Crédito: Divulgação/Nauro Júnior

Conheça a história do Fusca brasileiro que foi à Rússia

23 de janeiro de 2019

Por Leo Alves

Neste mês, a produção do Volkswagen Fusca brasileiro completa 60 anos. Em janeiro de 1959, a fábrica de São Bernardo do Campo (SP) começou a fabricação daquele que se tornaria um ícone mundial, sendo o principal responsável pelo sucesso da marca alemã. No Brasil, ele liderou o mercado entre o começo da década de 1960 e o início dos anos 1980.

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História Fusca brasileiro 60 anos

Vendido no País desde o início dos anos 1950, a fabricação original do Fusca durou até 1986. Porém, por conta de um pedido do então presidente Itamar Franco, ele voltou a ser fabricado entre 1993 e 1996, quando saiu de linha definitivamente. Com tanto tempo de mercado, o besouro marcou a vida e a paixão automobilística de muitas pessoas no País – e no mundo.

É o caso do fotógrafo Nauro Júnior. Sua paixão pelo Volkswagen começou ainda na infância e só cresceu ao longo dos anos. Aumentou tanto que no ano passado ele viajou pela Rússia a bordo de um. “Minha história com o Fusca começou há 47 anos. Meu pai comprou um quando eu era criança e tenho toda a lembrança de ter passado a infância e a adolescência em um”, relembra. “Quando tirei minha habilitação e tinha dinheiro para comprar um carro, foi justamente um Fusca que escolhi.”

Antes de acompanhar a Copa do Mundo, porém, Nauro já tinha viajado com o besouro por diversos países. O “Segundinho” é um modelo 1968, com motor de 1.300cc, sendo o responsável por essas aventuras. Ao todo a expedição Fuscamérica percorreu 17 nações desde 2013, andou mais de 60 mil km e visitou três continentes.

Foto: Divulgação/Nauro Júnior
Segundinho já viajou por diversos países, como o Chile, onde passou pelo Deserto do Atacama |Foto: Divulgação/Nauro Júnior
Segundinho já viajou por diversos países, como o Chile, onde passou pelo Deserto do Atacama

Segundinho, porém, entrou na vida de Nauro e Gabi Mazza de uma maneira inusitada. “Eu percebi que a gente precisava de um segundo carro. Na época, eu tinha um iPhone de última geração e ofereci ele pelo carro. O dono achou meio estranho, então dei o celular e mais R$ 500 para comprar o Fusca”, conta.

Missão Rússia

O dia 8 de julho de 2014 foi histórico para o futebol brasileiro. Nesse dia, a seleção sofreu sua maior derrota da história, perdendo da Alemanha por 7 a 1, em pelo estádio do Mineirão. Em meio a decepção do resultado humilhante, surge a ideia de ir acompanhar a Copa da Rússia de Fusca. “O Nauro virou para mim e me disse para fazermos isso. O projeto começou ali, no mesmo dia do 7 a 1. Ele até brincou que era mais fácil a gente chegar lá de Fusca do que o Brasil ser campeão mundial em 2018”, afirma Gabi.

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Foram quatro anos de planejamento até que em 20 de janeiro de 2018, em pleno Dia Nacional do Fusca, o casal lançou um financiamento coletivo para auxiliar na missão. Eles conseguiram arrecadar 97% do valor desejado, o que foi fundamental para que a expedição desse certo. Em abril, Segundinho embarcou com destino a São Petersburgo. Nauro se juntou ao amigo Caio Passos, que já havia acompanhado outras aventuras, para iniciar a viagem e encontrar o Fusca brasileiro na cidade russa.

Foto: Divulgação/Nauro Júnior
Apesar das dificuldades, o Fusca cumpriu sua missão |Foto: Divulgação/Caio Passos
Apesar das dificuldades, o Fusca cumpriu sua missão

Com a ideia de realizar uma cobertura diferenciada do mundial, a dupla percorreu, a bordo do Segundinho, todas as cidades em que a Seleção Brasileira jogou. E, apesar de todos os cuidados com a manutenção, o Fusca de 50 anos acabou precisando de alguns reparos durante a expedição. “Sempre acontece algum problema. Porém, se fosse com qualquer outro carro, talvez não tivesse esse apelo. Muitas pessoas ajudaram a gente, inclusive um rapaz de um Fusca Clube russo. Ele conhecia nossa história e chegou a viajar 800 km até a Finlândia só para comprar uma peça”, relembra Nauro.

Mutirão na Letônia

O maior perrengue, porém, aconteceu quando a viagem pela Rússia já tinha terminado. Nauro e Caio partiram para a Letônia, onde encontrariam Gabi e sua filha. Ao chegarem em Riga, uma roda caiu do veterano Fusca brasileiro. “Ela estava com problema desde Samara, na Rússia, e a gente foi soldando para conseguir chegar. Com isso, a ponta do eixo não aguentou e quebrou”, explica Nauro.

Foto: Divulgação/Nauro Júnior
Por onde passou, o Fusca 1968 chamava a atenção. Na Polônia, uma policial tentou conversar com Gabi Mazza |Foto: Divulgação/Nauro Júnior
Por onde passou, o Fusca 1968 chamava a atenção. Na Polônia, uma policial tentou conversar com Gabi Mazza

Novamente, um membro de um Fusca Clube ajudou no conserto, que não foi simples. “Ele criou uma mobilização para conseguir a peça, guinchou meu carro por diversos quilômetros e, na hora de pagar, ninguém cobrou nada. Apenas nos disseram que somos uma inspiração e que jamais deveríamos deixar de viajar com o Segundinho”, afirma Nauro.

E o casal garante que vai continuar com as expedições. Assim como o marido, Gabi também é apaixonada por Fusca e tinha um besouro quando começaram a namorar. Dessa forma, a história de ambos com o Volkswagen vai seguir por muitos anos. Assim como o legado do carrinho, que jamais será esquecido.

A Rússia é um país cheio de atrações para os turistas, e não só para aqueles que estão em um Fusca. Na capital Moscou, por exemplo, a praça vermelha é um dos pontos turísticos mais conhecidos e que pode ser visitado durante uma excursão.