Crédito: Paulo Basso Jr.

Entre o Mar Vermelho e o deserto laranja

23 de dezembro de 2017

Por Paulo Basso Jr.

Pouco mais de 100 km ligam Petra a Aqaba, a janela da Jordânia para o Mar Vermelho, no sul do país. Pontuado por resorts de grifes como InterContinental, Mövenpick e Kempinski, esse balneário chique com ares ocidentais só faz o visitante lembrar que está no Oriente Médio quando se avistam os minaretes da belíssima mesquita Sharif Ali bin al-Hussein.

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Ou então o mercado (souk), onde é uma delícia se perder em meio aos lenços vermelhos e brancos usados como turbantes pelos homens e às pashiminas coloridas que vestem as mulheres, além de sentir os romas de café com cardamomo (orgulho nacional), tâmaras e uma série de temperos de dar água na boca.

Banhada pelo Mar Vermelho, Aqaba conta com praias bonitas e ótimos pontos de mergulho. Uma boa dica por lá é alugar uma lancha e seguir rumo a corais repletos de peixes coloridos. O tour pode incluir equipe de navegação e até mesmo refeições árabes servidas a bordo. E enquanto se prova carne de cordeiro grelhada com ótimas saladas, observam-se, de uma só vez, trechos do litoral de Arábia Saudita, Egito, Israel e Jordânia, este último marcado pela presença de uma grande bandeira da Revolta Árabe.

Paulo Basso Jr.
Mergulho no Mar Vermelho

Para os entusiastas de história – e cinéfilos –, essa revolução faz lembrar o nome de T. E. Lawrence, oficial do exército britânico cujas façanhas tornaram-se populares graças ao filme Lawrence da Arábia (1962). Durante o levante ocorrido na região durante a Primeira Guerra Mundial, Lawrence se estabeleceu no deserto de Wadi Rum, a 50 km de Aqaba, cujos cenários classificou como “vastos, ecoantes e divinos”.

Hoje, quem vai á região pode confirmar que o militar britânico não exagerou. Fazer um passeio em caminhonetes 4×4 no deserto jordaniano é uma experiência única. O local conta com dunas enormes, pontes naturais e uma série de escarpas rochosas monolíticas.

Paulo Basso Jr.
Pôr do sol em Wadi Rum

O auge do tour se dá durante o pôr do sol, quando os guias fazem uma fogueira com gravetos para preparar chá e servi-lo aos visitantes. Ali, sentado em tapetes coloridos, bebericando a iguaria, é incrível ver como as areias e pedras enormes vão ganhando tons alaranjados que Photoshop nenhum é capaz de reproduzir.

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Depois do espetáculo da natureza, a pedida é jantar com muito conforto e exotismo em acampamentos beduínos tomados por tapetes e sofás aconchegantes. O menu inclui aperitivos árabes, carnes enterradas, chás deliciosos e narguilé para ser fumado em volta de fogueiras, já que faz muito frio à noite. Às vezes, músicos aparecem e animam os forasteiros com canções árabes, o que cria uma atmosfera ainda mais especial.

Também dá para passar a noite em tendas que mais parecem quartos de hotéis cinco estrelas. Ou então voltar para os resorts de Aqaba, onde inevitavelmente você se perguntará por que demorou tanto para descobrir a Jordânia.

Paulo Basso Jr.
Jantar em tenda no deserto

Obs: trecho de matéria publicada originalmente na revista Viaje Mais Luxo.