Crédito: Paulo Basso Jr.

Mar Morto ganha vida boa na Jordânia

22 de dezembro de 2017

Por Paulo Basso Jr.

É muito difícil viver ali durante o verão, quando a temperatura atinge mais de 50ºC. Mesmo assim, cenários dos sonhos e uma sequência de resorts cinco estrelas atrai viajantes o ano todo para a região do Mar Morto, na Jordânia.

O trecho mais requisitado fica em Sweimeh, a cerca de uma hora de carro de Amã, capital do país, e está ligado à bela cidade de Madaba por uma estrada cênica, cheia de curvas a partir das quais é fácil avistar ovelhas às margens da pista e ficar de queixo caído diante do visual do Vale do Jordão.

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Uma vez no litoral, o cenário ganha os diversos tons que as águas do Mar Morto cercadas de montes rochosos apresentam do nascer ao pôr do sol: azul, verde, rosa, vermelho, amarelo, laranja. Quem vai até lá não se furta de contemplar esse espetáculo visual todos os dias e ainda tem tempo de sobra para curtir os spas com produtos típicos da região, famosos em todo o mundo, ou então as piscinas com bordas infinitas dos resorts.

Paulo Basso Jr.
Uma barreira de sal se acumula nas paredes rochosas que cercam o Mar Morto

E ainda tem a praia, ou melhor, o mar, já que a praia em si não tem nada demais, com areias escuras e cheias de pedras e sal grosso. Já as águas… Entrar no Mar Morto é como ver neve pela primeira vez. Uma experiência inesquecível. A água é cristalina, morna e oleosa. E, de tanto sal (mais de 33% de sua composição), não permite que ninguém afunde. Sem o menor esforço, todo mundo fica lá boiando. Até mesmo quem não sabe nadar.

Há quem pegue um livro para ler enquanto está deitado na água. Ou um jornal. Eu preferi relaxar e ficar apenas admirando a paisagem, olhando ora para o lado de Israel, ora para o da Jordânia.

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Diante de todo esse espetáculo, foi difícil não indagar como um lugar em que não há vida e onde sequer barcos podem navegar pode ser tão fascinante, a ponto de me fazer voltar para a suíte andando de costas, contemplando o espetáculo. Afinal, era fim de tarde, e a variação de cores na água torna-se ainda mais exuberante durante o pôr do sol.

Paulo Basso Jr.
Não é preciso fazer qualquer esforço para boiar no Mar Morto: basta relaxar

O local do batismo de Jesus

Dói deixar as praias do Mar Morto para trás, mas quem se hospeda nos badalados resorts do pedaço tem a oportunidade de conhecer outros pontos turísticos da região. O mais procurado deles é a área bíblica apontada como Betânia do Além-Jordão.

Localizada no território oposto a Jericó, na divisa entre a Jordânia e Israel, onde corre o Rio Jordão, o sítio histórico do lado jordaniano foi identificado como o ponto em que João Batista vivia e teria batizado Jesus Cristo. Igrejas bizantinas descobertas na região a partir de escavações iniciadas em 1996 são apontadas como provas pelos historiadores para indicar o ponto exato do batismo.

Para alcançá-las, é preciso caminhar por cerca de cinco minutos por uma trilha chamada de Alameda dos Tamarindos. Ao final, avista-se um poço natural curiosamente seco, já que a água do Rio Jordão, que era mais alto e desaguava naquele espaço antigamente, não tem mais força para chegar até lá.

Paulo Basso Jr.
O local onde Jesus teria sido batizado por João Batista

Pequenas construções de pedra e madeira – as tais igrejas bizantinas – cercam o poço, ligado às áreas superiores por escadas. Não é permitido entrar nele, mas basta caminhar alguns metros para alcançar a margem atual do Jordão.

Quando cheguei lá, não havia ninguém do lado jordaniano (a não ser um guarda), ao contrário da margem israelense, a poucos metros de distância, onde diversos peregrinos vestidos com batas brancas colocavam as mãos e a cabeça na água antes de mergulharem de uma vez. Foi impossível não me sentir privilegiado em estar praticamente sozinho, do lado da Jordânia. Daí a vantagem do passeio privativo.

Paulo Basso Jr.
Lado israelense do Rio Jordão, próximo ao local do batismo de Jesus

De volta à estrada, no sentido sul, o Mar Morto volta a tomar conta da paisagem e exibir cenas de carta-postal, com praias de sal grosso e paredões rochosos sinuosos que ficam brancos antes de se esconderem nas águas azul-esverdeadas. Vale a pena parar para fazer fotos em frente ao Santuário de Ló, onde fica um pilar de sal seco que espeta o céu a partir de uma colina.

Reza a lenda que a formação geográfica é, na verdade, os restos da mulher de Ló, que assim ficou depois de desobedecer à advertência de Deus para não olhar para trás quando fugiu de Sodoma. O lugar é bonito e serve como aperitivo para quem segue para outro trecho desejado da Jordânia: Petra.

Obs: trecho de matéria publicada originalmente na revista Viaje Mais Luxo.