Crédito: Paulo Basso Jr.

Amã e Jerash, as portas de entrada da Jordânia

24 de dezembro de 2017

Por Paulo Basso Jr.

Para os brasileiros – que ainda precisam descobrir a Jordânia, muito visitada por alemães, ingleses e franceses –, o mapa da mina costuma ter início na capital, Amã.  É lá que fica o um tanto quanto bagunçado Aeroporto Internacional Queen Alia, onde chegam diariamente aviões vindos de Paris, Londres, Istambul, Dubai e outros lugares nos quais é possível fazer conexões a partir do Brasil.

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Apelidada de Cidade Branca pelo tom alvo das casas simples que se descortinam pelas colinas da região, Amã, na verdade, também é dourada. Ao menos no fim do dia, quando os raios do sol reluzem nas construções e dão corpo a uma paisagem belíssima.

Um bom lugar para observar essa variação de cores é a Cidadela. No alto de uma montanha, o local guarda ruínas romanas, bizantinas e islâmicas.

Paulo Basso Jr.
Vista do Anfiteatro Romano de Amã a partir da Cidadela

Enquanto passeia entre o que sobrou das colunas coríntias que sustentavam igrejas e templos históricos, como o de Hércules, construído durante o reinado do imperador romano Marco Aurélio (entre os anos 161 e 180), o visitante tem acesso a mirantes dos quais é possível observar boa parte da cidade – destaque para a vista do antigo Anfiteatro Romano, com capacidade para 6.000 pessoas e que até hoje serve de palco para apresentações.

Melhor do que ver Amã do alto, porém, é caminhar no labirinto de ruas comerciais da capital. Se o alfabeto árabe, o vaivém caótico de pessoas e o lixo que infelizmente se espalha em muitos pontos assusta no início, a cordialidade dos jordanianos, o burburinho das joias e a profusão de cores e aromas emanados das lojinhas logo deixam o visitante à vontade. Aos poucos, até mesmo as preces que ecoam cinco vezes por dia dos minares das mesquitas da cidade – como a belíssima Rei Abdullah I, pontuada por uma imensa cúpula azul –, convidando as pessoas a rezarem, deixam de impressionar.

Paulo Basso Jr.
Cidadela, em Amã

E foi assim, perdido em meio aos lenços vermelhos e brancos usados como turbantes pelos homens e às pashiminas coloridas que vestem as mulheres, além dos cheiros de café com cardamomo (orgulho nacional), tâmara e uma série de temperos, que fiz minhas compras: uma camisa da seleção de futebol da Jordânia e algumas especiarias para mim, um jogo de chá, mirra e cosméticos para minha esposa e uma pequena lâmpada do Aladim para meu sobrinho.

Em todas as lojas, a fórmula se repetiu. Um chá (muito bom) foi servido, o vendedor pediu para eu sorrir antes de anunciar o preço, eu comecei a barganhar, entramos em um longo processo de negociação e, pronto: negócio fechado. Só não deu para comprar mais porque logo descobri que a moeda jordaniana é valiosa e nada é muito barato por lá. Além disso, era preciso economizar, pois havia outros tesouros a serem descobertos no país…

Tempos romanos

Paulo Basso Jr.
Ruínas de Jerash, na Jordânia

Com hotéis luxuosos de redes internacionais, como Four Seasons e Grand Hyatt, além de várias opções econômicas, Amã também serve como base para uma série de passeios pela região. Para quem gosta de história, Jerash, que foi uma das cidades provinciais do Império Romano mais bem preservadas do mundo, em pleno Oriente Médio, é um prato cheio.

Há muito que ver por lá, como o Arco de Adriano, que marca uma das entradas do antigo povoado; o Hipódromo, que tinha capacidade para 15 mil pessoas; e o Templo de Zeus, que dá vista para a imponente Alameda das Colunas.

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Nada chama mais a atenção, porém, do que os teatros Norte e Sul. Neste último, homens trajados com uma vistosa túnica caqui presa a cintos e coletes vermelhos e com o famoso turbante vermelho e branco na cabeça, tal como os patrulheiros do deserto jordaniano, tocam músicas típicas e pousam para fotos. Tudo com extrema cordialidade, algo típico aos jordanianos.

Paulo Basso Jr.
Músico se apresenta para turistas em um dos teatros de Jerash

Obs: trecho de matéria publicada originalmente na revista Viaje Mais Luxo.