• Crédito: Heloísa Cestari

    Praia da Armação

  • Crédito: Heloísa Cestari

    Centro Histórico

  • Crédito: Heloísa Cestari

    Praia do Pinto

  • Crédito: Reginaldo Pupo / Agência Facto

    Camarão à Costa Brava

4 DIAS EM ILHABELA


PRAIAS, MERGULHOS EM NAUFRÁGIOS, BEACH CLUBS E RESTAURANTES SOFISTICADOS FAZEM JUS À BADALAÇÃO DO ARQUIPÉLAGO

1 º dia +

Mapa da sua rota

Praias do Sul

– Reserve o primeiro dia para explorar as praias da parte urbanizada ao sul de Ilhabela. Dá para percorrer todo este trecho dirigindo ou em ônibus regulares. Aí, é só escolher os pontos que mais tiverem a ver com o seu perfil. As praias da Feiticeira e do Curral, por exemplo, viram point de gente bonita durante o verão, quando o som não para durante o dia.

– A Praia da Feiticeira não tem quiosques, restaurantes, aluguel de acessórios nem sequer sombra natural, mas seus 250 m de faixa de areia com mar de tombo ficam incrivelmente lotados. E ainda servem de ponto de partida para quem deseja praticar rapel na Cachoeira dos Três Tombos – são apenas 15 minutos de trilha dentro de um condomínio.

– Quer mais infraestrutura? Então, prefira badalar na Praia do Curral, que abriga vários barzinhos e restaurantes entre seus costões de pedra e ainda reserva toques extras de glamour no seu lado direito, por conta da atmosfera criada pelo luxuoso DPNY Beach Hotel. Na alta temporada, seu clube homônimo promove festas memoráveis animadas por DJs internacionais.

– Logo adiante, a Praia do Veloso desponta com proposta completamente diferente. Sua orla – assim como a da belíssima Praia do Julião – é perfeita para famílias em busca de sossego e praticantes de trekking, já que é de lá que parte a trilha para a Cachoeira do Veloso. Se este é o seu destino, estacione no camping em frente à praia e pergunte pelo caminho aos moradores, pois não há placas se sinalização. A caminhada dura aproximadamente 40 minutos, em trilha de dificuldade média, até a bela queda d’água, de 60 m de altura. Na dúvida, contrate o serviço de um guia.

– Também não faltam opções para uma boa refeição, como o Cumbuca da Ilha, no centro, e o Nova Iorqui, que fica no final do asfalto ao sul de Ilhabela.

Naufrágios

– Também é no litoral sul de Ilhabela que se concentra a maior parte dos destroços de navios naufragados que, hoje, são alvo de mergulhadores. Um dos locais mais procurados para essa atividade é a Reserva Marinha da Ilha das Cabras. Para conferir a rica vida marinha do arquipélago, vale fazer umas aulinhas na principal escola do gênero, conhecida nacionalmente por dar cursos também para cegos.

– Se você prefere conferir as histórias de corsários, tesouros submersos e até de OSNIS (Objetos Submarinos Não Identificados) em terra firme, a alternativa é fazer uma visita ao Museu Náutico, que guarda mais de 1.500 peças de navios naufragados, como o lendário Príncipe das Astúrias, fabricado no mesmo estaleiro do Titanic. Há desde âncoras e artefatos de bronze até cristais, porcelanas e talheres de prata do século 18.

– Por fim, siga até o mirante na Praia das Pedras Miúdas para contemplar o sol se pondo por trás da Ilha das Cabras. Um cenário digno de ficar para sempre na memória.

* Todos os roteiros indicados foram visitados pela equipe de reportagem do Rota de Férias.
2 º dia +

Mapa da sua rota

Praias do Norte

– Quem desce da balsa em Barra Velha e vira à esquerda após a rotatória, no sentido norte, é surpreendido com diversos cenários de beleza ímpar. É nessa direção que fica o centrinho da cidade, chamado de Vila, com uma infinidade de lojas, bares, sorveterias e restaurantes para todos os perfis de paladar. E é também nesse sentido que se encontram algumas das praias mais cobiçadas.

– A primeira que se avista logo após a Piúva é a Praia do Perequê, que também dispõe de um centro comercial. É raro ver alguém tomando banho ali, mas a orla serve de ponto de partida para passeios de caiaque, bicicleta e até de barco para o outro lado da ilha.

– Para quem quer doses extras de glamour, no entanto, a dica é seguir mais alguns quilômetros até o Saco da Capela, que tem uma boa variedade de quiosques, como o Manapani, e dois clubes (o Pindá Iate, com embarcações menores que as do Yacht Club, e o Sea Club, que promove baladas vespertinas com um quê de requinte à beira-mar).

– Depois da Vila, vêm as orlas de Saco do Indaiá, Santa Tereza – endereço do estrelado restaurante Marakuthai e ótimo ponto para comprar peixe fresco direto dos pescadores –, as tranquilas Viana, Siriúba e, por fim, a misteriosa Garapocaia, também chamada de Praia da Pedra do Sino devido ao som que as rochas emitem quando alguém lhes dá uma pancada. Vale arriscar uma martelada para ouvir o repicar dos sinos.

– Mas se você faz parte do time de turistas que gostam de se deixar levar ao sabor dos ventos, avance mais um pouco de carro até a Praia da Armação. A natureza ali é perfeita para as práticas de wind e kitesurfe. Não à toa, suas areias servem também de sede para a escola de vela BL3. E ainda há alguns balanços improvisados com pneus e a singela Capela da Imaculada Conceição abrilhantando o cenário.

– Na hora do almoço, vá ao Marina Porto e experimente o poke, especialidade havaiana que consiste em cubos de atum e Gohan (arroz japonês) temperados com algas e nozes picadas. Na versão local, a taça é complementada com salmão ou peixe branco, shimeji, cebola roxa, pepino, algas em tiras, cebolinha, inamona e triângulos de wonton.

– Para terminar de desbravar a face urbanizada de Ilhabela com chave dourada, vá além de onde o vento faz a curva – e o asfalto vira terra – para conhecer a mais bela e distante praia com acesso pela avenida da orla: a do Jabaquara, cujo panorama, visto do mirante ao lado da estrada, forma um dos cenários mais incríveis do litoral paulista. Lá não tem casas nem condomínios, apenas a natureza em estado bruto. Só um restaurante serve de apoio aos turistas, que também podem chegar de barco, para escapar do trânsito intenso na alta estação.

– À noite, passeie pela Vila – como é chamado o centro histórico de Ilhabela. Dá para fotografar algumas construções antigas, tomar um café na livraria Ponto da Letras ou no eclético Free Port, comprar artesanato nas lojinhas e comer um petisco nas concorridas mesinhas ao ar livre do Bar SP.

– Na hora que a fome apertar, saboreie um sanduíche do Borrachudo regado por algum destaque da carta de cervejas ou surpreenda a cara-metade com um romântico jantar para gourmet nenhum botar defeito no Il Capitano, onde o autodidata Fabio Piscioto conversa com os clientes nas mesas e literalmente põe a mão na massa.

– O único dissabor é que, no auge do verão ou quando está rolando algum evento importante na ilha, fica difícil estacionar o carro na Vila e até mesmo caminhar no meio de tanta gente. Mas, para quem gosta de badalação, isso também é um prato-cheio.

* Todos os roteiros indicados foram visitados pela equipe de reportagem do Rota de Férias.
3 º dia +

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Castelhanos

– Enquanto a face da ilha virada para o Canal de São Sebastião concentra toda a estrutura de hotéis e restaurantes, é no lado de mar aberto, isolado e com difíceis acessos, que ficam as praias mais selvagens de todo o arquipélago. A começar pela orla de Castelhanos, que é quase deserta e oferece boas ondas para os surfistas de plantão.

– Como o acesso é remoto, os turistas podem chegar de barco, bicicleta, a cavalo ou em veículos 4×4 que percorrem a trilha de 22 km em meio à Mata Atlântica protegida pelo parque. É para lá que a maioria dos passeios organizados por agências de turismo local segue.

– Normalmente, o grupo é dividido em dois: metade vai de jipe e retorna em escunas que contornam a ilha e param para um mergulho nas praias da Fome e do Saco do Eustáquio, e a outra metade vai de barco e retorna em veículos com tração nas quatro rodas. Outra alternativa de acesso é uma trilha árdua, de sete horas, a partir do Bonete.

– A aventura que mistura estrada e barco dura o dia inteiro, com saída às 10h e retorno por volta das 18h. Mas é bom agendar com antecedência ou chegar cedo se for em veículo próprio, pois no último verão a prefeitura estabeleceu um limite diário de jipes de agências e carros particulares que podem percorrer o trajeto.

– Se restar fôlego na chegada a Castelhanos após uma hora e meia de solavancos dentro de um 4×4, ainda é possível caminhar até as praias Mansa e Vermelha ou, no Canto do Ribeirão, iniciar uma trilha de 2 km que leva até a Cachoeira do Gato, onde a água escorre por um paredão de 80 m de altura até um pequeno poço.

– Os aficionados por mergulho com cilindro, por sua vez, podem submergir à procura do mais famoso naufrágio da costa de Ilhabela: o do navio espanhol Príncipe das Astúrias, que afundou em 1916 na Baía dos Castelhanos, com 590 marinheiros a bordo. Destes, 477 morreram. Os corpos, carregados pela maré, foram parar na praia.

– Ilhabela, aliás, é um cemitério de embarcações naufragadas. Mas reserve ao menos um tempinho para relaxar na longa faixa de areia de Castelhanos enquanto contempla o mar de águas claras, bom para o surfe, ou se refresca na lagoa formada por um riozinho no lado direito da praia.

– À noite, recompense a energia gasta no decorrer do dia com um belo jantar no centro histórico. Opções gastronômicas à altura das belezas de Ilhabela não faltam por ali.

* Todos os roteiros indicados foram visitados pela equipe de reportagem do Rota de Férias.
4 º dia +

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Bonete

– Se você gosta de natureza e doses extras de aventura, reserve o último dia para ir até a Praia do Bonete. Assim como Castelhanos, ela fica no lado selvagem da ilha. São quase 12 km de trilha a partir da Ponta da Sepituba, passando pelo Parque Estadual de Ilhabela e por três cachoeiras de águas cristalinas. A caminhada dura de quatro a cinco horas, mas também dá para ir pelo mar, a bordo de canoas caiçaras, lanchas ou flexboats.

– Trocando em miúdos, não é nada fácil ir para Bonete, as condições climáticas têm que estar favoráveis e pouca gente segue até lá. Mas quem alcança o destino encontra uma praia de cinema, cercada de costões rochosos, com 800 m de orla, um rio do lado esquerdo e ondas tubulares, perfeitas para os surfistas de plantão.

– Para completar o belíssimo cenário, há sempre uma ou outra canoa da comunidade caiçara que vive lá, sem sinal de celular e outras comodidades. Até a energia elétrica é gerada a partir de uma pequena usina que usa a água de uma cachoeira próxima dali. Para os turistas, uma chance e tanto de se desconectar do estresse cotidiano.

* Todos os roteiros indicados foram visitados pela equipe de reportagem do Rota de Férias.

Serviços

Restaurantes+

Marina Porto Ilhabela (http://www.marinaportoilhabela.com.br/)

Além de abrigar iates, eventos e um beach club, o espaço serve de pit stop para uma boa refeição. Entre as opções do bistrô, vale pedir o sofisticado poke havaiano.

Il Capitano (http://www.pastadelcapitano.com.br/)

O italianíssimo menu é farto em massas elaboradas pelo “capitão” Fabio Piscioto, a exemplo do penne com alcachofras e do espaguete com frutos do mar. Tudo acompanhado por uma excelente carta de vinhos.

Cumbuca da Ilha (https://www.facebook.com/cumbucadailha)

A Moqueca Caiçara, a Caldeirada de Frutos do Mar, o peixe assado e a picanha no recheaud são quatro musts deste restaurante muito bem localizado a avenida que beira o mar.

Marakuthai (http://www.marakuthai.com.br/)

Único estrelado da ilha, seu menu mistura ingredientes caiçaras com inspiração tailandesa. Prove as tirinhas de filé-mignon em molho picante de curry vermelho com arroz de jasmim e farofa de banana.

All Mirante (http://www.allmiranteilhabela.com.br/)

Fica em Borrifos, ao sul da ilha, afastado do centro e das praias mais badaladas, mas só a incrível vista panorâmica já compensa ir até lá. É especializado em pescados. Para você não perder a viagem, ligue antes para confirmar se estão mesmo funcionando.

Nova Iorqui (http://www.novaiorqui.com.br/)

Fica no final do asfalto ao sul da ilha, longe do centro e das praias mais badaladas, mas as delícias do menu (como o Lambe Lambe, a Caldeirada Mediterrânea e a Anchova Caiçara) compensam ir até lá. Para não perder a viagem, ligue antes.

Borrachudo (http://www.borrachudo.com.br/)

Tem os melhores sanduíches da ilha, uma carta de cervejas com 30 rótulos e fica bem no centro da Vila, características que o transformaram num dos mais badalados pontos de encontro tanto de turistas quanto de nativos.

Hotéis+

Caravela Pousada & Villas (http://www.booking.com/hotel/br/caravela-pousada-amp-villas-siriuba.pt-br.html)

O grupo tem pousadas em Barra Velha, Perequê e Siriúba. Nesta última, há piscinas, bosques, corredeiras, uma capela centenária e casas espaçosas, como a Vila do Rei, de 180 m², que recebeu o rei Carlos da Suécia e sua esposa, Sílvia, em 1998.

Barra do Piúva Porto Hotel (http://www.booking.com/hotel/br/barra-do-piuva-porto.pt-br.html)

É perfeito para casais, com uma vista deslumbrante do mar, e fica a apenas 2 km da chegada da balsa. A área de lazer conta com piscina e jacuzzi aquecida de frente para a praia, sauna, academia, wi-fi e restaurante de inspiração mediterrânea.

Ilhabela Beach Alemão (http://www.booking.com/hotel/br/pousada-do-alemao.pt-br.html)

É uma opção econômica para quem quer ficar hospedado próximo às badaladas praias do Curral e da Feiticeira.

DPNY (http://www.booking.com/hotel/br/dpny-beach.pt-br.html)

Tem spa, alta gastronomia, bosque, náutica e um badalado beach club na Praia do Curral.

Pousada do Fort (http://www.booking.com/hotel/br/pousada-do-fort.pt-br.html)

É uma alternativa econômica para quem prefere ficar em São Sebastião e pegar a balsa para fazer passeios em Ilhabela durante o dia. Tem suítes climatizadas com TV e wi-fi.

BALSA+

FUJA DAS FILAS (http://dersa.sp.gov.br/)

O trajeto de balsa entre São Sebastião e Ilhabela dura meros 20 minutos, mas pode ter filas quilométricas no verão ou em feriados prolongados. Para quem não quer ficar duas, três, até quatro horas esperando para embarcar, a alternativa é agendar a travessia pelo site da Dersa (clique na seta ao lado do título), que tem a tabela com todos os preços. Só que a tarifa fica bem mais cara quando o trajeto é agendado.

QUANDO IR+

MELHOR ÉPOCA

Ilhabela recebe mais de 400 mil pessoas no verão. O resultado são longas filas na balsa, trânsito nas poucas avenidas da ilha e preços nas alturas. Em compensação, os bares e restaurantes passam a funcionar todos os dias e há muita gente bonita nas praias, nos beach clubs e nos barzinhos da Rua do Meio, no centrinho da Vila. Se você não aprecia tanto burburinho, prefira visitar o arquipélago na baixa temporada, quando os preços caem e o trânsito flui fácil, especialmente nos meses de fevereiro, março e de setembro a dezembro. Em julho e agosto, apesar do frio, o movimento de visitantes cresce impulsionado por grandes eventos, como a Semana Internacional de Vela, o Festival de Jazz e o Festival do Camarão.

CURIOSIDADES+

PIRATAS

Reza a lenda que Bonete foi a praia escolhida como morada pelo inglês Thomas Cavendish, um dos mais temidos piratas que já passaram pela costa brasileira. Ele incendiou Santos no Natal de 1591 e teria se refugiado em Ilhabela antes de ser enforcado pelos próprios marujos, que preferiram ficar na ilha a seguir com ele para outras aventuras. A história é tão contada na região que muita gente acredita que os caiçaras de cabelos loiros e olhos claros, comuns em Bonete, descendem desses tripulantes rebelados.

ESPORTES

Ilhabela oferece recantos ideais para as práticas de esportes náuticos (não à toa, a Semana de Vela, em julho, é um dos eventos mais badalados da cidade), birdwatching (observação de pássaros), trekking e rapel em cachoeiras, faça chuva ou sol. Basta escolher a atividade que mais lhe agrada e se munir de repelente para desbravar tudo antes que os borrachudos o descubram.

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