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Castelo de Praga tem muita história para contar

18 de agosto de 2017

Por Paulo Basso Jr.

A história do Castelo de Praga se confunde com a da própria capital checa. Por isso, o complexo nem se parece muito com um castelo, mas com uma cidadela com direito a 26 palácios, museus, convento, calabouços, ruas repletas de casinhas, jardins e uma enorme catedral.

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A construção começou a ser erguida por volta do século 10º pela família Premislida, que, por muitos anos, governou Praga. Depois de passar por inúmeras reformas que lhe concederam os mais variados estilos arquitetônicos, o castelo é usado até hoje como sede política do país. O atual presidente da República Checa ocupa com sua “turminha” nada menos que 850 salas do complexo.

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Catedral de São Vito, dentro do Castelo de Praga

 

Tudo no castelo é tão grande que existem quatro roteiros para visitá-lo. Sem pagar nada, dá para ver os dois pátios principais, antes góticos e hoje barrocos, a troca de guarda realizada todos os dias, os jardins que mais parecem labirintos (abertos apenas entre abril e outubro) e a magnífica Catedral de São Vito. Esta última merece um capítulo à parte, já que é o prédio mais esplendoroso de Praga. Com estilo que passa por todas as variações do gótico e flerta com o barroco e o renascentista, suas obras começaram em 1344 e só vieram a terminar no século 20. Lá dentro, encontram-se as joias da coroa checa, encerradas na parede e que só podem ser vistas pelo povo uma vez por ano (geralmente no verão), além de túmulos – um deles guarda o braço de São Vito – e capelas de santos cravejadas de pedras semipreciosas, como a de São Venceslau, o padroeiro da cidade.

Para ampliar a visita ao castelo, vale a pena comprar o circuito B, que é o mais barato e passa pelos pontos principais. Custa 250 coroas (cerca de 10 euros) e dá acesso ao Palácio Real, onde se destaca a Sala Vladislau com suas belíssimas abóbadas (de lá também foram atirados protestantes pelas janelas); ao Convento de São Jorge, hoje parte da Galeria Nacional de Arte; à Basílica de São Jorge e sua antiquíssima arquitetura românica; e ao Beco de Ouro, rua com casinhas coloridas onde moraram artilheiros, ourives, alquimistas e até mesmo o filho mais ilustre de Praga: Franz Kafka. O autor de “Metamorfose” e “O Processo”, entre outros livros, viveu entre os anos de 1916 e 1917 com sua irmã na pequenina casa de número 22 – hoje uma livraria dedicada ao famoso morador.

Paulo Basso Jr.
Casa onde morou Franz Kafka no Castelo de Praga

Ainda no Beco de Ouro, experimente subir uma das escadas rumo ao sótão que interliga as casas do lado esquerdo da rua. Lá, você verá as janelas usadas pelos artilheiros para guardar o castelo, além de armaduras, vestidos de época e até mesmo um espaço onde se pode atirar com balestras (espécie de arco-e-flecha em que o arco é, na verdade, uma espingarda). Mais medieval que isso só mesmo a Torre Dalibor, que fica ao fim do beco e serviu como prisão. A sinistra construção leva o nome de um preso que tocava violino para conquistar a simpatia do povo e, consequentemente, algum tipo de comida. Alguém aí falou que Praga era cheia de lendas?

De Neruda a John Lennon

Na saída do castelo, o visitante se depara com uma daquelas situações que só quem vai a Praga é capaz de entender: uma vista estonteante da cidade que, do nada, aparece em meio ao emaranhado de prédios históricos que se descortinam pela paisagem. Não podia haver convite melhor para seguir a caminhada em direção à Ponte Carlos. É possível ir pela esquerda, onde há uma escadaria que proporciona uma vista incrível, ou pela direita, via simpáticas ruas sinuosas. Tanto faz, como quase todas as bifurcações da região.

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O deslumbrante bairro de Malá Strana, ou Cidade Baixa de Praga

O bairro que separa o castelo do Rio Moldávia merece um passeio detalhado. Chamado de Malá Strana, ou Cidade Baixa, é a parte de Praga que mais se manteve no passado – e coloca passado nisso. Desde 1257, a região abriga povoados e recebe pessoas em volta de sua praça principal, onde desponta esplendorosa a Igreja de São Nicolau. Por 19 euros, dá para subir no mirante da construção barroca e ter uma ótima vista da cidade.

É verdade, porém, que torres não faltarão em seu caminho, já que Praga tem mais de 500 delas, embora modestamente seja conhecida como a Cidade das Cem Torres. Malá Strana é um ótimo lugar para se fazer compras, comer e beber cerveja, prática quase religiosa na República Checa. O bairro é repleto de lojas, tavernas e restaurantes, muitos deles espalhados pela Rua Nerudova, batizada assim em homenagem ao poeta Jan Neruda (cujo sobrenome foi adotado como pseudônimo pelo chileno Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto, mais conhecido como Pablo Neruda e fã declarado de Jan). A casa onde o poeta checo nasceu, de número 47, tem uma enorme placa referencial sobre a porta.

Paulo Basso Jr.
Detalhe pitoresco na entrada do museu Franz Kafka, em Praga

Rumo ao Rio Moldávia, o visitante ainda se depara com uma série de palácios, prédios históricos e com a Praça do Grão-Priorado, cujo prédio principal abriga o “Muro John Lennon”, espécie de templo com mensagens de paz (na verdade pichações) que, outrora, tinha uma imagem do líder dos Beatles. Isso sem falar na Igreja Nossa Senhora Vitoriosa, onde repousa uma estátua supostamente milagrosa do Menino Jesus.

Já às margens do rio que corta a cidade ao meio, aparece a charmosa Ilha Kampa, formada por um córrego no maior estilo Veneza, com direito a jardins e belas galerias. Se quiser dar uma de checo, vá até lá, sente-se na grama e deixe o tempo passar. Depois, dê um pulo no vizinho Museu Franz Kafka, inaugurado na região em 2005. Visitá-lo é fundamental para entender a obra do escritor e a atmosfera bucólica que reinava na Praga de sua época.

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Parte 3: Conheça a Ponte Carlos e o relógio astronômico de Praga
Parte 4: Onde tomar cerveja e curtir a noite de Praga

Obs: Trecho de matéria original publicada na Edição Especial República Checa e Alemanha, da Viaje Mais.