Crédito: Divulgação/Marcos Lopes

Gratuito aos sábados, Museu do Futebol encanta até quem não é fã do esporte

24 de agosto de 2018

Por Maria Beatriz Vaccari

Charles Miller, reconhecido como o pai do futebol no Brasil, dá nome à praça paulistana que abriga o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, também chamado de Pacaembu. Entretanto, a história do local vai muito além do nome do precursor do esporte e das partidas histórias que já rolaram no gramado. É lá que fica o interativo e tecnológico Museu do Futebol, que tem entrada gratuita aos sábados – nos outros dias da semana, o acesso convencional custa R$ 10 (R$ 5 pela meia entrada).

Foto: Divulgação/Ronaldo Franco
Grande Arena, primeira sala do Museu do Futebol

Confesso que, como “falsa fã” de futebol, daquelas que só torce para o time do pai e do irmão para fazer uma média com a família, cheguei à bilheteria sem muitas expectativas. Entretanto, a situação começou a mudar logo na primeira sala, batizada de Grande Arena. No maior estilo retrô, o local exibe pins, flâmulas, quadros, brinquedos, selos e vários outros tipos de objetos usados por torcedores para demonstrar o amor pelos times.

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Ao subir as escadas, dei de cara com Pelé, que recepcionava os visitantes em um telão. Depois, entrei na área Anjos Barrocos, uma das mais legais e tecnológicas do museu. A galera encontra vários telões suspensos que exibem projeções de esportistas que marcaram a história do futebol brasileiro. Zagallo, Taffarel e Didi são alguns dos nomes que aparecem por lá. A categoria feminina não fica de fora e é representada por craques como Marta e Formiga.

A próxima parada é a Sala dos Gols, focada nas finalizações mais brilhantes realizadas até hoje. Do lado direito, é possível encontrar uma série de aparelhos que simulam rádios. Por meio deles, o visitante sintoniza a jogada desejada e escuta a narração. Do outro lado ficam as televisões, que fazem basicamente a mesma coisa dos sistemas de rádio, mas com imagens. Na hora de escolher qual jogada assistir, a pessoa consegue ver quem irá narrar o lance.

Foto: Marcus Nogueira
Sala Anjos Barrocos

No final do corredor encontra-se a Sala da Exaltação, composta pela estrutura que segura parte da arquibancada do Pacaembu. O local recria a atmosfera de festa das torcidas nos estádios, com direito a gritos de incentivo aos times, batuques e projeções lindas. Eu, que mal ligo para futebol, me arrepiei. Imagine a sensação para quem é fanático…

As áreas Origens e Heróis focam na história do esporte no Brasil. A primeira mostra uma série de fotos emolduradas em estruturas douradas, que conferem um visual bem bonito ao ambiente. A segunda, por sua vez, ressalta como o futebol é capaz de unir diferentes pessoas e culturas. Digitalmente, o local mostra frases de figuras como Tarsila do Amaral e Carlos Drummond de Andrade, além de homenagear jogadores negros, como Leônidas da Silva.

Foto: Divulgação/Luciano Mattos Bogado
Sala Origens

Pequena, a sala Rito de Passagem consegue fazer um estrago apenas com um telão. Isso porque ele exibe a derrota do Brasil para o Uruguai na Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã. Até bateu uma tristeza, mas segui o jogo e fui parar na sala das Copas do Mundo. O local conta com vários pontos de parada, que representam todas as Copas realizadas até hoje. O mais legal é que alguns televisores mostram o que era moda na época e as notícias que bombaram em cada ano. No final, uma estante ostenta os modelos de bolas usados nos mundiais.

Foto: Divulgação/Juan Guerra
Sala das Copas do Mundo

O próximo destaque é a sala dos Números e Curiosidades, que arranca ao menos uma risadinha de qualquer tipo de público. O que mais se vê por lá é gente fazendo piadinhas ou com cara de surpresa. Afinal, você sabia que o menor público de um jogo do Campeonato Brasileiro foi de 55 pessoas em um Portuguesa x Juventude? O time lusitano também participou de outro recorde: a partida com mais jogadores expulsos, na qual 22 atletas levaram cartão vermelho em um confronto com o Botafogo, em 1954. Já a maior goleada da história do futebol brasileiro rolou em 1909, quando o Botafogo fez 24 a zero contra o Mangueira.

No meio de tantas curiosidades, esquemas táticos e números marcantes é possível encontrar uma varandinha que dá na arquibancada do estádio, de frente para o gramado. Mais à frente, uma prateleira exibe a evolução das chuteiras ao longo dos anos.

Foto: Maria Beatriz Vaccari
Evolução das chuteiras, na sala Números e Curiosidades

Antes de chegar ao final do percurso, que conta com uma lojinha cheia de produtos de times nacionais e internacionais, o pessoal passa por um ambiente com filmes que relembram jogos clássicos e por uma série de experiências interativas, como futebol digital, chute a gol com goleiro virtual e jogos de perguntas e respostas. Também dá para aprender mais sobre a história do Pacaembu e sua construção.

Depois de tudo isso, finalizei o passeio com uma visita à área do gramado, de onde é possível ver toda a imponência do estádio. Empolguei-me, tirei fotos e até prometi que iria acompanhar mais os jogos do meu time, que iria entrar em campo no dia seguinte. Infelizmente, esqueci de ver a partida no domingo (e em quase todos os outros dias depois disso), mas a história e a força do esporte no Brasil não saíram mais da minha cabeça.