Crédito: Pixabay

Covid-19: brasileiros ficam presos na África do Sul

27 de março de 2020

Por Luchelle Furtado

Desde 22 de março, uma série de voos partindo da África do Sul com destino ao Brasil foi cancelada pelas companhias aéreas que operam este trecho. A medida, adotada por conta da pandemia da covid-19 ao redor do mundo, afetou uma série de brasileiros que estão no país e não conseguem voltar para casa.

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A maior parte dos casos estão relacionados a cancelamentos de voos da Latam Airlines. Isso porque a companhia aérea interrompeu todos os trechos programados entre 22 e 29 de março, deixando mais de 200 brasileiros ilhados no país.

Inicialmente, a empresa providenciou acomodação para parte dos passageiros que estavam nos voos agendados para 22 e 23 de março. No entanto, na última segunda-feira (23/3), o presidente da África do Sul decretou lockdown, que começou a valer em 26 de março, e proibiu qualquer tipo de deslocamento.

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Atualmente, os brasileiros que tentam entrar em contato com a companhia aérea encontram o escritório no aeroporto de Joanesburgo fechado. Além disso, os canais de atendimento por telefone têm espera de mais de 40 minuto até que a ligação caia.

Desde o início dos cancelamentos, o grupo de brasileiros em situação de imobilidade da África do Sul tem se mantido em contato com a Embaixada do Brasil em território africano. A entidade está tentando negociar com a Latam uma solução para que as pessoas sejam retiradas do país.

Situação dos brasileiros

Segundo relatos levantados pelo Rota de Férias, alguns brasileiros presos na África do Sul estão tendo que pagar hotéis por conta própria. A reportagem  conversou com um deles, o biólogo pós doutorando na Universidade de Cape Town e na UFRJ Ricardo Couto.

Divulgação
Ricardo Couto em foto tirada na África do Sul | Divulgação
Ricardo Couto, em foto tirada na África do Sul

O lockdown entrou em vigor na África do Sul em 26 de março. Como está sendo a movimentação de vocês e quais as medidas estão sendo tomadas?
Todos estão um pouco preocupados com o lockdown. Não poderemos sair na rua e não haverá transporte. Hoje, alguns brasileiros foram aos mercados para garantir alguma comida para os dias de quarentena. Apenas para ter algo extra além das refeições do hotel, por segurança.

Qual é o suporte que vocês receberam da Latam, já que tiveram os voos cancelados e estão sem previsão de quando retornarão ao Brasil?
Vários brasileiros estão desassistidos, sem hotel fornecido pela Latam ou qualquer outro apoio. A previsão, no momento, se tudo correr bem, seria de retornar em 30 e 31 de março. Entretanto, diversas tratativas entre os governos do Brasil e da África do Sul ainda devem ser concluídas. Esses voos ainda estão em trâmites governamentais de resolução. A embaixada brasileira está trabalhando nisso juntamente ao governo da África do Sul e o governo brasileiro. Nós ainda não temos uma confirmação oficial. O que a embaixada nos comunicou é que está tudo encaminhado para que isso ocorra nessas datas.

Que outro tipo de ajuda a embaixada está oferecendo?
Ontem, o embaixador visitou o hotel com o maior número de brasileiros para esclarecer toda essa situação. Ele veio aqui justamente por não saber como vai ser essa situação depois do lockdown. Nessa visita, ele passou o que estava sendo feito e deixou mais um canal aberto. Nós estamos em contato com pelo menos dois diplomatas da equipe, que estão tomando as medidas necessárias. Apesar das informações ainda não serem oficiais, ele esclareceu que estão trabalhando para que esses voos dos dias 30 e 31 sejam operados como planejado.

O lockdown prejudicou também a mobilidade de vocês no país, como a circulação de ônibus?
Com o lockdown, não há circulação de transportes não autorizados. Isso impacta principalmente os brasileiros que não estão em Johanesburgo, que não conseguirão vir para cá para pegar um possível voo.

Caso não consigam embarcar nos próximos dias, quais medidas serão tomadas?
Não sabemos. Não temos nenhuma garantia do que ocorrerá caso não embarquemos nos dias 30 e 31. Não sabemos se teremos onde ficar. Há muita apreensão no momento.

Quantos brasileiros estão nessa situação?
São cerca de 250 brasileiros. Acredito que aproximadamente um terço possa estar enquadrados em grupos de risco em relação ao covid-19.

LATAM

Procurada pela reportagem, a LATAM informa que vem operando, desde meados de março de 2020 e de forma reduzida, a rota entre São Paulo e Joanesburgo, após as restrições impostas pelo governo sul-africano que impediu a entrada de estrangeiros provenientes de países considerados de alto risco. A partir do dia 26 de março, o governo local estabeleceu o fechamento total das fronteiras para entrada de qualquer pessoa.

A companhia anunciou que está mobilizada e em contato constante com as autoridades locais em um grande esforço para viabilizar o quanto antes o retorno desses passageiros ao Brasil.

Fotos da África