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Família Schurmann retorna ao Brasil após quatro meses nas Malvinas

26 de maio de 2020

Por Redação

Depois de quatro meses nas Malvinas/Ilhas Falklands, isolada da pandemia do covid-19, a Família Schurmann está de volta ao Brasil. Vilfredo e Wilhelm Schurmann e Erika Cembe-Ternex ancoraram o veleiro Kat na semana passada na Marina Itajaí, em Santa Catarina.

Confira fotos dos Schurmann nas Malvinas/Ilhas Falklands

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    Família Schurmann em West Falkland
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    Vilfredo Erika e Wilhelm em West Falkland
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    Veleiro Kat nas Ilhas Falklands Malvinas
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    Vilfredo Schurmann em West Falkland
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    Vilfredo Schurmann em West Falkland
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    Wilhelm Schurmann em West Falkland
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    Wilhelm Erika e Vilfredo em West Falkland
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    Wilhelm e Vilfredo Schurmann em West Falkland
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    Wilhelm e Vilfredo Schurmann em West Falkland

 

O grupo partiu do Brasil em janeiro com a intenção de voltar, no máximo, em março. Com a pandemia e as orientações da Organização Mundial da Saúde, no entanto, Vilfredo (que faz parte do grupo de risco), o filho Wilhelm e a nora Erika optaram em ampliar a estadia em Falklands/Malvinas.

“Ficar isolado a bordo fez do mar o local mais seguro naquele momento. Foram raríssimos o contato – mesmo que apenas visual e a distância – com outras pessoas. Lá, nossos companheiros eram pinguins, focas, albatrozes, golfinhos e outros animais”, conta Vilfredo.

A pandemia nas Malvinas/Ilhas Falklands

Com uma população de aproximadamente 3 mil pessoas, as Falklands/Malvinas registraram apenas 13 casos de covid-19, todos curados até o retorno da Família Schurmann ao Brasil.

Os infectados tinham chegado da Europa. Permaneceram em isolamento e tratamento, ao mesmo tempo que medidas de segurança foram adotadas”, conta Vilfredo. “Em Porto Stanley, a maior cidade, as pessoas estão usando máscara e mantendo um distanciamento de pelo menos dois metros. No supermercado, entravam 15 pessoas, no máximo. Todos seguiram as regras e não houve falecimento na ilha”, acrescenta.

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Para o capitão da Família Schurmann, foi um grande privilégio de estar, nos últimos meses, em um local tão isolado do mundo. “Podíamos desembarcar na região das fazendas. Todas distantes uma das outras, com longos pastos e pessoas fechadas em suas casas. No total, caminhamos cerca de 200 quilômetros em meio a campos desertos”.

Para se alimentar no período em que estava nas Falklands/Malvinas , os Schurmann recorriam a mexilhões, trutas e algas comestíveis – além das frutas silvestres em terra. Enquanto pescavam estavam sempre “acompanhados, já que no mar e longe da ilha, mais de 100 navios pesqueiros reuniam uma população maior que a de terra.

“A pesca sustentável da lula, respeitando a natureza e os ciclos de reprodução, atrai um número muito grande de pescadores à região. Eles permaneceram o tempo todo em seus respectivos navios”, explica Vilfredo.

A volta ao Brasil

A Família Schurmann aproveitou uma janela meteorológica boa para voltar ao Brasil, já que a viagem de ida para as Falklands/Malvinas foi complicada. Ou melhor, foi terrível, nas palavras de Vilfredo.

“Seguramente, a mais dura já enfrentada em 36 anos de aventuras. Tempestades com ventos de 130 km/h e ondas enormes com mais de seis metros causaram avarias no veleiro Kat. Por isso, não podíamos deixar passar uma abertura de janela meteorológica como essa na hora de voltar.”

A navegação de volta para Brasil foi de nove dias e meio ininterrupta até Vilfredo e Wilhelm Schurmann e Erika Cembe-Ternex ancorarem o veleiro Kat na Marina Itajaí, em Santa Catarina.

Mundo paralelo

Depois de 6 mil milhas (cerca de 12 mil quilômetros) navegadas no primeiro quadrimestre do ano e uma viagem de nove dias e meio ininterrupta desde as Falklands/Malvinas. os Schurmann chegam ao Brasil como regressassem de um “mundo paralelo”.  Com a comunicação restrita e sem conexão de internet, a família sabia da gravidade da situação, mas só agora estão diante de um turbilhão de informações e um cenário mais claro da real – e triste – situação no país e no mundo.

“É muito bom estar de volta e poder me comunicar por vídeo com meus filhos, netos, parentes e amigos. Mas o isolamento permanece e é necessário. Agora, estamos seguindo as medidas de distanciamento social, com a certeza de que essa tempestade vai passar. Ela é mais dura e cruel com muitos, infelizmente. Mas vai passar”, diz Vilfredo.

Uma vez no Brasil, o capitão da Família Schurmann pretende seguir escrevendo o livro inspirado na Expedição U-513 – Em Busca do Lobo Solitário, bem como no planejamento da expedição Voz dos Oceanos, que tem o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente como parceiro global.

A ideia deste último projeto é testemunhar e registrar, in loco, o que está acontecendo nos oceanos. Os Schurmann pretendem envolver cientistas, ambientalistas, empreendedores, ONGs e governos com propostas para reverter o cenário de destruição dos mares. A iniciativa envolve ainda ações de empreendedorismo e educação.

Família Schurmann e suas três voltas ao mundo

Em 1984, após dez anos de planejamento e preparativos, Vilfredo e Heloisa partiram de Florianópolis, em Santa Catarina, com os filhos Wilhelm, David e Pierre – na época, aos 7, 10 e 15 anos, respectivamente – com o objetivo de realizar um sonho: dar a volta ao mundo a bordo de um veleiro.

Em sua primeira grande aventura, eles passaram dez anos no mar e conheceram povos e culturas exóticas enquanto os meninos cresciam e estudavam a bordo. Em 1994, retornaram à terra natal e passaram a ser conhecidos como a primeira família brasileira a completar a volta ao mundo a bordo de um veleiro.

Em 1997, a Família Schurmann partiu para outra grande aventura. Dessa vez, com uma nova tripulante: a filha Kat, então com apenas 5 anos. A Magalhães Global Adventure foi acompanhada por milhões de pessoas no Brasil e em mais 43 países, via internet e TV. Depois de quase dois anos e meio no mar, o veleiro dos Schurmann chegou a Porto Seguro, na Bahia, em 22 de abril de 2000, para participar das comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil.

Em 2014, a Família Schurmann embarcou no novo veleiro Kat, retornando aos mares e oceanos durante a Expedição Oriente. A volta ao mundo foi concluída em 10 de dezembro de 2016, quando a tripulação ancorou na Marina Itajaí, em Santa Catarina, após mais de 800 dias em locais como a Antártica e a China.

Fotos de navios e destroços no fundo do mar

O Rota de Férias separou fotos de navios e destroços no fundo do mar. Confira aqui: