zelândia é Tekapo (pronuncia-se Técapo), a seis horas de carro de Christchurch.

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Lago Tekapo, uma das maravilhas naturais da Nova Zelândia

Tekapo é o nome do lago que batiza a região. Suas águas têm um tom de azul estonteante por absorver propriedades da neve que escorre do topo das montanhas que o cerca. Numa espécie de praia com pouca areia e muitas pedrinhas, árvores se descortinam formando bosques ao lado de áreas esparsas com vegetação rasteira.

E isso tudo junto e misturado dá vida, acredite, a um lugar tão maravilhoso que até mesmo o pior fotógrafo do mundo ganha muitas curtidas ao postar no Facebook ou no Instagram uma imagem registrada ali.

Tekapo Springs e Mt. John Observatory

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As termas de Tekapo Springs

A maioria das pessoas usa Tekapo apenas como ponto de passagem para outras cidades da Ilha Sul, mas há também quem opte por se hospedar por lá. Eu fiz isso com dois objetivos: ir ao complexo Tekapo Springs, onde é possível relaxar em piscinas de águas quentes (entre 36º C e 40º C) enquanto se observa montanhas nevadas (sempre quis fazer isso), e visitar o Mt. John Observatory, o segundo melhor ponto do planeta para observar estrelas – o primeiro é o Deserto do Atacama, no Chile.

O tour noturno organizado por agência inclui explicações de especialistas a respeito de constelações e telescópios. Faz um frio danado lá em cima, mas vale a pena. Você já viu Saturno, por exemplo? Então, nesse passeio dá para enxergar.

Mt. Cook Village e Glaciar Tasman

De Tekapo vale a pena seguir até Mt. Cook Village, um minúsculo vilarejo situado na base do Mt Cook (Aoraki em maori), o ponto mais alto da Nova Zelândia.

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Glaciar Tasman, o maior da Nova Zelândia

O local serve de base para visitar o parque nacional que toma conta da região e guarda o Glaciar Tasman, o maior da Nova Zelândia. Dá para seguir de bote até bem perto da enorme formação de gelo, com 27 km de comprimento, 4 km de largura e 600 m de espessura.

Depois do passeio, vale a pena ir ao Old Mountaineers Cafe, um simpático – e, acima de tudo, quentinho – lugar para almoçar. Ali servem hambúrgueres, pizzas, sopas de mariscos e, curiosamente, um refrigerante orgânico de coca.

Wanaka

Wanaka fica a pouco mais de uma hora de carro de Mt. Cook Village e tem como grande ponto de interesse o lago de mesmo nome. O lugar é lindo, com calçadões à beira da água, onde há muitas pessoas correndo, andando de bike ou caminhando tranquilamente.

No verão, o lago é tomado por barquinhos de neozelandeses que vão para lá curtir as férias. É ali também que é realiada uma das competições de ironman mais badaladas do mundo.

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Mou Waho, em Wanaka

Para explorar melhor tudo aquilo, dá para embarcar em minicruzeiros que levam até uma ilha lacustre batizada de Mou Waho. Após uma caminhada moderada de meia hora se atinge o topo da região, onde existe um lago. E dentro dele, outras duas ilhas. Assim, de uma só vez, você vê ilhas dentro de um lago, dentro de uma ilha (Mou Waho), dentro de um lago (Wanaka), dentro de uma ilha (a Sul da Nova Zelândia).

Confuso, não? E o pior é que foto alguma registra de forma clara o local. Isso porque, nas imagens, parece que os diversos lagos estão no mesmo plano, mas na verdade eles estão a algumas centenas de metros de distância. Tem que ir lá para ver. É incrível.

Queenstown

Wanaka fica próxima de Queenstown, a cidade mais famosa da Ilha Sul. Com apenas 17 mil habitantes, o lugar é totalmente projetado para o turismo, já que recebe até 2 milhões de visitantes por ano.

Banhada pelo belíssimo Lago Wakatipu, a cidade é tomado por lojas, restaurantes e baladas – entre eles o Sky Bar, que promove noites de forró brasileiro aos sábados.

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Teleférico com vista para o Lago Wakatipu

Lá dá para comprar roupas de inverno, fazer degustações em vinícolas (a melhor é a Amisfield), ir a restaurantes badalados e comer o melhor hambúrguer da Nova Zelândia (servido no Fergburger).

Reserve um tempo também para passear no teleférico local, que leva a um mirante de onde se tem a melhor vista da cidade. O visual, quase sempre, é enfeitado por parapentes coloridos. Afinal, Queenstown é, de fato, a capital mundial da aventura. E as loucuras praticadas por lá não estão apenas no céu, mas também na água.

Shotover Jet

Divulgação
Shotover Jet, em Queenstown

O Shotover Jet é uma experiência na qual barcos rasgam o Rio Shotover a 80 km/h tirando fininha de rochas e fazendo vários “zerinhos” na água. A brincadeira é demais, porque lá dentro nem dá tanto pavor assim e é bem divertido.

Bungee Jump em Kawarau Bridge

Uma dos maiores pontos de interesse de Queenstown é a Kawarau Bridge, onde a empresa AJ Hackett Bridge Bungy toma conta do primeiro e mais famoso ponto de bungee jump comercial do mundo.

Arquivo pessoal/Paulo Basso Jr.
Bungee Jump em Kawarau Bridge, Queenstonw

Fui para ver a vista da região, que é linda. A ponte, projetada a 43 metros de altura, liga dois penhascos separados por um rio estreito, que serpenteia o vale lá embaixo. Olhei bem para aquilo e pensei: caramba, a Torre Eiffel é realmente imperdível.

Minutos depois eu estava amarrado por uma corda com o mundo à minha frente. Estufei o peito e, sem pensar muito, pulei como manda o figurino, mergulhando como se estivesse em uma piscina. Daí para frente foram dois intermináveis segundos de queda livre que eu jamais vou esquecer, embora não lembre exatamente de nenhum detalhe. : )

O Senhor dos Anéis

Nenhuma personalidade neozelandesa é mais famosa do que Peter Jackson, cineasta que dirigiu as sagas O Senhor dos Anéis e O Hobbit. Para representar a deslumbrante Terra Média descrita nas obras literárias homônimas criadas pelo escritor inglês J. R. R. Tolkien, Jackson, que não é bobo nem nada, usou as paisagens de seu país como cenário.

Na Ilha Norte, em Rotorua, fica Hobbiton, cidade cenográfica construída para a sequência O Hobbit e que pode ser visitada.

Paulo Basso Jr.
Tour de O Senhor dos Anéis, nos arredores de Queenstown

Já na Ilha Sul, nos arredores de Queenstown, passeios 4×4 organizados por operadoras levam a lugares que serviram de locação para as Minas Tirith, as Montanhas Nebulosas, os Pilares dos Reis (Argonath) e diversos outros cenários de O Senhor dos Anéis.

Serviço

Nova Zelândia: quando ir

A Nova Zelândia recebe turistas e aventureiros o ano todo. Mas o melhor período para viajar vai de março à maio, quando o clima está agradável e o visual do outono permanece maravilhoso das praias da Ilha Norte às geleiras da Ilha Sul.

As chuvas rolam no inverno, entre junho e agosto, mas não chegam a atrapalhar. A temperatura pode cair até abaixo de zero nas cidades da Ilha Sul e os dias ficam mais curtos.

Paulo Basso Jr.
Lago Wanaka, na Nova Zelândia

Em compensação o visual das montanhas cobertas de neve fica ainda mais belo. O melhor programa nessa época é esquiar nos arredores de Queenstown.

De setembro a novembro é ideal para quem vai atrás dos esportes de ação e turismo ecológico, já que a primavera deixa o clima ameno, os dias vão ficando mais longos e a paisagem ainda mais colorida.

Evite dezembro e janeiro, época de cidades cheias e preços altos.

Reportagem adaptada de texto publicado originalmente na revista Viaje Mais, parceira do Rota de Férias.

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