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Como um calendário antigo se transformou em uma das 7 maravilhas do mundo

  • Créditos/Foto:
  • 07/Abril/2026
  • Redação

Durante milênios, civilizações antigas tentaram compreender o tempo observando o céu. O movimento do sol, da lua e das estrelas ajudava a organizar colheitas, rituais religiosos e a própria vida cotidiana. Entre todos esses sistemas de análise a olho nu, poucos foram tão sofisticados quanto o desenvolvido pelos maias na Mesoamérica. Com conhecimentos apurados de astronomia, matemática e arquitetura, eles se destacaram na região onde fica o atual México e ergueram por lá uma das estruturas mais intrigantes do mundo antigo: El Castillo, a pirâmide central do sítio arqueológico de Chichén Itzá.

Mais do que um templo monumental, o edifício funciona como uma representação simbólica do calendário maia. Séculos depois de sua construção, a relação entre ciência, religião e engenharia que deu origem à edificação ajudou a posicioná-la como um dos sítios arqueológicos mais visitados do continente – ainda mais depois que, em 2007, Chichén Itzá foi eleita uma das 7 maravilhas do mundo pelo grupo New Seven Wonders of the World.

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Chichén Itzá, uma das 7 maravilhas do mundo

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Chichén Itzá

Erguida entre os séculos 9 e 12, a pirâmide de El Castillo foi construída durante o período de maior prosperidade de Chichén Itzá, uma das cidades mais influentes da civilização maia no norte da Península de Yucatán, no atual México. Naquele período, o local funcionava como um importante centro político, religioso e comercial, conectando diferentes regiões da Mesoamérica.

A estrutura tem cerca de 30 metros de altura e apresenta uma geometria cuidadosamente planejada. À primeira vista, parece apenas mais uma pirâmide de degraus típica da arquitetura mesoamericana. Quando observada com atenção, no entanto, revela um padrão numérico impressionante. Cada uma das quatro faces da edificação tem 91 degraus, e o templo localizado no topo completa a contagem total de 365 degraus.

O número não é coincidência. Ele corresponde aos 365 dias do ano solar, sugerindo que o edifício foi concebido como uma representação arquitetônica do ciclo anual e da relação entre a cidade e o movimento do sol.

A serpente de luz que aparece duas vezes por ano

Paulo Basso Jr.
Como um calendário se transformou em uma das 7 maravilhas do mundo
Cabeças esculpidas nas bases de uma das faces do El Castillo

A relação entre El Castillo e o calendário solar fica ainda mais evidente durante os equinócios (fenômeno astronômico que marca o início da primavera e do outono). Nessas datas, o posicionamento do sol projeta sombras triangulares nos degraus da escadaria norte da pirâmide. O efeito visual cria a ilusão de uma serpente ondulante que parece deslizar lentamente pela estrutura até alcançar a escultura de cabeça de serpente localizada na base da escada.

O fenômeno ocorre por causa do alinhamento preciso da pirâmide com o movimento solar. Esse efeito costuma ser associado à divindade Kukulkán, frequentemente representada como uma serpente emplumada na iconografia maia. Para muitos arqueólogos, a combinação de arquitetura, simbolismo religioso e observação astronômica mostra como o conhecimento científico estava integrado à vida espiritual da civilização.

Todos os anos, milhares de visitantes se reúnem em Chichén Itzá para assistir ao fenômeno que ocorre durante os equinócios de março e setembro. A imagem da serpente formada pela luz se tornou um dos momentos mais fotografados do sítio arqueológico. Isso, claro, para quem consegue chegar perto, uma vez que o local fica bastante cheio nessas datas.

A complexidade do calendário

A ligação entre a pirâmide e o tempo reflete apenas parte do sistema calendárico desenvolvido pelos maias. Isso porque a civilização utilizava diferentes ciclos simultâneos de contagem para organizar sua visão do mundo.

Entre os principais estavam o Tzolk’in, com 260 dias, e o Haab’, baseado em um ciclo solar de 365 dias. Esses calendários eram adotados de forma simultânea para determinar cerimônias religiosas, atividades agrícolas e datas importantes para a organização das cidades.

Os maias também desenvolveram a chamada Contagem Longa, sistema que registrava períodos muito maiores de tempo. Foi justamente esse modelo que acabou ganhando notoriedade internacional em 2012, quando interpretações equivocadas sugeriram que o calendário da antiga civilização preveria o “fim do mundo”.  Na prática, porém, o sistema apenas marcava o encerramento de um grande ciclo temporal. Para os maias, esse tipo de transição representava o reinício de uma nova contagem, e não uma previsão de catástrofe global.

Outra curiosidade que intriga arqueólogos está escondida no interior da própria estrutura. Pesquisas realizadas ao longo do século 20 revelaram que El Castillo foi construída sobre pirâmides anteriores. Escavações e estudos de imagem identificaram pelo menos duas estruturas internas mais antigas. A menor delas abriga um templo no topo e um trono em forma de jaguar esculpido em pedra.

Esse tipo de construção em camadas não era incomum na arquitetura mesoamericana. Novos governantes frequentemente ampliavam ou reconstruíam templos existentes para demonstrar poder político e continuidade religiosa.

A nomeação como uma das 7 maravilhas do mundo

Após séculos de prosperidade, Chichén Itzá começou a entrar em declínio por volta do século 13. As razões exatas ainda são debatidas por historiadores e arqueólogos, mas o fato é que a cidade acabou sendo gradualmente abandonada – embora o local nunca tenha sido completamente esquecido pelas populações da região. Durante séculos, as estruturas permaneceram cobertas pela vegetação da Península de Yucatán.

No século 19, exploradores e arqueólogos começaram a documentar as ruínas com maior profundidade. Expedições científicas e estudos arqueológicos ajudaram a revelar a complexidade urbana e arquitetônica da antiga metrópole maia. Hoje, o sítio é reconhecido pela UNESCO como Patrimônimo Mundial.

Em 2007, Chichén Itzá ganhou ainda mais projeção internacional ao ser eleita uma das 7 novas maravilhas do mundo. A iniciativa foi organizada pela New7Wonders Foundation, entidade sediada na Suíça que propôs uma votação popular para atualizar a lista das antigas maravilhas do mundo, originalmente definida na Antiguidade clássica.

O projeto mobilizou uma campanha global sem precedentes. Durante vários anos, pessoas de diferentes países puderam votar pela internet, telefone e mensagens de texto em seus monumentos favoritos. Segundo os organizadores, o processo reuniu dezenas de milhões de votos, transformando a eleição em uma espécie de plebiscito mundial sobre patrimônio histórico e cultural.

Quando o resultado foi anunciado, em uma cerimônia realizada em Lisboa, Chichén Itzá apareceu ao lado de alguns dos monumentos mais emblemáticos do planeta. A lista final incluiu também Grande Muralha da China, Petra (Jordânia), Machu Picchu (Peru), Cristo Redentor (Brasil), Coliseu (Itália) o Taj Mahal (Índia).

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Como visitar Chichén Itzá saindo de Cancún

Paulo Basso Jr.
Chichén Itzá, México - Há diversas outras construções na cidade, que recebe mais de 1 milhão de visitantes por ano.
Há diversas outras construções em Chichén Itzá, que recebe mais de 1 milhão de visitantes por ano

Hoje, Chichén Itzá é um dos destinos arqueológicos mais visitados do México e faz parte do roteiro clássico de quem viaja para as praias mais famosas do litoral leste do país. A antiga cidade maia fica no interior do estado de Yucatán, aproximadamente no meio do caminho entre a costa caribenha e a capital regional, Mérida.

Para quem está hospedado em Cancún, a distância é de cerca de 200 km. A viagem de carro ou ônibus, que pode ser reservada aqui, costuma levar entre duas e três horas, dependendo das condições da estrada e do ponto de partida na chamada Riviera Maya.

Por essa razão, visitar o sítio arqueológico tornou-se um dos passeios mais populares para turistas que passam férias nas praias do Caribe mexicano. Hotéis e agências de turismo oferecem excursões diárias que partem não apenas de Cancún, mas também de Playa del Carmen e Tulum.

Os passeios normalmente incluem transporte, guia especializado e paradas em atrações próximas, como o cenote Cenote Ik Kil, famoso pelas águas profundas cercadas por vegetação tropical. Em muitos casos, a programação também inclui uma parada na cidade colonial de Valladolid, marcada por arquitetura histórica e ruas coloridas.

Outro detalhe que ajuda a explicar o sucesso turístico de Chichén Itzá é a facilidade de acesso. Diferentemente de muitos sítios arqueológicos remotos, a região conta com boas estradas e infraestrutura para receber visitantes, incluindo centro de visitantes, restaurantes e serviços de guia.

Por causa do clima quente da Península de Yucatán, a dica é chegar cedo ao local, quando as temperaturas ainda são mais amenas e o fluxo de visitantes é menor. Isso também aumenta as chances de observar a pirâmide de El Castillo com mais tranquilidade antes da chegada das grandes excursões, sobretudo perto do horário do almoço e no início da tarde.

O que mais ver em Chichén Itzá

Paulo Basso Jr.
Chichén Itzá, México - Em um campo da região era disputado o jogo de bola mesoamericano. Eis o detalhe do aro no qual os jogadores deviam acerta a bola. A partida era extremamente violenta e, em algumas ocasiões, as cerimônias após o encerramento incluíam o sacrifício do capitão e de outros jogadores da equipe derrotada.
Estrutura no campo de jogo de bola em Chichén Itzá

Embora a pirâmide de El Castillo concentre a maior parte da atenção dos visitantes,  Chichén Itzá abriga dezenas de outras estruturas que ajudam a compreender a dimensão política, religiosa e científica da antiga cidade maia. Espalhado por uma área extensa, o sítio arqueológico reúne templos, plataformas cerimoniais, observatórios e espaços dedicados a rituais públicos.

Um dos pontos mais impressionantes é o Great Ball Court,  o maior campo de jogo de bola da Mesoamérica já descoberto. Com cerca de 168 metros de comprimento, o espaço revela a importância ritual e simbólica do jogo praticado pelas civilizações pré-colombianas. As paredes laterais exibem relevos esculpidos em pedra que retratam cenas associadas às partidas e a cerimônias ligadas ao poder político e religioso.

Outro destaque é o Temple of the Warriors, complexo monumental formado por uma grande escadaria, um templo elevado e fileiras de colunas esculpidas. Essas colunas representam guerreiros e personagens mitológicos, sugerindo a importância das atividades militares e da organização social na cidade durante seu período de maior prosperidade.

Ali perto está o Group of a Thousand Columns, conjunto arquitetônico que provavelmente fazia parte de grandes espaços cerimoniais ou administrativos. As fileiras de colunas de pedra criam uma paisagem impressionante e ajudam a imaginar como eram os grandes edifícios cobertos que existiam ali no passado.

Outro ponto frequentemente visitado é o El Caracol, estrutura circular construída sobre uma plataforma elevada. Muitos arqueólogos acreditam que o edifício tenha sido utilizado como observatório astronômico, já que suas janelas e alinhamentos parecem corresponder a posições específicas de corpos celestes, incluindo o planeta Vênus.

Por fim, há o Sacred Cenote, uma grande formação natural de água doce que desempenhava papel central nos rituais da cidade. Pesquisas arqueológicas realizadas ao longo do século 20 encontraram no local objetos de ouro, jade, cerâmica e outros artefatos associados a oferendas religiosas.

Juntos, esses monumentos ajudam a revelar que  Chichén Itzá era muito mais do que o cenário de uma única pirâmide famosa. A cidade funcionava como um complexo urbano evoluído, onde religião, ciência, política e arquitetura se entrelaçavam no cotidiano da civilização maia. E om direito até a um sofisticado calendário.

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