Crédito: Paulo Basso Jr.

Chess Records: conheça o templo do blues em Chicago

11 de dezembro de 2018

Por Paulo Basso Jr.

Durante uma visita a Chicago, nos Estados Unidos, talvez apenas os grandes fãs do Rollings Stones se atentem ao endereço 2.120 South Michigan Avenue. O local, que empresta o nome a uma música da banda de rock britânica, é o palco principal da Chess Records, a mais célebre gravadora de blues de todos os tempos.

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Atualmente em fase de restauração, com o objetivo de um dia voltar a atrair grandes artistas, o estúdio, que também funcionou em outros prédios da região, está aberto a visitas. O espaço funciona hoje como sede da Willie Dixon’s Blues Heaven Foundation, fundação criada pela viúva de Dixon para manter viva a memória do baixista, um dos mais celebrados de todos os tempos.

Chess Records: tour

O tour, que custa US$ 15, é comandado por um guia que, com a ajuda de um smartphone e uma caixinha de som sem fio, conta a história do local ao ritmo dos grandes nomes que gravaram por lá. A Chess começou sua trajetória em meados dos anos 1950, quando uma enorme recessão americana forçou muitos migrantes do sul dos Estados Unidos a rumarem para o norte em busca de uma vida melhor.

Paulo Basso Jr.
Estúdio de Blues em Chicago
Guitarra assinada por Buddy Guy exposta na Chess Recordes

Na bagagem, eles carregaram instrumentos e a alma do blues, que já fazia sucesso nos arredores do Mississípi com toda a sua melancólica, mas explodiu em Illinóis quando foi potencializado com a ajuda de amplificadores e guitarras elétricas. Foi assim que surgiu o que passou a ser chamado de chicago blues.

De olho naquela movimentação, os irmãos poloneses Phil e Leonard Chess abriram as portas de seu estúdio, situado ao sul da Michigan Ave, para os artistas que se apresentavam nos clubes locais. Com o tempo, Willie Dixon foi convidado para ser um dos produtores da Chess, e aos poucos seus amigos começaram a chegar.

Grandes nomes do blues   

Bo Diddley, Howlin’Wolf, Koko Taylor, Muddy Waters, Budy Guy, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, Albert King e Etta James são alguns nomes que gravaram no estúdio de blues mais famoso do mundo. Os Rollings Stones também – o primeiro sucesso internacional da banda inglesa, It’s All Over Now, e a versão pioneira da icônica (I Can´t Get No) Satisfaction, saíram de lá.

Paulo Basso Jr.
Mural de Willie Dixon
Willie Dixon atuou como produtor e trouxe os amigos para o estúdio

Para se ter uma ideia da importância da Chess Records, Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, classificou o local em sua biografia como “solo sagrado”. Hoje, quem visita a fundação encontra um lugar simples, tomado por instrumentos, discos e roupas históricas usadas por alguns artistas.

O auge do passeio, que dura cerca de uma hora, se dá ao final, quando é possível acessar o estúdio com a sala de controle e alguns instrumentos usados pelos grandes nomes do blues que passaram por lá. Há fotos enormes de alguns deles na parede, como Dixon, Waters e Guy, o que cria uma atmosfera especial e faz todo mundo suspirar enquanto fecha os olhos e ouve Etta James entoar os versos de At Last, ali registrados para a eternidade.

Playlist da Chess Records

Paulo Basso Jr.
Gravadora de blues em Chicago
Estúdio da Chess Records

Confira aqui a playlist completa que rola durante o tour pela Chess Records. As músicas foram gravadas no estúdio ou serviram de inspiração para os artistas.

Quem quiser saber um pouco mais da história da casa também pode conferir o filme Cadillac Records, lançado em 2008.

Onde ouvir um bom blues em Chicago

Inspirado pelo passeio a Chess, é muito provável que você queira curtir o melhor do blues em Chicago durante a viagem para a Windy City. Há muitos clubes especializados no gênero que valem a visita por lá, com destaque para o Rosa’s Lounge, o Kingston Mines, o Buddy Guy’s Legends e o Green Mill Cocktail Lounge (este último foi muito frequentado por Al Capone e sua turma).