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Qulal é a cidade mais antiga do mundo continuamente habitada?

Entre as cidades que reivindicam origens remotas na história da humanidade, poucas despertam tanto debate quanto Damasco, capital da Síria. Situado no sudoeste do país, próxima à fronteira com o Líbano e a cerca de 80 km do Mar Mediterrâneo, o local é frequentemente citado em livros de história, reportagens e guias internacionais como um dos candidatos ao título de cidade mais antiga do mundo continuamente habitada. A fama não surgiu por acaso: registros arqueológicos e textos históricos indicam presença humana na região há milênios.

A área onde hoje se encontra Damasco é habitada há pelo menos quatro mil anos, segundo escavações arqueológicas e análises históricas. Documentos egípcios do século 15 a.C. já mencionam um importante centro urbano chamado “Dimashq”, que muitos historiadores associam diretamente à cidade atual.

Essa longa ocupação se explica em grande parte pela geografia. Damasco nasceu em um ponto estratégico no oásis de Ghouta, alimentado pelo rio Barada. Em uma região marcada por áreas semiáridas, a presença constante de água permitiu o desenvolvimento de agricultura e comércio. Ao longo dos séculos, caravanas que cruzavam o Oriente Médio passaram por ali, transformando a cidade em um elo entre rotas comerciais que ligavam o Mediterrâneo, a Mesopotâmia e a Península Arábica.

Hoje, no entanto, conhecer esse cenário histórico pessoalmente não é simples. Desde o início da guerra civil síria, em 2011, a região enfrenta instabilidade política, destruição de infraestrutura e tensões militares. Por isso, não é seguro visitar o país atualmente, o que faz com que boa parte do patrimônio histórico de Damasco permaneça inacessível para turistas estrangeiros.

O cenário bélico também dificulta a realização de análises modernas por parte dos historiadores, o que amplifica as incertezas em relação ao título de cidade mais antiga do mundo continuamente habitada. Algumas correntes defendem que outras regiões do Oriente Médio, como Jericó e Biblos, deveriam ser alçadas a esse posto. Ainda assim, Damasco permanece como uma das candidatas mais fortes, sustentada por uma sequência histórica rara de ocupação urbana que atravessa impérios, religiões e civilizações.

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Damasco: a cidade mais antiga do mundo continuamente habitada?

Qulal é a cidade mais antiga do mundo continuamente habitada?
Grande Mesquita dos Omíadas, em Damasco

?A história de Damasco se entrelaça com alguns dos capítulos mais importantes da civilização humana. Ao longo de milênios, a cidade foi governada por arameus, assírios, persas, gregos, romanos, bizantinos, árabes e otomanos, entre outros povos. Cada um deixou marcas visíveis na arquitetura e na cultura local.

Durante o período romano, iniciado no século 1 a.C., Damasco ganhou avenidas monumentais, templos e portões fortificados. Parte dessa estrutura urbana ainda pode ser reconhecida no traçado da chamada Rua Direita, via histórica mencionada inclusive na Bíblia e que atravessa o coração da Cidade Antiga.

Com a expansão islâmica no século 7, a cidade tornou-se capital do poderoso Califado Omíada. Foi nesse período que surgiu uma das construções mais emblemáticas do Oriente Médio: a Grande Mesquita dos Omíadas, erguida no local onde antes existiam um templo romano dedicado a Júpiter e uma basílica cristã.

Nos séculos seguintes, Damasco permaneceu como um importante centro cultural e comercial do mundo islâmico. Mercados tradicionais, palácios e caravançarais surgiram ao redor da cidade antiga, consolidando um cenário urbano que, durante séculos, atraiu comerciantes, estudiosos e viajantes.

O que ainda existe da antiguidade em Damasco

Qulal é a cidade mais antiga do mundo continuamente habitada?
Souk em Damasco

Apesar das transformações inevitáveis ao longo de milênios, a Cidade Antiga de Damasco preserva uma quantidade notável de vestígios históricos. Em 1979, a área foi reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, justamente por sua importância cultural e arqueológica.

Entre os marcos mais conhecidos estão os portões históricos das muralhas, como Bab Sharqi, Bab Touma e Bab al-Salam. Essas entradas da cidade fortificada remontam em parte ao período romano, embora tenham sido reconstruídas diversas vezes ao longo da história.

Outro destaque é a própria Grande Mesquita dos Omíadas, uma das mais antigas e importantes do mundo islâmico. O edifício atual data do século 8, mas o local reúne camadas sucessivas de história religiosa: primeiro um templo romano, depois uma igreja cristã e, finalmente, a mesquita.

Os souks históricos, ou mercados de rua, também preservam a atmosfera das antigas rotas comerciais. O Souk al-Hamidiyah, por exemplo, continua sendo um dos mais conhecidos da cidade. Em tempos de estabilidade, ele era um dos lugares mais visitados por turistas no Oriente Médio. Atualmente, no entanto, o fluxo internacional de visitantes é praticamente inexistente por causa das recomendações de segurança emitidas por diversos países.

Cidade Antiga de Damasco

Qulal é a cidade mais antiga do mundo continuamente habitada?
Damasco, a provável cidade mais antiga do mundo continuamente habitada

O núcleo histórico da provável cidade mais antiga do mundo ainda habitada é um labirinto de ruas estreitas, pátios escondidos e construções que misturam diferentes períodos históricos. Muitas casas tradicionais datam dos séculos 17 e 18, com pátios internos, fontes e jardins que refletem a arquitetura doméstica típica do mundo árabe.

Apesar das modernizações inevitáveis, caminhar pela Cidade Antiga sempre foi uma forma de perceber as camadas da história acumuladas ao longo dos séculos. Arcos romanos, paredes ancestrais e estruturas medievais surgem entre mercados e residências, revelando como diferentes períodos históricos permanecem visíveis no tecido urbano.

Um dos pontos mais citados por historiadores é a Rua Direita, originalmente uma avenida romana que atravessava a cidade de leste a oeste. Hoje ela continua existindo, embora bastante modificada ao longo dos séculos.

Escavações arqueológicas revelaram trechos de colunas e estruturas que indicam a monumentalidade original da via. No período romano, ela era ladeada por pórticos e edifícios públicos, servindo como eixo principal da cidade. Embora a rua atual não mantenha exatamente o mesmo aspecto da antiguidade, o traçado permanece praticamente o mesmo, demonstrando a continuidade urbana de Damasco ao longo de dois mil anos.

Jericó e Biblos na briga

Qulal é a cidade mais antiga do mundo continuamente habitada?
Jericó, na atual Cisjordânia

Embora seja grande a soma de indícios que levam a maioria dos historiadores a apostar que Damasco é a cidade mais antiga do mundo continuamente habitada, há quem defena que Jericó, na palestina Cisjordânia, ou Biblos, no Líbano, deveriam ocupar esse posto.

Jericó, por exemplo, apresenta evidências arqueológicas de ocupação humana há cerca de 10 mil anos. Biblos também reivindica continuidade urbana desde a antiguidade. A diferença é que, ao contrário de Damasco, que essas cidades passaram por períodos de abandono ou drástica redução populacional, o que torna o debate complexo entre arqueólogos e historiadores.

Outro mito comum é imaginar que toda a estrutura urbana de Damasco tenha permanecido intacta desde a antiguidade. Na prática, a região foi reconstruída diversas vezes após guerras, incêndios e transformações políticas. O que existe hoje é um mosaico de períodos históricos sobrepostos, e não um cenário congelado no tempo.

Hoje, além das transformações naturais de qualquer cidade milenar, Damasco enfrenta um desafio adicional: os impactos recentes da guerra civil síria. Embora algumas áreas da capital estejam mais estáveis do que em anos anteriores, organizações internacionais e governos continuam recomendando evitar viagens turísticas ao país por questões de segurança.

Ainda assim, poucos lugares no planeta conseguem reunir tantos séculos de ocupação urbana contínua. Por isso, mesmo com debates acadêmicos sobre o título exato, Damasco permanece como um dos exemplos mais impressionantes da capacidade humana de construir, destruir e reconstruir cidades ao longo da história.


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